Percepção de risco de ser vítima da violência extrapola fronteiras nacionais e se torna empecilho para reputação do país entre estrangeiros
É raro conhecer algum brasileiro que nunca foi assaltado ou que não conheça quem já tenha passado por esse trauma. Uma arma apontada para si e depois aquele sentimento de vazio de ter um bem, que demorou meses ou anos para se comprar, ser levado em questão de segundos.
Os dados de crimes no Brasil oscilam ano a ano, com aumento de um índice e diminuição de outro, mas a sensação de insegurança permanece na maioria das cidades.
No Brasil, os números mais recentes mostram queda dos homicídios no primeiro trimestre, mas, em um recorte regional, o Rio de Janeiro, nosso maior cartão postal ao mundo, é líder em assassinatos. Foram 881 mortes registradas apenas entre janeiro e março, num total de 7.289 vítimas desse tipo de crime no país.
E essa realidade se reflete na avaliação externa do Brasil ao redor do globo. Quem nunca ouviu uma frase ou pergunta sobre a segurança aqui quando se está viajando para fora? Até mesmo em países vizinhos que também enfrentam problemas com a segurança.
Dentro do próprio Brasil, famílias definem o destino das férias com base na segurança da região escolhida – ou descartada.
Mas a verdade é que o mundo vê de forma diferente e até mais negativa ainda a segurança no Brasil do que o brasileiro, como mostra a inédita pesquisa Marca Brasil, realizada pela consultoria Onstrategy e divulgada nesta semana pela CNN Brasil.
Diversos itens, de turismo, política e segurança, foram analisados. E na avaliação externa, a segurança está por último, como o item mais baixo, atrás de: imagem e reputação; notoriedade e familiaridade; admiração e confiança; ambiente político, econômico e social; qualidade de produtos e serviços; inovação e diferenciação; educação e tecnologia; governo e liderança; beleza, valores, cultura e tradições; e exposição e relevância internacional.
O Brasil obtém 6,94 de imagem interna (entre brasileiros) e 6,34 externa (entre estrangeiros) – um gap de -0,60, que revela uma marca forte, mas com comunicação estratégica fraca.
A pesquisa detalha que a segurança aparece como barreira-travão. Estilo de vida/segurança tem o pior score externo (4,4) e funciona como teto invisível que limita todo o crescimento de imagem.
A avaliação também é medida de forma interna e externa entre as cinco regiões.
Nessa avaliação externa, o Norte, que abriga a mundialmente famosa floresta amazônica, é o que tem o menor desempenho, com 5,4. A região Sudeste, com as metrópoles Rio e São Paulo, tem o índice com melhor avaliação, de 6,2; seguido do Centro-Oeste com 6,0, Sul, com 5,9 e Nordeste com 5,8.
Já na avaliação interna, a alternância de pior índice é: Norte (5,9), Nordeste (6,4), Centro-Oeste (6,9), Sul (7.1) e Sudeste (7,2).
“É bonito, mas é perigoso?”
Os números retratam o que brasileiros que vivem no exterior percebem no cotidiano. O psicólogo José Vitor Fortini, que mora em Londres, na Inglaterra, conta que a impressão de europeus realmente é de que o Brasil não é um país seguro para visitar.
“Sempre que eu falo que sou do Brasil, tanto para ingleses quanto para amigos de outras nacionalidades, eles respondem: ‘Nossa, lá parece muito legal, com carnaval, festa, praia bonita’, e sempre perguntam sobre o Rio”, contou Fortini. “Eles dizem achar que é muito bonito, mas muito perigoso.”
O brasileiro diz que Rio e São Paulo são as principais referências geográficas que costuma ouvir de estrangeiros, além dos relatos e dúvidas sobre a segurança. “Realmente tem essa fama, isso é fato, inclusive eles sempre perguntam se, caso queiram ir para lá [Brasil], se é perigoso, se precisa ir acompanhado. Daí, explico que não é bem assim, mas realmente tem essa má fama.”
Na avaliação de delegados também ouvidos pela reportagem, o novo Código Penal Brasileiro, alterado neste começo de maio, pode ajudar a manter mais criminosos atrás das grades e dar sensação de segurança à população, principalmente com penas mais altas para estelionatos, furtos e roubos, além do latrocínio.
Pesquisa Marca Brasil na CNN
As entrevistas internacionais da pesquisa foram feitas com cidadãos do México, Argentina, EUA, Canadá, China, Japão, Índia, Emirados Árabes, África do Sul, Angola, Moçambique, Rússia, Reino Unido, Suíça, Alemanha, França, Itália, Espanha, Polônia, Holanda, Grécia, Bélgica, Portugal, Suécia, Áustria e Dinamarca.
Fundada em 2009 e sediada em Lisboa, a OnStrategy é uma consultora multidisciplinar de brand value management, focada na criação, construção e otimização do valor econômico e financeiro de negócios e marcas.
Ao longo desta semana, o portal da CNN Brasil e seus perfis nas redes sociais irão divulgar uma série de conteúdos com detalhes da pesquisa. Na TV, o CNN Prime Time, a partir das 20 horas, exibe uma série de quatro episódios temáticos que trazem os dados inéditos e os desdobramentos do estudo global até quinta-feira (14).
A cobertura especial da CNN Brasil se encerra no domingo, 17 de maio, com um programa ao vivo, de uma hora, apresentado por Iuri Pitta e Elisa Veeck. Dividida em blocos temáticos, a atração debaterá com especialistas os impactos desses achados para a economia, política, agronegócio e segurança pública.
Ilustração gerada por IA














