Nódulos que duram mais de três semanas, febre sem causa e suor noturno exigem investigação com especialista.
É comum que o corpo reaja a infecções e inflamações com o surgimento de ínguas — o inchaço característico dos gânglios linfáticos. No entanto, quando esse aumento persiste por mais de três semanas sem melhora, o quadro exige investigação médica para descartar a presença de um linfoma, tipo de câncer que se origina nas células do sistema linfático.
A doença pode afetar os linfonodos, o baço, a medula óssea e outros órgãos. De acordo com especialistas, o risco aumenta quando a íngua apresenta crescimento progressivo, atinge mais de dois centímetros de diâmetro (em regiões como pescoço, axilas e virilhas) ou surge em locais inusitados, como acima da clavícula, na cavidade abdominal ou no tórax.
Sinais de Alerta
Linfonodos endurecidos ou que parecem “presos” aos tecidos ao redor devem ser avaliados por um profissional. Como nem todas as ínguas são visíveis a olho nu, é importante prestar atenção a outros sintomas associados ao linfoma:
- Febre contínua sem causa aparente
- Suor noturno intenso
- Perda de peso não intencional
- Cansaço e fadiga persistentes
- Coceira pelo corpo (prurido)
- Falta de ar, tosse ou sensação de pressão no peito
Diagnóstico e Tipos de Linfoma
A investigação clínica começa com o histórico do paciente e o exame físico, podendo incluir exames de laboratório e de imagem. Contudo, a confirmação do diagnóstico depende de uma biópsia do tecido do linfonodo.
A doença afeta diferentes faixas etárias e divide-se em dois tipos principais:
- Linfoma de Hodgkin: Mais frequente em adultos jovens, com incidência crescente também entre idosos.
- Linfoma Não-Hodgkin: Torna-se mais comum com o avanço da idade.
A médica hematologista Andresa Melo, do Hospital Brasília (Rede Américas), destaca que a identificação precisa do subtipo é fundamental: “Os avanços na classificação dos diferentes subtipos e no desenvolvimento de tratamentos mais direcionados têm permitido estratégias cada vez mais individualizadas. Por isso, a definição precisa do tipo de linfoma é uma etapa essencial para a escolha da abordagem terapêutica.”
Opções de Tratamento e Prognóstico
As estratégias terapêuticas variam conforme as características de cada paciente e da doença. As abordagens podem incluir quimioterapia, imunoterapia, medicamentos-alvo e radioterapia. Terapias avançadas, como o tratamento com células CAR-T e o transplante de células-tronco hematopoéticas (medula óssea), são indicadas para casos específicos, especialmente quando o câncer retorna ou não responde às abordagens iniciais.
O hematologista Sandro Melim, do Hospital Santa Lúcia (HSL), reforça a importância da detecção precoce: “Muitos linfomas podem ser curados ou mantidos sob controle por longos períodos, especialmente quando são diagnosticados e tratados adequadamente. Por isso, a presença de uma íngua persistente não deve ser motivo para pânico, mas merece avaliação médica quando não desaparece ou apresenta características suspeitas.”
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