quinta-feira, novembro 5, 2026
Desde 1876

LITERATURA – A Arte de Envelhecer

Por Arnaldo Silva da Rosa

Se aos setenta a vida decretasse o final,

Quantos sonhos tombariam sem nascer?

Quantos gênios perderiam seu sinal,

Quantas obras morreriam sem florescer?

Há quem, aos oitenta, alcance a eternidade,

Erga impérios, mude o mundo e plante o bem;

Pois a vida não se mede pela idade,

Mas pelos sonhos que ainda guarda alguém.

Abraça a velhice sem medo da partida,

Há luz até quando o sol se vai embora;

Cada ruga é uma página vivida,

Cada instante é uma eternidade agora.

E se o tempo apagar minha juventude,

E a morte abrir as cortinas à minha frente,

Hei de amar-te para além da finitude:

O corpo envelhece, mas o amor continua ardente!

*Autor é Consultor Jurídico estadual, advogado, poeta, escritor com livros publicados, membro efetivo da Academia de Letras de Belém-PA, titular da cadeira 20

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