quarta-feira, agosto 12, 2026
Desde 1876

Inflação recua em Belém e preços caem 0,45% em julho, aponta DIEESE

Capital paraense registra a menor variação entre as 16 áreas pesquisadas pelo IBGE; queda da gasolina e do açaí ajuda a aliviar o orçamento das famílias

O bolso dos consumidores de Belém teve um alívio importante em julho. A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou deflação de 0,45% na capital paraense, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) analisados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE/PA). O resultado colocou Belém na primeira posição entre as 16 áreas pesquisadas pelo instituto, com a menor variação de preços do país no mês.

O desempenho contrasta com o resultado nacional. Enquanto os preços recuaram em Belém, o IPCA brasileiro apresentou alta de 0,07% em julho, embora tenha desacelerado em relação aos 0,16% registrados em junho.

Para o supervisor técnico do DIEESE/PA, Everson Costa, o resultado da capital paraense representa uma redução importante das pressões sobre o custo de vida, especialmente porque ocorreu em itens que possuem peso significativo no orçamento das famílias, como alimentação e combustíveis.

A análise do DIEESE/PA mostra, porém, que a deflação não significa que o custo de vida tenha retornado aos níveis anteriores. O que ocorreu foi uma redução dos preços de determinados produtos e, consequentemente, uma desaceleração do ritmo geral de inflação. Muitos produtos e serviços continuam em patamares elevados depois das altas acumuladas nos últimos anos.

Gasolina e açaí puxam queda em Belém

Dois produtos tiveram participação decisiva no resultado positivo da capital paraense: gasolina e açaí.

Segundo os dados do IBGE, a gasolina ficou 3,42% mais barata em julho, enquanto o preço do açaí recuou expressivos 14,24%. A combinação das duas quedas teve impacto significativo no orçamento dos consumidores.

O comportamento do açaí merece atenção especial no Pará. Além de ser um dos alimentos mais presentes na mesa da população, o produto possui importância econômica e cultural para o Estado. Uma redução de 14,24% representa, portanto, um alívio direto para as famílias que consomem o produto regularmente.

A gasolina, por sua vez, tem impacto que vai além do abastecimento dos veículos. A redução do combustível pode ajudar a diminuir despesas com transporte e, indiretamente, reduzir custos de circulação de mercadorias e prestação de serviços.

Everson Costa chama atenção, contudo, para a necessidade de acompanhar o comportamento desses preços nos próximos meses. A queda registrada em julho precisa ser observada para verificar se representa uma tendência mais duradoura ou se está relacionada a fatores conjunturais.

Belém praticamente empata com o Brasil no acumulado do ano

Com a deflação de julho, Belém passou a acumular 3,47% de inflação entre janeiro e julho, enquanto o índice nacional ficou em 3,44%.

A diferença é pequena, mas representa uma mudança importante na trajetória dos preços na capital paraense. Nos últimos 12 meses, o cenário é ainda mais favorável: Belém acumula inflação de 3,87%, abaixo dos 4,44% registrados no Brasil.

O movimento confirma a desaceleração observada nos últimos meses. No país, o IPCA passou de 0,58% em maio para 0,16% em junho e chegou a apenas 0,07% em julho. Em Belém, a trajetória foi ainda mais expressiva: depois de registrar alta de 0,07% em junho, a capital apresentou queda de 0,45% em julho.

Alimentos ajudam a conter inflação nacional

No cenário brasileiro, o grupo Alimentação e Bebidas apresentou queda de 0,67% em julho, contribuindo de maneira importante para conter a inflação.

A alimentação consumida dentro de casa recuou 1,14%, com destaque para produtos que tiveram reduções expressivas de preço. O tomate caiu 29,09%, a batata-inglesa teve redução de 19,59%, a cenoura recuou 14,41% e o café moído ficou 2,45% mais barato.

Nem todos os alimentos, entretanto, apresentaram queda. O leite longa vida subiu 2,47% e as frutas tiveram aumento médio de 1,20%.

Já a alimentação fora do domicílio ficou 0,55% mais cara, com alta de 0,76% nos lanches e de 0,42% nas refeições.

