quarta-feira, setembro 2, 2026
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Celso Sabino: da vida profissional à Esplanada dos Ministérios, o novo desafio de chegar ao Senado pelo Pará

A redação de A PROVÍNCIA DO PARÁ realiza nesta semana matérias específicas com os principais candidatos ao Senado da República. Pela ordem, a série abre com Chicão, Celso Sabino, Zequinha Marinho, Paulo Rocha, Éder Mauro Barra e se encerra com Helder Barbalho

A eleição de 2026 representa para Celso Sabino uma mudança importante de patamar na carreira política. Depois de dois mandatos como deputado federal e de uma passagem de mais de dois anos pelo Ministério do Turismo, o político paraense decidiu enfrentar um dos maiores desafios de sua trajetória: conquistar uma das duas cadeiras que estarão em disputa pelo Pará no Senado Federal.

Nascido em Belém, em 29 de agosto de 1978, Celso Sabino de Oliveira chega à disputa com uma carreira que combina experiência na administração pública, formação jurídica e atuação política em diferentes níveis. Aos 48 anos, ele tenta transformar a experiência acumulada em Brasília em capital eleitoral para uma eleição majoritária estadual.

O próprio Senado, ao apresentar os candidatos para as eleições de 2026, registra Sabino como natural de Belém e profissionalmente identificado como advogado, administrador e auditor fiscal. A ficha eleitoral também registra sua passagem pela Assembleia Legislativa do Pará, pela Câmara dos Deputados e pelo Ministério do Turismo.

As raízes em Belém e a formação profissional

A trajetória de Celso Sabino começou antes da política institucional.

Filho de Cipriano Sabino de Oliveira e Fátima Sabino de Oliveira, ele teve contato desde cedo com o ambiente empresarial. Ainda adolescente, aos 14 anos, começou a trabalhar na empresa da família, a Sabino Oliveira Comércio e Navegação, passando por diferentes funções antes de ingressar definitivamente na vida pública.

A experiência profissional foi acompanhada por uma formação acadêmica diversificada. Sabino graduou-se em Administração pela Universidade da Amazônia (Unama) e em Direito pelo Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa). Também possui especialização em Controladoria, Auditoria e Gestão Financeira pela Fundação Getulio Vargas e formação em Gestão Pública Tributária pela Escola de Administração Fazendária.

A carreira no serviço público começou cedo. Aos 22 anos, foi aprovado em concurso para auditor fiscal da Secretaria de Estado da Fazenda do Pará. A experiência na área tributária passou a fazer parte de sua identidade profissional e ajudou a construir a imagem de um político com formação técnica na administração pública.

Na vida pessoal, Sabino é casado e pai de cinco filhos. A família ocupa espaço importante em sua trajetória, enquanto sua identidade religiosa também é apresentada publicamente como cristã e evangélica.

Da Assembleia Legislativa à Câmara dos Deputados

A entrada definitiva na política ocorreu ainda na juventude.

Antes mesmo de conquistar um mandato eletivo, Sabino teve participação política estudantil e partidária. Sua primeira experiência eleitoral para um cargo público ocorreu em 2010, quando concorreu a deputado estadual e ficou na condição de suplente. No ano seguinte, assumiu o mandato.

Posteriormente, foi eleito deputado estadual para o período de 2015 a 2018. Também exerceu a função de secretário estadual de Trabalho, Emprego e Renda entre 2012 e 2013.

A experiência na Assembleia Legislativa foi o primeiro grande laboratório político de Sabino. Foi nesse período que consolidou sua atuação no cenário estadual e ampliou a rede de relações políticas que posteriormente seria levada para Brasília.

Em 2018, deu um passo decisivo: foi eleito deputado federal pelo Pará com 146.288 votos. Em 2022, conseguiu a reeleição, obtendo 142.326 votos.

Na Câmara dos Deputados, passou a atuar em um ambiente de maior exposição nacional. Em 2022, chegou à presidência da Comissão Mista de Orçamento, uma das posições de maior relevância dentro do Congresso Nacional.

A atual ficha da Câmara registra Sabino como deputado federal titular pelo Pará na legislatura 2023-2027.

A chegada ao Ministério do Turismo

O salto mais expressivo da carreira política veio em 2023.

Em agosto daquele ano, Celso Sabino assumiu o Ministério do Turismo no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deixando temporariamente o mandato de deputado federal.

A nomeação ocorreu dentro de uma articulação política que envolveu o União Brasil e o governo federal. Sabino substituiu Daniela Carneiro e passou a comandar uma pasta considerada estratégica para a economia brasileira, especialmente pela capacidade do turismo de gerar empregos, movimentar serviços e estimular investimentos.

Durante sua passagem pelo ministério, Sabino procurou imprimir uma agenda de expansão do turismo brasileiro, com atenção à promoção internacional do país, infraestrutura turística, turismo sustentável e fortalecimento de destinos regionais.

Em balanço apresentado à Câmara dos Deputados em outubro de 2025, já próximo de deixar o cargo, Sabino destacou o crescimento do fluxo de turistas estrangeiros. Segundo dados apresentados na ocasião, o Brasil havia recebido 6,7 milhões de visitantes internacionais em 2024 e já ultrapassava a marca de 7 milhões em 2025 até setembro.

A gestão também foi marcada por iniciativas voltadas à promoção do Brasil no exterior e pela defesa do turismo como instrumento de desenvolvimento econômico e social.

