Mais de 150 kg de comida por dia: como funciona a dieta dos animais no Bosque
No coração de Belém, as portas do Bosque Rodrigues Alves se abrem cedinho, às 7h, com uma missão gigantesca: planejar, preparar e servir mais de 150 quilos de comida diários para os cerca de 200 animais sob seus cuidados. Na data em que o espaço celebra seus 143 anos de história, a rotina revela que nutrir esses habitantes vai muito além de encher potes de ração — é uma verdadeira ciência de bem-estar animal conduzida por dois biólogos e três veterinárias.
A lista de compras impressiona pela variedade: frutas, folhas, legumes, ração, ovos, fígado e vísceras bovinas. Como explica o biólogo Tavison Guimarães, atuante há 14 anos no local, a prioridade é imitar o habitat natural. Mas o prato principal da rotina é o enriquecimento alimentar. Para evitar o estresse do cativeiro, a equipe esconde o alimento e cria desafios físicos — como os macacos enfrentam ao abrir um ouriço de castanha na mata — garantindo que a hora da refeição seja também um momento de estímulo e atividade física.
O Cardápio das Personalidades do Bosque
Nando Reis (Quati): Fã número um de ovos, acompanhados de banana, mamão e melancia.
Cobra Milton: Cardápio focado em camundongos, servidos a cada 15 dias devido ao seu metabolismo lento.
Fugêncio (Macaco-prego): Louco por couve, sem deixar de lado as frutas e a ração.
Cap30 (Capivara): A mais comilona do espaço. Passa o dia alternando entre banhos de lago e banquetes de capim, hortaliças e frutas.
Animais de vida livre: Cutias, preguiças, pacas e gaviões garantem seu próprio sustento consumindo frutos e plantas nativas do próprio parque.
O Perigo da “Comida Humana” e a Conscientização
Se dentro dos recintos o equilíbrio reina, nas bordas do Bosque surge o maior desafio: a interação com a população. Os macacos-de-cheiro, que circulam livremente e costumam pular os muros rumo à avenida Almirante Barroso, acabam recebendo coxinha, pipoca, pirulito e biscoitos de pedestres bem-intencionados.
Esse hábito traz graves consequências de saúde para os primatas, como diabetes, colesterol alto e alteração comportamental (tornando-os propensos a roubar comida). Para combater o problema, a administração do Bosque investe em placas, panfletagem, educação escolar e na instalação de comedouros visíveis em pontos estratégicos (como na travessa Perebebuí) para mostrar ao público que os bichos já estão bem alimentados.
Visitantes conscientes, como a administradora Sarah Monteiro, fazem a sua parte ensinando desde cedo que respeitar a fauna é não interferir. Afinal, manter o Bosque vivo é garantir que cada espécie receba exatamente o que precisa para prosperar.
Crédito: Paula Lourinho





