quarta-feira, abril 15, 2026
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Da América do Norte à Amazônia: Ave migratória resgatada em Belém volta à natureza

Anilhada nos EUA, a espécie passou por reabilitação no Mangal das Garças e será solta na orla da UFPA nesta sexta (17).

Uma pequena viajante que cruzou oceanos e fronteiras encontrou em Belém o fôlego necessário para não interromper sua jornada definitiva. Resgatada em março, debilitada e castigada pelas chuvas paraenses, uma ave da espécie trinta-réis-boreal (Sterna hirundo) está prestes a ganhar os céus novamente após uma recuperação intensiva no Parque Zoobotânico Mangal das Garças.

A história, que começou com um resgate por pouco não trágico, revelou-se um caso científico fascinante. Ao examinarem o animal, os técnicos encontraram uma anilha de identificação internacional. O rastreio levou a equipe até o Eastern Ecological Science Center, nos Estados Unidos, confirmando que a ave havia sido anilhada em 2023, no estado de Massachusetts.

Reabilitação e instinto de caça

A longa travessia entre o Hemisfério Norte e a América do Sul explica o desgaste físico extremo do animal. Sob os cuidados do veterinário Camilo González e da técnica ambiental Beatriz Tavares, o trinta-réis passou por quarentena, exames clínicos e testes rigorosos de resistência de voo.

Para garantir que a ave pudesse sobreviver sozinha, a equipe utilizou técnicas de enriquecimento com peixes vivos.

“Observamos que ela respondeu muito bem e voltou a se alimentar de forma eficiente, recuperando a agilidade e precisão na captura, o que é determinante para a sobrevivência”, explica Beatriz.

Rumo à liberdade na Orla da UFPA

Com todos os indicadores de saúde favoráveis, o retorno à natureza já tem data: será nesta sexta-feira (17), na orla da Universidade Federal do Pará (UFPA). O local foi escolhido estrategicamente e a ação contará com o apoio do Ibama e do laboratório BIOMACRO-Lab da universidade.

Belém na rota da biodiversidade global

Este episódio joga luz sobre um fato pouco conhecido pela população: a capital paraense é um ponto estratégico na rota de aves que cruzam o planeta. A presença de espaços como o Mangal das Garças — administrado pela Organização Social Pará 2000 em parceria com a Setur e o Governo do Estado — funciona como uma “estação de serviço” vital para a preservação da fauna silvestre em meio ao cenário urbano.

Serviço:

Funcionamento do Mangal: terça a domingo, das 8h às 18h. Fechado às segundas para manutenção. Entrada gratuita.

Entrada nos espaços monitorados (Borboletário e Memorial da Navegação) : R$ 9,00 (inteira) e R$ 4,50 (meia).

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