Sanjay Sah preferiu alertar colegas a fugir antes de avalanche soterrar usina hidrelétrica; sobrevivente recitava orações no escuro.
Nove dias após o colapso de uma montanha sobre o vale do rio Trishuli, no Nepal, as equipes de resgate encontraram um sopro de esperança em meio à tragédia. O encarregado mecânico Sanjay Sah, de 30 anos, e o supervisor mecânico Kabir Maharjan foram resgatados com vida nesta sexta-feira (4), do interior dos túneis da Usina Hidrelétrica Upper Trishuli 3A, destruída por uma avalanche de gelo, rochas e detritos.
No momento em que a montanha cedeu, Sah tomou a decisão de permanecer na sala de controle para alertar os colegas de trabalho. “Normalmente há de quatro a seis pessoas lá, mas naquele dia poderiam estar entre 40 e 45”, relatou o trabalhador em vídeo divulgado pelas autoridades locais, gravado enquanto era atendido sobre uma maca. “Minha responsabilidade era salvar a vida de todos. Quando aconteceu um acidente tão grande, não seria certo fugir.” Ao garantir que os demais escapassem rio acima, Sah perdeu a janela de tempo necessária para sair e acabou preso no local.
Para sobrepujar o isolamento na escuridão ao longo dos nove dias, o mecânico recitava mantras e orações. Durante o período, ele conseguiu manter contato com outros três ou quatro funcionários em pontos próximos da estrutura e relatou aos militares que mais pessoas podem estar presas em trechos mais profundos da montanha. Imagens registradas pelo Exército do Nepal mostram o momento em que Sah foi carregado nas costas por um socorrista, com o rosto coberto de lama.
A dupla resgatada foi transferida para um hospital militar na capital, Katmandu, onde recebe cuidados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Eles são os primeiros trabalhadores retirados das usinas desde que um pequeno grupo conseguiu escapar nas primeiras horas após o colapso.
A magnitude da catástrofe na região fronteiriça com o Tibete chinês acumula dados dramáticos:
- Pessoas presas em túneis: Estimativa de pelo menos 900 trabalhadores isolados em estruturas ligadas a seis projetos hidrelétricos ao longo do rio Trishuli.
- Impacto no Nepal: Pelo menos 1.287 mortos, 5.083 desaparecidos e milhares de desabrigados após o arrasamento de vilarejos, casas e infraestruturas.
- Impacto no Tibete (China): Registrados 21 mortos e 541 pessoas desaparecidas.
As operações de busca continuam concentradas na desobstrução dos canais e túneis da região, onde a busca por sobreviventes corre contra o tempo.
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