A morte do cantor Netinho, aos 59 anos, em decorrência de complicações de um linfoma não Hodgkin, trouxe novamente os holofotes para um grupo complexo de cânceres que atingem o sistema linfático parte fundamental do nosso sistema imunológico responsável por combater infecções e doenças.
O artista foi internado no Hospital Aliança Star, em Salvador, após a recidiva da doença, diagnosticada inicialmente em março de 2025. O cantor chegou a entrar em remissão ainda naquele ano, mas o tumor retornou de forma mais agressiva em maio de 2026.
O que é o Linfoma Não Hodgkin?
O sistema linfático é composto por uma vasta rede de órgãos, gânglios e vasos espalhados por todo o organismo. No linfoma não Hodgkin (LNH), os linfócitos (células de defesa) sofrem mutações e passam a se multiplicar e se espalhar desordenadamente.
Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o termo reúne um grupo heterogêneo de mais de 40 subtipos de cânceres. O comportamento da doença varia amplamente:
- Indolentes: Apresentam crescimento lento e progressão suave.
- Agressivos: Desenvolvem-se e se espalham rapidamente, exigindo intervenção médica imediata.
Embora possa afetar crianças e jovens, a incidência do linfoma não Hodgkin é mais comum em adultos e pessoas da terceira idade.
Principais Sintomas
Por estar presente em todo o corpo, o câncer linfático pode se manifestar de diversas formas. O sinal mais característico é o surgimento de ínguas ou caroços indolores no pescoço, axilas e virilha.
Outros sinais de alerta incluem:
- Febre persistente sem causa aparente;
- Sudorese noturna intensa;
- Perda de peso não intencional;
- Cansaço profundo, fadiga e fraqueza;
- Tosse, falta de ar e coceira (prurido) na pele.
Diferenças: Linfoma Não Hodgkin x Linfoma de Hodgkin
Apesar de ambos terem origem nas células do sistema linfático, tratam-se de patologias distintas. A diferenciação é feita obrigatoriamente por meio de uma biópsia de linfonodo.
| Característica | Linfoma não Hodgkin (LNH) | Linfoma de Hodgkin (LH) |
| Diversidade | Mais de 40 subtipos diferentes. | Grupo menor e mais padronizado. |
| Célula Característica | Células variadas sem padrão único. | Presença marcante das células de Reed-Sternberg. |
| Disseminação | Menos previsível; atinge órgãos fora do sistema linfático com mais frequência. | Mais previsível e contígua (passa de um grupo de gânglios para o vizinho). |
| Faixa Etária | Predomina em pessoas com mais de 60 anos. | Dois picos: jovens adultos (20-35 anos) e idosos (>60 anos). |
Como é feito o tratamento e quais as chances de cura?
De acordo com a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (ABRALE), as taxas médias de cura do linfoma não Hodgkin variam entre 60% e 70%, podendo ser maiores ou menores dependendo do subtipo e do estadiamento da doença.
As abordagens terapêuticas modernas incluem:
- Quimioterapia e Radioterapia: Protocolos tradicionais de combate às células tumorais.
- Imunoterapia e Terapias-Alvo: Medicamentos que atacam alvos moleculares específicos do tumor.
- CAR-T Cell: Tratamento inovador que reprograma geneticamente as células T do próprio paciente para combater o câncer.
- Transplante de Medula Óssea: Indicado em casos específicos ou de recidiva.
Fatores que influenciam o prognóstico
O hematologista Guilherme Duffles (Unicamp e Oncologia D’Or), coordenador do Comitê de Linfomas da ABHH, destaca que o tempo de remissão e a saúde geral do paciente definem os caminhos do tratamento:
“Pacientes que fazem o tratamento de primeira linha e apresentam uma recaída muito próxima ao término tendem a ter uma evolução mais desafiadora do que aqueles com um longo período de remissão. Além disso, pacientes jovens ou com menos comorbidades suportam tratamentos mais intensivos e de maior resposta.”
Foto reprodução: drstefanofiuza





