Revisão científica revela que medicamento popular ativa mecanismos de longevidade, mas especialistas pregam cautela para o uso em pessoas saudáveis.
Utilizada há décadas como o principal tratamento para a diabetes tipo 2 e integrante da lista de medicamentos essenciais da Organização Mundial da Saúde (OMS), a metformina tem chamado a atenção da comunidade científica para além do controle glicêmico. Uma revisão publicada na revista Aging destaca que o fármaco pode atuar diretamente em mecanismos celulares associados ao retardamento do envelhecimento e à longevidade.
Tradicionalmente, a diabetes tipo 2 é uma condição crônica marcada pela resistência à insulina e pelo aumento da glicose no sangue, associada frequentemente à obesidade e à idade. O problema causa sintomas como fadiga, sede e fome excessivas, urina frequente, visão embaçada e cicatrização lenta, exigindo mudanças no estilo de vida e uso de medicamentos. No entanto, a atuação da metformina no organismo revelou-se mais ampla do que o combate a esses sintomas.
No nível celular, o medicamento ativa a enzima AMPK — crucial para o equilíbrio energético —, reduz o estresse oxidativo e estimula a autofagia, processo em que as células eliminam estruturas danificadas. Além disso, inibe a proteína mTOR (ligada ao crescimento celular) e estabiliza a enzima TET2, protegendo a integridade do DNA e influenciando mudanças epigenéticas. O remédio também promove alterações benéficas na microbioma intestinal, reduzindo processos inflamados e melhorando parâmetros metabólicos.
Embora experimentos em animais mostrem aumento na expectativa de vida e desaceleração do crescimento de tumores, os dados em humanos ainda são restritos. Um estudo com 32 pacientes diabéticos apontou um envelhecimento biológico entre 2,7 e 3,4 anos mais lento em usuários da substância, mas sem comprovação direta de causa e efeito.
Especialistas ressaltam que ainda não há base científica para recomendar a metformina como antienvelhecimento para pessoas saudáveis. Para obter respostas conclusivas, pesquisadores planejam o ensaio clínico TAME (Targeting Aging with Metformin), que acompanhará 3 mil participantes nos Estados Unidos para avaliar a capacidade do fármaco em prevenir doenças associadas à idade.
Foto Reprodução IA





