Estudo inédito da Brace Pharma revela a consolidação do GLP-1 no combate à obesidade; alto custo faz 65% dos pacientes abandonarem o tratamento e impulsiona busca por vias clandestinas.
Os medicamentos à base de análogos do GLP-1 — conhecidos popularmente como “canetinhas emagrecedoras” — tornaram-se a principal estratégia médica para o tratamento do sobrepeso e da obesidade no Brasil. É o que revela uma análise divulgada nesta quinta-feira (15) pela Brace Pharma, com base em levantamento realizado pelo instituto Ipsos.
De acordo com a pesquisa, que ouviu 200 médicos e 1.000 pacientes, 87% dos médicos indicam a classe terapêutica para pacientes com excesso de peso, e 15% prescrevem para o diabetes tipo 2. A aceitação é ainda mais expressiva entre endocrinologistas, cardiologistas e clínicos gerais: 95% desses especialistas apontam o GLP-1 como sua primeira escolha.
“O especialista sempre avaliou o quadro metabólico de forma ampla. A diferença é que agora dispõe de uma opção terapêutica capaz de atuar de maneira integrada sobre vários desses fatores, respeitando as necessidades de cada paciente.”
— Marcelo Neri, diretor executivo responsável pelas empresas de prescrição do Grupo EMS (Brace, Ofta e USK).
Explosão nas redes e leque de opções
Atualmente, o Brasil conta com 21 medicamentos injetáveis e orais registrados na Anvisa a partir do GLP-1 (com destaque para o Ozempic e o Mounjaro). O apelo popular refletiu-se diretamente na internet: as menções às canetas em redes sociais cresceram 86% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o semestre anterior.
O gargalo do preço e o perigo do mercado clandestino
Apesar do entusiasmo, o valor financeiro do tratamento continua sendo o principal obstáculo:
- Abandono do tratamento: Na avaliação médica, cerca de 65% dos pacientes interrompem o uso ou reduzem as doses por falta de condições financeiras. Apenas 28% das pessoas aptas mantêm o tratamento contínuo.
- Busca ilegal: O custo elevado abriu margem para um mercado paralelo alarmante. Cerca de 91,4% das menções nas redes sociais sobre o tema envolvem conversas sobre compra sem receita médica ou formas alternativas de acesso.
Riscos à saúde e ‘Efeito Sanfona’
Médicos e a Anvisa reforçam que o uso sem acompanhamento ou intermitente traz prejuízos graves. A endocrinologista Deborah Beranger adverte que parar e voltar com o remédio gera o “efeito sanfona”, no qual o reganho de peso pode ser metabolicamente mais nocivo ao corpo do que não ter perdido peso inicialmente.
Além de sintomas gastrointestinais comuns (vômitos, diarreia e constipação), o uso descontrolado ou de produtos falsificados pode provocar obstrução intestinal e lacerações no esôfago. A Anvisa lembra que a comercialização clandestina de injetáveis é crime previsto no Código Penal.
Foto: clinicabrasilgoiania





