Pesquisa publicada na Nature Medicine analisa dados de 118 países e revela maior vulnerabilidade feminina a dores em todas as partes do corpo.
As mulheres relatam sentir dores no corpo com mais frequência e em maior intensidade do que os homens. É o que revela um amplo estudo publicado na revista científica Nature Medicine, que analisou dados de 6,1 milhões de pessoas em 118 países.
A pesquisa, que reuniu informações de 902 fontes e acompanhou participantes de 5 a 100 anos, indicou uma prevalência feminina em todas as 11 regiões corporais analisadas (cabeça, face, pescoço, peito, costas, estômago, cotovelo, mão, quadril, joelho e pés).
As maiores disparidades de dor entre os sexos
De acordo com o levantamento, o público feminino apresenta 52% mais chances de sofrer com dores de alta intensidade e 50% mais probabilidade de relatar dor generalizada.
As diferenças mais expressivas por região do corpo incluem:
- Dor facial: 83% mais frequente em mulheres;
- Dor de cabeça: 74% mais comum no público feminino;
- Dor abdominal: 60% maior prevalência entre as mulheres.
O pico da dor ao longo da vida
O estudo demonstra que a percepção e a frequência da dor se alteram ao longo das décadas. A intensidade média da dor atinge seu ponto máximo por volta dos 48 anos, alcançando a marca de 5,0 nas mulheres e 4,6 nos homens (em uma escala comparativa).
Enquanto a dor de alta intensidade atinge o ápice aos 50 anos e a dor generalizada se torna mais comum por volta dos 70, a localização das dores varia conforme a faixa etária:
| Região Corporal | Idade do Pico de Intensidade |
| Abdômen | 23 anos |
| Cabeça | 34 anos |
| Face | 45 anos |
| Cotovelo | 59 anos |
| Pescoço | 62 anos |
Estilo de vida e fatores de risco
Além do sexo e da idade, hábitos diários e condições de saúde desempenham um papel decisivo. O tabagismo, a obesidade e a baixa renda respondem por 18,3% da carga global de dor, com impactos específicos no organismo:
- Tabagismo: Aumenta o relato de dores desde a adolescência até os 65 anos. O impacto mais severo ocorre na dor facial, cujo risco é 67% maior em fumantes do que em pessoas que nunca fumaram.
- Obesidade: Sobrecarrega principalmente as articulações que sustentam o peso corporal. O risco de dor é 91% maior nos pés e tornozelos, 86% maior nos joelhos e 61% maior no quadril quando comparado a indivíduos com peso dentro da faixa normal.
O impacto do IDH e da desigualdade social
A pesquisa revelou que, na juventude, os índices de dor são semelhantes em todo o mundo. No entanto, a partir dos 40 anos, a prevalência dispara nos países com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
Aos 80 anos ou mais, a ocorrência de dor em países de baixo IDH é 30,6 pontos percentuais superior à registrada em nações de alto IDH. No caso da dor lombar, a taxa chega a ser quase o dobro.
Segundo os autores do estudo, essa disparidade reflete fatores socioeconômicos estruturais, tais como:
- Elevada carga de trabalho físico e braçal;
- Falta de acesso a diagnósticos, tratamentos e reabilitação adequada;
- Prevalência de doenças infecciosas e deficiências nutricionais.
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