Energia elétrica continua no radar

Apesar do resultado positivo dos alimentos e combustíveis, o comportamento da inflação ainda exige atenção. No Brasil, o grupo Habitação foi o principal fator de pressão em julho, com alta de 0,99%, especialmente por causa da energia elétrica residencial, que subiu 3,09%.

É justamente nesse ponto que o DIEESE/PA recomenda atenção especial para os próximos meses no Pará.

Uma eventual elevação das tarifas de energia elétrica pode representar uma nova pressão sobre o orçamento das famílias paraenses. O impacto não se limita à conta de luz residencial: empresas, estabelecimentos comerciais, prestadores de serviços e setores produtivos também sofrem com aumentos nos custos de energia e podem repassar parte dessas despesas para os preços finais.

Na avaliação de Everson Costa, o resultado de julho deve ser comemorado como um sinal de alívio, mas não pode ser interpretado como uma solução definitiva para o custo de vida. A trajetória dos preços continuará dependendo de fatores como alimentação, combustíveis, serviços e, principalmente, tarifas administradas.

INPC também registra queda histórica em Belém

O cenário favorável também apareceu no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), indicador especialmente importante para trabalhadores e famílias de menor renda.

No Brasil, o INPC apresentou deflação de 0,01% em julho, depois de registrar alta de 0,14% em junho. No acumulado de janeiro a julho, o índice nacional chega a 3,50% e, em 12 meses, alcança 4,10%.

Em Belém, entretanto, a queda foi ainda maior: -0,49%, também a menor variação entre todas as áreas pesquisadas pelo IBGE.

Com isso, o INPC da capital acumula 3,20% no ano e 3,58% nos últimos 12 meses, ambos abaixo dos indicadores nacionais.

Para Everson Costa, esse resultado tem importância adicional porque o INPC acompanha de maneira mais próxima a evolução dos preços para famílias com rendimentos mais baixos. Dessa forma, a redução dos preços de alimentos e combustíveis pode representar um alívio proporcionalmente maior para os trabalhadores que destinam parcela elevada da renda ao consumo de itens essenciais.

Queda dos preços traz alívio, mas exige cautela

Os números de julho mostram um cenário mais confortável para o consumidor de Belém, principalmente quando comparado ao comportamento da inflação nacional.

A combinação entre a redução do preço do açaí, a queda da gasolina e o comportamento mais favorável de diversos alimentos ajudou a capital paraense a registrar deflação de 0,45%, resultado que interrompeu a sequência de altas e colocou Belém com inflação acumulada em 12 meses abaixo da média brasileira.

Ainda assim, o DIEESE/PA reforça que a deflação de um mês não significa que todos os preços estejam baixos. Produtos e serviços que sofreram aumentos anteriormente permanecem em níveis elevados, e novas pressões podem surgir nos próximos meses.

Nesse cenário, a energia elétrica aparece como um dos principais pontos de atenção. Caso haja aumento nas tarifas, o impacto poderá atingir diretamente as famílias e também os custos de empresas e serviços, criando novas pressões sobre os preços.

Por isso, segundo a avaliação de Everson Costa, supervisor técnico do DIEESE/PA, o resultado de julho é positivo e representa uma importante redução das pressões inflacionárias em Belém, mas a consolidação dessa melhora dependerá do comportamento dos preços nos próximos meses.

Números da inflação em julho de 2026

IndicadorBrasilBelém
IPCA em julho0,07%-0,45%
IPCA acumulado no ano3,44%3,47%
IPCA em 12 meses4,44%3,87%
INPC em julho-0,01%-0,49%
INPC acumulado no ano3,50%3,20%
INPC em 12 meses4,10%3,58%

Fonte: IBGE. Elaboração: DIEESE/PA.

WEB-BANNERS-VIVABAIRRO_BANNER BiLLBOARD 300X100

artigos relacionados

PERMANEÇA CONECTADO

50,319FansLike
3,522FollowersFollow
22,800SubscribersSubscribe
banner-avsitao55anos - 320 x 320
BANNER - 320 x 320

Mais recentes