O obinutuzumabe (Gazya), já utilizado contra o câncer e nefrite lúpica, agora tem indicação para conter a doença fora dos rins, reduzindo crises e o uso dependente de corticoides.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova indicação para o medicamento biológico obinutuzumabe (comercializado como Gazya) no Brasil. O remédio passa a ser indicado para pacientes adultos com lúpus eritematoso sistêmico (LES) ativo, de formas moderada a grave, associado ao tratamento padrão.
O fármaco, originalmente registrado para o tratamento de leucemias e linfomas, já possuía indicação para nefrite lúpica (a inflamação renal causada pela doença). Com a decisão, o Brasil ganha mais uma alternativa para conter o avanço da doença nas manifestações que afetam articulações, pele, sangue e outros órgãos.
Como funciona e quais os principais benefícios?
Diferente de outras terapias biológicas do mercado, o obinutuzumabe atua diretamente nos linfócitos B — as células de defesa que passam a produzir autoanticorpos por engano no lúpus. O medicamento elimina essas células com maior profundidade e de forma duradoura nos tecidos.
Segundo estudo de Fase 3 publicado no New England Journal of Medicine, os principais resultados demonstraram:
- Redução das crises: Cerca de 75% dos pacientes tratados apresentaram melhora substancial da doença em um ano.
- Redução de corticoides: 80% dos pacientes que usavam altas doses de corticoide conseguiram reduzir a medicação para patamares seguros, diminuindo riscos de sequelas graves como osteoporose, hipertensão e catarata.
- Esquema de aplicação espaçado: Após quatro doses iniciais no primeiro ano, a aplicação passa a ser feita por infusão a cada seis meses.
Alertas e Limitações
Como atua reduzindo as células de defesa, o tratamento exige vigilância estrita contra infecções. É necessário realizar exames prévios para tuberculose e hepatite B, além de atualizar a carteira de vacinação antes do início das infusões. A medicação não é indicada para crianças, gestantes ou casos com comprometimento grave do sistema nervoso.
Acesso na rede privada e no SUS
Embora a aprovação libere a prescrição médica imediata, a medicação ainda não consta no rol de procedimentos obrigatórios da ANS (planos de saúde) nem na tabela do SUS. Para que o remédio chegue ao sistema público, será necessária a avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).
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