sexta-feira, setembro 4, 2026
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Delegado Éder Mauro: da Polícia Civil ao Senado, a trajetória de um dos principais nomes da direita paraense

A redação de A PROVÍNCIA DO PARÁ realiza nesta semana matérias específicas com os principais candidatos ao Senado da República. Pela ordem, a série abre com Chicão, Celso Sabino, Zequinha Marinho, Éder Mauro Barra e se encerra com Helder Barbalho

A eleição de 2026 coloca o deputado federal Delegado Éder Mauro diante de um dos maiores desafios de sua trajetória política: conquistar uma das duas vagas do Pará no Senado Federal. O nome do parlamentar foi oficialmente lançado pelo Partido Liberal (PL) durante convenção estadual realizada em Belém, consolidando a candidatura de um político que construiu sua carreira pública a partir de uma trajetória de três décadas na Polícia Civil e de uma atuação parlamentar fortemente associada à segurança pública.

Natural de Belém, Éder Mauro Cardoso Barra nasceu em 14 de dezembro de 1960. Formado em Direito pela Universidade Federal do Pará (UFPA), ingressou na Polícia Civil e exerceu a função de delegado por aproximadamente 30 anos, antes de deixar a carreira policial para disputar seu primeiro mandato eletivo.

A passagem pela polícia seria determinante para a construção de sua identidade política. Ao longo dos anos, Éder Mauro passou a ser reconhecido publicamente pelo discurso duro contra a criminalidade, pela defesa do fortalecimento das forças de segurança e por posições favoráveis ao direito à posse e ao porte de armas.

DA CARREIRA POLICIAL PARA A POLÍTICA

A entrada definitiva na política ocorreu em 2014, quando Éder Mauro disputou uma vaga na Câmara dos Deputados pelo então PSD. A votação expressiva — 265.983 votos — garantiu sua eleição para a legislatura iniciada em 2015.

Desde então, o delegado transformou-se em uma das figuras mais conhecidas da política paraense em Brasília.

Foi reeleito em 2018, com 145.653 votos, e novamente em 2022, com 205.543 votos, chegando ao terceiro mandato consecutivo na Câmara dos Deputados.

A longevidade eleitoral ajudou a consolidar uma base política própria, especialmente entre eleitores que identificam na segurança pública uma das principais prioridades para o Estado.

Em 2022, Éder Mauro deixou o PSD e passou a integrar o Partido Liberal, legenda que se tornou uma das principais forças da direita brasileira e que tem como uma de suas principais referências o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segurança pública como marca registrada

Se existe um tema que atravessa praticamente toda a carreira pública de Éder Mauro, é a segurança.

A experiência de três décadas como delegado passou a orientar sua atuação no Congresso. Na Câmara, o parlamentar participou de comissões relacionadas à segurança pública, Justiça, direitos humanos e outras áreas estratégicas.

Em 2026, segundo o perfil oficial da Câmara dos Deputados, Éder Mauro registra 28 propostas legislativas de sua autoria e oito propostas relatadas, além de participação em 116 votações nominais em plenário no ano. O perfil parlamentar também registra sua atuação em emendas ao Orçamento da União destinadas, entre outras áreas, à saúde no Pará.

A segurança pública, entretanto, permanece como eixo central de seu discurso político.

Éder Mauro integra o grupo de parlamentares identificado com a chamada bancada da segurança e historicamente defende medidas mais rigorosas contra organizações criminosas, ampliação da atuação policial e flexibilização das regras relacionadas às armas de fogo.

Essa posição lhe garantiu forte identificação com determinados segmentos do eleitorado, mas também o colocou no centro de debates e controvérsias sobre segurança, direitos humanos, meio ambiente e violência policial.

POSIÇÕES CONSERVADORAS

A atuação parlamentar de Éder Mauro não se restringiu à segurança pública.

Ao longo de sua passagem pela Câmara, posicionou-se em votações importantes e tornou-se conhecido por sua identificação com pautas conservadoras. Também passou a integrar a base política ligada ao bolsonarismo e a atuar em defesa de uma agenda de direita no Congresso Nacional.

Sua atuação inclui participação em discussões sobre legislação penal, armas, segurança, direitos humanos e temas relacionados aos costumes.

Em 2016, votou favoravelmente à abertura do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff. No governo Michel Temer, também votou a favor da PEC do teto de gastos e da reforma trabalhista, além de ter votado contra a autorização para investigação do então presidente.

Ao mesmo tempo, sua atuação parlamentar é alvo de avaliações distintas. Organizações e grupos ligados ao meio ambiente e aos direitos humanos já fizeram críticas a posições assumidas pelo deputado. Por isso, sua trajetória política não pode ser compreendida apenas pelos apoios que recebeu, mas também pelas controvérsias que acompanharam sua atuação pública.

A primeira tentativa de chegar à Prefeitura de Belém

Antes de chegar à disputa pelo Senado, Éder Mauro também experimentou uma candidatura majoritária.

Em 2016, concorreu à Prefeitura de Belém. Terminou a disputa em terceiro lugar, com 128.549 votos, equivalentes a 16,53%, ficando atrás de Zenaldo Coutinho e Edmilson Rodrigues.

