Treinador deixa o clube após nove jogos sem vencer; Thiago Carpini é o nome mais cotado para assumir o Leão, que tem apenas 11 rodadas para tentar escapar da Série B
Como já é de domínio público, Léo Condé não é mais o técnico do Clube do Remo. A saída foi confirmada nesta terça-feira, 15, de madrugada, depois da derrota por 2 a 1 para o Bahia, em Salvador, pela 27ª rodada do Campeonato Brasileiro. O treinador deixa o cargo após nove partidas consecutivas sem vitória, com seis derrotas e três empates. O último triunfo havia sido contra o Vitória, em 26 de julho.
A demissão, diante dos números, era previsível. Mas ela também abre uma discussão muito maior dentro do futebol azulino: o problema do Remo estava realmente apenas no treinador?
A pergunta é pertinente porque Condé foi o segundo técnico contratado pelo clube para conduzir a equipe na Série A. Antes dele, a diretoria apostou no colombiano Juan Carlos Osorio, que também não conseguiu fazer o time funcionar.
Se dois treinadores diferentes fracassaram, talvez seja hora de olhar para quem fez as escolhas.
APAGAR O INCÊNDIO
Léo Condé assumiu o Remo em março, depois da saída de Osorio. Chegou com um currículo respeitável e com a missão de reorganizar uma equipe que retornava à Série A depois de 32 anos. A expectativa era que sua experiência em competições nacionais pudesse dar equilíbrio ao Leão.
Não aconteceu!
Em sua passagem pelo clube, Condé comandou 30 jogos, com oito vitórias, sete empates e 15 derrotas. O aproveitamento ficou em aproximadamente 34%. Além da campanha ruim no Brasileirão, o Remo foi eliminado da Copa do Brasil pelo Santos.
O treinador teve momentos de reação, mas nunca conseguiu dar ao time uma sequência suficientemente consistente.
E o final foi particularmente ruim.
Foram quatro derrotas consecutivas no Campeonato Brasileiro e nove jogos sem vencer. A equipe chegou à vice-lanterna, com 23 pontos, e passou a enxergar o rebaixamento cada vez mais de perto.
ENTÃO, “JÁ VAI TARDE”?
Para uma parte da torcida, sim.
Não há como defender a permanência de um treinador diante de uma sequência tão negativa, principalmente quando faltam apenas 11 rodadas para o encerramento da competição.
Condé teve tempo para trabalhar.
Teve jogadores.
Teve respaldo.
E teve oportunidades para reagir.
O Remo, porém, continuou apresentando os mesmos problemas: dificuldade para transformar oportunidades em gols, instabilidade defensiva, perda de concentração durante as partidas e, sobretudo, incapacidade de transformar atuações razoáveis em resultados. Há se não fosse “São” Marcelo Rangel, o goleiro!
Nesse sentido, a demissão chega sem surpresa.
Mas existe uma segunda pergunta.
Quem contratou Osorio e Condé?
É aqui que começa a responsabilidade da diretoria.
Juan Carlos Osorio foi uma aposta da direção para comandar o Remo em seu retorno à Série A.
Não funcionou.
A solução encontrada foi Léo Condé.
Também não funcionou.
Agora, a mesma diretoria precisa escolher o terceiro treinador para uma temporada em que o clube não pode mais errar.
E esse talvez seja o maior problema de todos.
Não existe mais tempo para testar.
O Remo precisa de um treinador capaz de produzir resultados imediatamente.
CARPINI É O PLANO A
O nome que aparece com maior força neste momento é o de Thiago Carpini.
O treinador de 42 anos está livre no mercado depois de deixar o Fortaleza e passou a ser tratado como uma das principais opções para assumir o Leão na reta final do Campeonato Brasileiro.
Carpini tem experiência recente em clubes da Série A e já trabalhou sob enorme pressão em outras equipes.
A escolha, portanto, pode fazer sentido.
Mas há uma diferença fundamental entre assumir um clube no início de uma temporada e pegar um time na vice-lanterna, faltando 11 partidas para o campeonato acabar.