A passagem pelo ministério deu a Sabino uma dimensão política diferente daquela construída exclusivamente no Congresso. Durante mais de dois anos, ele passou a circular entre governadores, prefeitos, empresários, entidades do setor e autoridades estrangeiras, além de participar de decisões relacionadas a uma das principais cadeias econômicas do país.

O retorno à Câmara e a escolha pelo Senado

A saída do Ministério do Turismo esteve diretamente relacionada ao projeto eleitoral de 2026.

Em dezembro de 2025, Sabino deixou o comando da pasta e anunciou que pretendia disputar uma vaga no Senado pelo Pará. A decisão ocorreu em meio a mudanças em sua relação com o União Brasil, partido ao qual estava filiado.

O projeto ganhou forma definitiva em 2026, quando Sabino deixou o antigo partido e ingressou no PDT, legenda pela qual passou a disputar o Senado.

A pré-candidatura foi anunciada em abril e posteriormente homologada pelo partido em convenção realizada em julho, em Belém.

A candidatura está oficialmente registrada entre as que disputam o Senado pelo Pará nas eleições de 2026. A lista divulgada pelo Senado inclui, entre outros nomes, Celso Sabino, Helder Barbalho, Chicão, Éder Mauro e Zequinha Marinho.

O novo desafio: duas vagas e uma disputa nacionalizada

A eleição para o Senado tem uma característica diferente da disputa para deputado federal ou estadual: cada eleitor poderá escolher dois candidatos.

No Pará, portanto, dois nomes serão eleitos para o Senado em 2026. É justamente nesse cenário que Celso Sabino coloca sua trajetória à prova.

A disputa exige uma estratégia eleitoral diferente. Não basta uma votação concentrada em Belém ou na Região Metropolitana. Para chegar ao Senado, o candidato precisa construir uma presença eleitoral ampla nos municípios paraenses.

E esse é um dos principais desafios de Sabino: transformar sua experiência acumulada em Brasília em votos espalhados pelas diferentes regiões do Estado.

Sua passagem pelo Ministério do Turismo também pode funcionar como um ativo político. Ao ocupar uma pasta nacional, o paraense ampliou sua visibilidade e passou a ter contato direto com temas que ultrapassam as fronteiras do Pará.

Para um Estado de dimensões continentais como o Pará, questões relacionadas à infraestrutura, logística, turismo, desenvolvimento regional, geração de emprego, exploração mineral, transição energética e preservação ambiental estarão entre os assuntos que devem pautar a campanha.

Um político de perfil técnico e trânsito em Brasília

Ao longo da carreira, Celso Sabino construiu uma imagem associada à combinação entre formação técnica e articulação política.

Administrador, advogado e auditor fiscal, ele chega à corrida eleitoral com experiência tanto no Executivo quanto no Legislativo.

Na Câmara, sua atuação lhe permitiu participar de debates nacionais e da discussão do orçamento federal. No Ministério do Turismo, teve contato direto com a estrutura do Executivo e com setores empresariais.

De volta ao Congresso, sua candidatura ao Senado representa uma tentativa de dar um novo passo na carreira: sair de uma posição de deputado federal, cuja representação é proporcional ao número de votos, para assumir um mandato majoritário de oito anos.

A própria Câmara registra atualmente sua atuação parlamentar e as emendas destinadas ao Pará. Em 2026, por exemplo, aparecem entre os recursos aprovados valores destinados ao custeio da atenção primária à saúde no Estado e transferências especiais.

A força e os obstáculos da candidatura

A experiência é, ao mesmo tempo, uma das principais forças e um dos maiores desafios da candidatura.

Sabino já conhece Brasília, conhece o funcionamento do Congresso e passou pelo Executivo federal. Tem uma trajetória eleitoral consolidada e uma rede política construída ao longo de anos.

Por outro lado, a eleição para o Senado coloca o candidato diante de uma disputa muito mais ampla e competitiva.

O Pará terá uma das corridas mais observadas do pleito de 2026. Além de Sabino, nomes com forte presença política estadual e nacional também disputam as duas cadeiras.

O cenário inclui diferentes campos políticos e diferentes projetos para o Estado, tornando a eleição uma disputa não apenas por votos, mas também pela capacidade de cada candidato apresentar uma visão de futuro para o Pará.

De funcionário público a candidato ao Senado

A história política de Celso Sabino pode ser resumida como uma trajetória de ascensão gradual.

Começou no ambiente empresarial da família, ingressou no serviço público como auditor fiscal, passou pela Assembleia Legislativa, chegou à Câmara dos Deputados, ocupou a presidência de uma das mais importantes comissões do Congresso e, posteriormente, assumiu um ministério no governo federal.

Agora, aos 48 anos, enfrenta uma eleição majoritária.

A candidatura ao Senado é, portanto, mais do que uma mudança de cargo. Representa uma tentativa de consolidar, em uma eleição estadual, uma carreira política construída entre o Pará e Brasília.

Se vencer, Sabino iniciará um novo ciclo político com um mandato de oito anos e uma responsabilidade diferente: representar todo o Estado no Senado Federal, onde cada unidade da Federação possui três representantes, independentemente de seu tamanho populacional.

O DESAFIO ESTÁ LANÇADO

De Belém, onde nasceu e iniciou sua trajetória profissional, até Brasília, onde construiu boa parte de sua carreira política, Celso Sabino agora tenta fazer o caminho de volta às urnas para conquistar uma das duas cadeiras que o Pará terá à disposição no Senado.

É a maior disputa eleitoral de sua carreira — e também a oportunidade de transformar uma trajetória construída em diferentes espaços do poder público em um novo mandato de alcance nacional.

Da Redação do Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ/Imagens: Reprodução

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