Oito anos depois, voltou a disputar o comando da capital paraense.

Nas eleições municipais de 2024, pelo PL, alcançou o segundo turno. No primeiro turno, recebeu 252.455 votos, ou 31,48% dos votos, avançando para a disputa contra Igor Normando.

No segundo turno, porém, não conseguiu vencer a eleição.

A candidatura à Prefeitura teve importância política mesmo com a derrota: demonstrou que Éder Mauro possuía capacidade de mobilização eleitoral em Belém e reforçou sua posição como uma das principais lideranças da direita no Pará.

O SALTO PARA O SENADO

Agora, a disputa é diferente.

Ao contrário da eleição para deputado federal, na qual o eleitor escolhe representantes proporcionais, a eleição para o Senado é majoritária. Em 2026, os paraenses escolherão dois senadores.

A candidatura de Éder Mauro foi oficializada pelo PL em agosto. O registro disponível no acompanhamento das eleições de 2026 identifica o parlamentar como candidato do partido ao Senado, com o número 222; àquela altura, o registro aparecia como aguardando julgamento.

O movimento representa uma mudança significativa de patamar político.

Depois de três mandatos consecutivos na Câmara, uma candidatura ao Senado coloca Éder Mauro diante de uma eleição estadualizada, na qual precisará ampliar sua capacidade de diálogo para além de sua tradicional base eleitoral.

UM NOME COMPETITIVO NA CORRIDA

As pesquisas mais recentes mostram que o deputado entrou na disputa em posição competitiva.

Levantamento AtlasIntel realizado entre 14 e 19 de agosto de 2026, com 1.197 eleitores, apontou Éder Mauro com 21,2% das intenções de voto, atrás do ex-governador Helder Barbalho, que aparecia com 27,6%. Na sequência estavam Zequinha Marinho, Celso Sabino e Chicão.

O resultado coloca Éder Mauro entre os nomes com maior potencial eleitoral na corrida pelas duas cadeiras do Pará.

Mas também revela o tamanho do desafio: a disputa reúne políticos com trajetórias diferentes e bases eleitorais espalhadas por diversas regiões do Estado.

A FORÇA DA FAMÍLIA NA POLÍTICA

A política também se tornou uma atividade familiar.

Seu filho, Rogério Barra, advogado, é deputado estadual pelo Pará desde 2023. Antes disso, ocupou o cargo de secretário de Justiça e Direitos Humanos do Estado.

A presença de familiares na política ampliou a estrutura de atuação do grupo político ligado ao delegado e contribuiu para sua presença em diferentes espaços da política paraense.

Para 2026, a candidatura ao Senado também conta com uma composição própria de suplência. Segundo o cadastro divulgado pelo Senado Federal, Alex Lima aparece como primeiro suplente e Alessandra Sá como segunda suplente.

VIDA PESSOAL E ORIGEM

Antes da vida pública, a trajetória de Éder Mauro esteve ligada à formação profissional e ao serviço policial.

Filho de Vivaldo de Jesus Barra e Maria Trindade Martins Cardoso, nasceu e cresceu em Belém. Segundo registros biográficos, começou a trabalhar ainda adolescente e ingressou no curso de Direito da UFPA aos 17 anos. A formação jurídica abriu caminho para a carreira na Polícia Civil.

Foi justamente a experiência adquirida nas ruas, segundo a imagem pública construída pelo próprio político, que passou a fundamentar seu discurso eleitoral.

O delegado que ganhou notoriedade no combate à criminalidade acabou transformando a própria profissão em identidade política.

O LEGADO DE TRÊS MANDATOS

Depois de mais de uma década no Congresso, Éder Mauro chega à eleição de 2026 carregando um currículo que combina 30 anos de Polícia Civil, três mandatos consecutivos como deputado federal, duas candidaturas à Prefeitura de Belém e uma forte identificação com o campo conservador.

Na Câmara, participou de comissões, apresentou propostas e atuou em votações de grande repercussão nacional. Em 2025, também foi escolhido pelo Congresso em Foco como melhor deputado federal do Pará, reconhecimento baseado na premiação promovida pelo veículo.

Seu desempenho parlamentar, entretanto, é interpretado de maneiras diferentes conforme o espectro político. Para seus apoiadores, representa uma atuação firme em defesa da segurança e dos valores conservadores. Para críticos, algumas de suas posições são excessivamente rígidas e controversas.

Essa polarização, longe de ser um detalhe, é parte fundamental da trajetória do candidato.

DO DELEGADO AO SENADOR?

A candidatura de Éder Mauro ao Senado representa, portanto, mais do que uma nova eleição.

É o próximo capítulo de uma carreira que começou na Polícia Civil, passou por três mandatos na Câmara dos Deputados, chegou ao segundo turno da eleição para prefeito de Belém e agora busca uma cadeira de oito anos no Senado Federal.

A pergunta que ficará para as urnas é se a força eleitoral construída pelo delegado ao longo dos últimos anos será suficiente para transformá-lo em senador da República.

O eleitor paraense terá a palavra.

Da Redação do Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ/Imagens: Reprodução

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