O futuro de uma sociedade começa, muitas vezes, diante de um quadro-negro. Neste 15 de outubro, Dia do Professor, a homenagem aos profissionais que ensinam ganha um significado especial no Pará: reconhecer a importância de quem educa é também discutir o que ainda falta para que a escola pública ofereça oportunidades reais a todos os estudantes.
Os números dimensionam a responsabilidade. O Pará tinha 89.688 professores na educação básica em 2024, distribuídos pelas redes públicas e privadas, segundo o Anuário Brasileiro da Educação Básica. Na rede estadual, eram 15.196 docentes em 2025, atendendo a uma estrutura de 1.005 escolas. É uma força de trabalho essencial para um estado de dimensões continentais, com comunidades urbanas, rurais, ribeirinhas e indígenas que exigem soluções diferentes.
Há avanços a reconhecer. Em 2023, o Pará saltou da 26ª para a sexta posição no ranking nacional do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), resultado divulgado em 2024. O governo estadual atribuiu a melhora a medidas como valorização salarial, formação profissional e investimentos na infraestrutura escolar. O desafio agora é fazer com que os indicadores se convertam em aprendizagem consistente e duradoura, em todas as regiões.
É justamente aí que o governador eleito encontrará uma de suas principais responsabilidades. Será necessário assegurar condições adequadas de trabalho, ampliar a formação continuada, enfrentar carências de pessoal e garantir escolas estruturadas, com recursos pedagógicos e conectividade. Também será indispensável olhar para a saúde dos professores, a sobrecarga profissional e a necessidade de planejar a renovação dos quadros diante das aposentadorias.
O desafio educacional, porém, vai além de prédios, salários e estatísticas. Na era da inteligência artificial, das redes sociais e da circulação instantânea de informações, o professor não perdeu espaço: ganhou novas responsabilidades. Cabe-lhe ensinar a pensar criticamente, distinguir conhecimento de desinformação, estimular a curiosidade e formar cidadãos capazes de conviver com as diferenças.
A tecnologia pode oferecer respostas em segundos. Não substitui, entretanto, o olhar atento de quem percebe a dificuldade de um aluno, incentiva uma vocação ou mostra que aprender também significa conquistar autonomia.
Em Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa escreveu: “Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende.” A frase ilumina uma profissão que exige atualização permanente e, sobretudo, humanidade.
Neste Dia do Professor, o Pará tem motivos para celebrar os avanços, mas não pode confundir progresso com missão cumprida. O próximo governo será cobrado não apenas pelo que construir ou anunciar, mas pelo que cada criança aprenderá, cada jovem poderá sonhar e cada educador terá condições de realizar.
Por Paulo Silber/Imagem: Agência Pará de Notícias





