sexta-feira, outubro 23, 2026
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Uísque de R$ 500 mil ligado a Vorcaro coloca Lula sob novos questionamentos

Mensagens encontradas pela Polícia Federal indicam que ex-controlador do Banco Master autorizou compra de bebida rara para presentear o presidente; Lula afirmou não saber se recebeu a garrafa

Uma garrafa de uísque avaliada em aproximadamente R$ 500 mil tornou-se o centro de uma nova controvérsia envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do empresário indicam que ele autorizou a compra de uma bebida rara com a intenção declarada de presentear o presidente da República.

Os detalhes foram publicados pelo UOL ontem, quinta-feira, 22, com base em conversas atribuídas a Vorcaro. A revista Veja também divulgou informações sobre a encomenda, que teria sido organizada em outubro de 2024, período em que o banqueiro buscava ampliar sua interlocução com integrantes do governo federal.

O episódio levanta questionamentos sobre as relações entre empresários do setor financeiro e autoridades públicas, principalmente diante do elevado valor do presente e dos interesses econômicos envolvidos.

BEBIDA RARA CUSTARIA MAIS DE R$ 500 MIL

De acordo com as mensagens divulgadas, em 29 de outubro de 2024, Vorcaro pediu a um funcionário que procurasse uma garrafa do Macallan 1945, uísque escocês de edição rara. Na conversa, o empresário teria afirmado que precisava da bebida para presentear Lula.

No dia seguinte, o funcionário informou que havia encontrado uma unidade por mais de 80 mil euros, valor que correspondia a aproximadamente R$ 503 mil na cotação da época. Vorcaro teria autorizado a aquisição.

As conversas indicam que a garrafa seria enviada de Dubai para o Brasil e chegaria a São Paulo no dia 31 de outubro. A documentação divulgada, porém, não esclarece de forma independente todos os detalhes sobre a entrega efetiva ao destinatário pretendido.

Advogado relatou agradecimento atribuído a Lula

O assunto voltou a aparecer em mensagens de 22 de janeiro de 2025. Na ocasião, o advogado Walfrido Warde, que atuou para Vorcaro, teria contado ao empresário que se encontrara com Lula e que o presidente havia agradecido pelo uísque.

Segundo o conteúdo divulgado, Warde escreveu que o presidente agradecera novamente pela bebida e mandara um abraço ao banqueiro.

O relato reforçou as dúvidas sobre o destino da garrafa, mas não constitui, isoladamente, uma confirmação independente de que Lula tenha recebido o presente. A versão atribuída ao advogado e a posição apresentada pelo presidente são pontos centrais para o esclarecimento do caso.

O QUE DIZEM LULA E O PLANALTO

Questionado anteriormente sobre o assunto em entrevista ao programa Canal Livre, da Band, Lula afirmou não saber se havia recebido a bebida. O presidente declarou que, caso o presente tivesse sido entregue, provavelmente já o teria consumido.

A Presidência da República também negou anteriormente que Lula tenha recebido o uísque. Segundo a versão oficial divulgada sobre o episódio, o presidente se encontrou com Vorcaro em 4 de dezembro de 2024, no Palácio do Planalto, e orientou que eventuais questionamentos sobre o Banco Master fossem tratados tecnicamente pelas autoridades competentes.

A manifestação do governo contrasta com o relato atribuído a Warde nas mensagens. Até que surjam elementos adicionais, a compra autorizada pelo banqueiro e o efetivo recebimento pelo presidente devem ser tratados como questões distintas.

Presente milionário amplia debate sobre ética pública

A controvérsia também reacende a discussão sobre os limites de presentes oferecidos a autoridades por empresários que possuem interesses perante órgãos públicos.

Uma bebida avaliada em meio milhão de reais está muito distante dos presentes comuns e exige esclarecimentos sobre sua origem, destinação e eventual recebimento. A questão ganha relevância adicional porque o episódio envolve um empresário ligado a uma instituição financeira que esteve no centro de investigações e controvérsias.

A existência das mensagens, por si só, não comprova corrupção, tráfico de influência ou qualquer contrapartida em benefício do Banco Master. Para estabelecer eventual irregularidade, seria necessário demonstrar as circunstâncias da entrega, a relação entre o presente e os interesses empresariais e a existência de alguma conduta ilícita.

O caso, contudo, mantém em evidência a necessidade de transparência nas relações entre o poder público e o setor privado.

Fonte e imagem: Agência Ronabar

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