sexta-feira, fevereiro 27, 2026
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MPF denunciou 62 pessoas no segundo semestre de 2025 no Pará por envolvimento com o crime organizado

No Pará, o Ministério Público Federal (MPF) elaborou um balanço de suas atividades relacionadas ao combate ao crime organizado realizadas no segundo semestre de 2025. O levantamento aponta que, ao longo dos seis meses, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) ofereceu cinco denúncias criminais contra um total de 62 pessoas, além de ter prestado apoio a procuradores da República em 123 processos e emitido parecer favorável em 14 representações da Polícia Federal (PF).

Criado em novembro de 2020 e atualmente composto pelos procuradores da República Alan Rogério Mansur Silva (coordenador), Nayana Fadul da Silva e Priscila Ianzer Jardim Lucas Bermúdez, a unidade do Gaeco no Pará encerrou o ano com 21 casos ativos em fase de investigação, a maioria sob sigilo.

As cinco denúncias apresentadas no semestre englobam uma ampla gama de tipificações criminais, incluindo organização criminosa, lavagem de dinheiro, grilagem de terras, desmatamento ilegal, tráfico internacional de drogas, corrupção, fraudes em licitações e crimes contra a ordem tributária.

OPERAÇÕES QUE RESULTARAM EM DENÚNCIAS

O Gaeco destaca três operações principais que embasaram parte dessas denúncias:

• Operação Vila do Conde: resultou na denúncia de 34 pessoas por tráfico internacional, lavagem de dinheiro e organização criminosa transnacional, entre outros crimes. A investigação teve origem na apreensão de 458 kg de cocaína no porto de Vila do Conde, em Barcarena (PA), em fevereiro de 2021. Em setembro de 2025, a operação cumpriu mandados de prisão, busca e apreensão. Dada a complexidade transnacional e interestadual do caso, o Gaeco do MPF no Pará atua em conjunto com o Gaeco Nacional em 30 processos decorrentes dessa operação.

• Operação Reditus: focada no desvio de recursos públicos da área da saúde mediante a contratação de organizações sociais para a gestão de hospitais públicos no Pará, a operação foi deflagrada em agosto de 2021. O Gaeco denunciou 17 pessoas por organização criminosa, lavagem de dinheiro, peculato e fraude em licitações.

• Operação Sisaque: em sua segunda denúncia apresentada à Justiça Federal em 2025, o Gaeco acusou duas pessoas. A operação, deflagrada em fevereiro de 2023, visou desarticular uma rede de contrabando de ouro extraído de garimpos ilegais na Amazônia. Os réus respondem por usurpação de bens da União, lavagem de dinheiro e operação irregular de instituição financeira.

Atuação na temática ambiental e fundiária

Os integrantes do Gaeco destacam a forte atuação do grupo no combate a infrações ambientais conexas ao crime organizado. Das cinco denúncias oferecidas no semestre, duas possuem ligação direta com a área ambiental, associando crimes fundiários à degradação de áreas protegidas e à usurpação de bens da União.

Atualmente, a maior parte do apoio prestado pelo grupo nessa temática concentra-se na desarticulação de estruturas voltadas à extração, transporte, comercialização e lavagem de ouro ilícito. Há nove procedimentos administrativos em curso com esse foco, abrangendo diversas regiões do estado, com ênfase no Sul e Sudeste do Pará e em áreas sensíveis como as Terras Indígenas Munduruku e Kayapó.

O grupo também atua no combate a grupos dedicados à grilagem de terras públicas federais, frequentemente associados ao fomento do desmatamento (com um procedimento em andamento), e investiga fraudes em Planos de Manejo Florestal Sustentável, especificamente na Reserva Extrativista (Resex) Verde para Sempre, localizada no município de Porto de Moz (PA).

APOIO A OPERAÇÕES DA PF

Entre julho e dezembro de 2025, o Gaeco manifestou-se favoravelmente em 14 representações da Polícia Federal, viabilizando medidas cautelares como prisões, buscas e apreensões, além de sequestro e bloqueio de bens para descapitalização de grupos criminosos.

O apoio resultou na deflagração das seguintes operações no período:

• Expertise (2 de setembro de 2025): apuração de fraudes em contratações por órgãos estaduais e municipais com o uso de recursos federais do Fundeb e do Fundo Nacional de Saúde (FNS).

• Underbill (10 de setembro de 2025): investigação de um grupo empresarial por sonegação de cerca de R$ 90 milhões em tributos, além de entrada irregular de produtos estrangeiros e operações ilegais de câmbio.

• Vila do Conde (23 de setembro de 2025): focada no narcotráfico transnacional e lavagem de dinheiro.

• Eclesiastes (8 de outubro de 2025): desarticulação de rede de tráfico internacional de drogas e lavagem de capitais.

• Malik (8 de outubro de 2025): operação voltada ao combate à lavagem de dinheiro e ao contrabando.

BALANÇO E PERSPECTIVAS

“Estrategicamente, o Gaeco do MPF no Pará avalia que o semestre foi positivo, diante da robustez das denúncias apresentadas e dos resultados obtidos na recuperação de ativos ilícitos”, destaca o coordenador do grupo, o procurador da República Alan Rogério Mansur Silva.

O grupo iniciou o atendimento a seis novos pedidos de auxílio no 2º semestre do ano passado e finalizou o ano com 21 procedimentos ativos. Um relatório com o balanço detalhado dos resultados foi remetido ao Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF), às Câmaras de Coordenação e Revisão do MPF com atribuição criminal e ao Gaeco Nacional.

Fonte e imagem: MPF-PA

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