Carpini não terá tempo para reformular o elenco.
Não terá tempo para ensinar uma nova filosofia de futebol durante meses.
Não terá tempo para pedir paciência.
Terá de ganhar.
O Remo ainda pode escapar?
Pode.
Mas a situação é muito difícil.
Com 23 pontos em 27 rodadas, o Remo precisa começar a pontuar imediatamente. Uma projeção recente apontou aproximadamente 59% de risco de rebaixamento para o clube.
O número assusta, mas não significa que a queda esteja determinada.
Ainda existem 11 partidas pela frente.
E algumas delas podem ser decisivas porque serão disputadas contra adversários que também brigam na parte de baixo da classificação.
Além disso, o Remo terá partidas importantes no Mangueirão, onde precisa transformar o fator torcida em pontos.
O próximo compromisso será justamente contra o Santos, em Belém.
CALENDÁRIO AINDA PERMITE REAÇÃO
A sequência restante exige atenção especial.
O Remo terá confrontos em casa e fora, mas alguns jogos terão peso de decisão direta na luta contra a queda.
Entre eles estão os duelos contra Chapecoense, em Belém, e adversários que também estão próximos da parte inferior da tabela.
O calendário completo ainda reserva partidas contra Grêmio, Red Bull Bragantino, Botafogo e São Paulo, entre outros.
Ou seja: haverá oportunidades.
Mas também haverá jogos em que perder poderá significar praticamente entregar três pontos a um concorrente direto.
A conta é simples: vencer em casa e beliscar fora
O Remo não precisa necessariamente ganhar todas as 11 partidas.
Precisa, porém, construir uma sequência de pontuação.
E isso passa obrigatoriamente pelo Mangueirão.
O estádio precisa deixar de ser apenas o palco de grandes públicos e virar uma espécie de fortaleza azulina.
O Remo precisa fazer aquilo que os clubes que escapam do rebaixamento normalmente fazem: vencer seus confrontos diretos e arrancar pontos fora de casa.
Cada empate em casa contra concorrente direto terá gosto de derrota.
Cada derrota em um confronto direto poderá custar muito caro.
A diretoria não pode errar pela terceira vez
A saída de Condé pode ser necessária.
Mas a diretoria precisa entender que demitir o treinador é apenas uma parte da solução.
Osorio foi escolhido pela direção.
Condé também.
Agora, quem escolherá o próximo comandante será novamente a direção.
Portanto, se Carpini for confirmado, a diretoria terá de dar a ele condições para trabalhar, mas também terá de assumir a responsabilidade pela montagem do elenco e pelo planejamento que levou o clube até esta situação.
Não adianta transformar cada treinador em bode expiatório.
Se o terceiro técnico também fracassar, a discussão será inevitável: o problema é realmente o treinador ou o modelo de futebol adotado pelo clube?
A HORA DA VERDADE
Léo Condé deixa o Remo com números ruins e sem conseguir entregar aquilo que dele se esperava.
Nesse sentido, a demissão é compreensível.
Mas seria perigoso para o clube comemorar a saída como se todos os problemas tivessem sido resolvidos.
Não foram.
O Remo continua na vice-lanterna.
Continua com 23 pontos.
Continua ameaçado pelo rebaixamento.
Continua com apenas 11 jogos pela frente.
E continua precisando de uma reação imediata.
A torcida pode até dizer que Léo Condé “já vai tarde”.
Mas a diretoria precisa tomar cuidado para que, daqui a algumas semanas, ninguém esteja dizendo a mesma coisa sobre mais uma escolha errada feita no comando do futebol azulino.
Porque desta vez não haverá uma quarta oportunidade.
Ou o novo treinador consegue mudar o Remo rapidamente, ou o Leão poderá passar apenas uma temporada na Série A antes de voltar para a segunda divisão.
Por ROBERTO BARBOSA e NAZARÉ SARMENTO/Imagem: Agência Remo







