Antes de as primeiras luzes do sol darem tom à manhã em Belém, o movimento no Complexo de São Brás já está a todo vapor. Por trás dos aromas de temperos frescos, do camarão bem tratado e das frutas arrumadas com precisão, existem vidas dedicadas a alimentar a capital paraense. Neste 25 de agosto, no Dia do Feirante, a rotina ganha um significado especial entre os 202 permissionários que ocupam o recém-requalificado espaço administrado pela Sedcon.
Para muitos, a feira não é apenas um local de trabalho, mas uma herança familiar carregada no sangue:

Seu Juju (João Maria da Costa Silva, 69 anos)
Com quatro décadas de feira, o morador de Canudos começou ajudando o pai e os tios entre caixas de madeira improvisadas na pista. Há 17 anos assumiu o box da família e celebra a nova estrutura: “A feira está bonita e higienizada. Agora dá gosto de ver o freguês vir, olhar e até tirar foto.”

José Carlos Alves de Souza (59 anos)
O vendedor de camarão lembra do pai, pioneiro que começou a trajetória vendendo dois paneiros na antiga Estrada Nova. Foi do suor da banca em São Brás que a família realizou o sonho de custear a faculdade de medicina de um dos irmãos. Para ele, a celebração da data é simples: “A parte boa de verdade é trabalhar e vender bem.”
A rotina exige disciplina extrema — Seu Juju, por exemplo, de pé às 3h da manhã para deixar tudo pronto até as 6h. Esse ritmo reflete a força de um setor gigantesco: Belém conta com cerca de 11 mil feirantes espalhados por 55 feiras e mercados municipais.
Como pontua o titular da Sedcon, André Cunha, esses trabalhadores são peças centrais para o abastecimento e a economia da cidade. Entre corredores limpos e o barulho acolhedor das negociações, o novo São Brás mostra que valorizar o feirante é preservar a própria identidade de Belém.
Crédito: Roberta De Paula





