Publicitária paraense transformou a experiência nas redes sociais em um negócio voltado à profissionalização de influenciadores e à conexão de talentos amazônicos com grandes marcas nacionais e internacionais.
Muito antes de o mercado de influenciadores digitais se consolidar como um dos segmentos da publicidade, a paraense Layse Sinatra já transformava sua presença na internet em oportunidades com marcas nacionais. Mais de uma década depois de começar a produzir conteúdo, a publicitária está à frente da Agência Eden, em Belém, onde desenvolveu um modelo pioneiro de gestão e profissionalização de criadores de conteúdo no Norte do país.
A iniciativa nasceu da percepção de uma lacuna no mercado regional. Enquanto o número de influenciadores crescia, faltava uma estrutura especializada para preparar esses profissionais para as exigências das grandes marcas. Layse transformou essa necessidade em negócio e passou a oferecer um serviço que vai além da intermediação de campanhas, reunindo mentoria, curadoria, planejamento estratégico e suporte jurídico e contábil.
Hoje, a Eden acompanha diretamente 14 criadores de conteúdo, com uma proposta que prioriza o desenvolvimento individual, a construção de carreiras e a conexão de talentos amazônicos com o mercado publicitário nacional e internacional.
“Eu vejo a Eden como uma ponte entre as grandes marcas e os criadores de conteúdo da nossa região. Ainda existe muita desinformação e muita gente despreparada para atender às exigências do mercado. Nosso papel é ajudar a mudar essa realidade e mostrar o potencial dos profissionais que temos aqui”, explica Layse.
Da criação de conteúdo ao empreendedorismo
Em uma época marcada pela popularização dos blogs, Layse encontrou na internet uma maneira de tornar mais acessíveis informações que, até então, circulavam principalmente em revistas e outros meios tradicionais.
A iniciativa conquistou público e abriu portas para parcerias com marcas nacionais, mesmo quando o Instagram ainda tinha uma audiência relativamente pequena.
“Eu comecei a trabalhar com marcas nacionais quando tinha poucos seguidores no Instagram. Naquela época, o blog tinha uma força muito grande. Eu conseguia levar informações para pessoas que não tinham acesso àquele conteúdo e mostrar lugares do Pará que muita gente nem sabia que existiam”, relembra.
A experiência como influenciadora, somada à formação em Publicidade e à vivência profissional em agências, permitiu que Layse acompanhasse de perto as transformações do mercado digital. Foi esse conhecimento que, anos depois, ajudou a identificar uma oportunidade de negócio.
O pioneirismo da Eden
Durante a pandemia, Layse passou a coordenar ações de marcas nacionais interessadas em trabalhar com influenciadores paraenses. Na relação entre anunciantes e criadores, percebeu uma dificuldade recorrente: muitos profissionais tinham audiência e potencial de comunicação, mas não possuíam conhecimento ou estrutura para lidar com negociações, contratos, precificação e outras exigências do mercado publicitário.
“Os criadores começaram a me procurar para perguntar quanto deveriam cobrar, como negociar e lidar com questões burocráticas. Eu comecei a ajudar e percebi que existia uma lacuna muito grande nesse mercado. Foi quando decidi transformar essa orientação em um serviço de assessoria”, conta.
A partir dessa demanda, Layse estruturou na Eden um modelo de gestão de talentos voltado à profissionalização dos criadores de conteúdo da região.
Diferentemente de um modelo baseado apenas na intermediação comercial, o trabalho desenvolvido pela agência envolve acompanhamento individual, orientação de posicionamento, análise de perfil, planejamento de carreira e suporte jurídico e contábil.
A escolha por manter um grupo reduzido de agenciados faz parte da estratégia da empresa. Atualmente, são 14 influenciadores acompanhados diretamente, embora a Eden mantenha um mapeamento mais amplo de talentos do Norte.
“Não temos interesse em trabalhar com um número muito grande de influenciadores. Nosso objetivo é oferecer qualidade e acompanhamento. A gente identifica o potencial daquele criador e trabalha para que ele esteja capacitado a atender grandes marcas”, afirma.
Para Layse, uma das principais mudanças no mercado de influência está na forma como as marcas avaliam os profissionais com quem desejam trabalhar.
Embora o número de seguidores continue sendo relevante, outros critérios ganharam importância, como credibilidade, comportamento, comprometimento, capacidade de comunicação e segurança na relação comercial.
Essa visão também orienta o trabalho de curadoria realizado pela Eden. A proposta não é padronizar os influenciadores, mas identificar seus diferenciais e desenvolver as competências necessárias para que possam atuar profissionalmente sem perder a identidade que os conecta à audiência.
Talentos amazônicos no mercado nacional
Outro aspecto importante do trabalho de Layse é a aproximação entre criadores do Norte e marcas de outras regiões do país.
Entre os profissionais acompanhados pela Eden está Manga Poética, que ampliou sua visibilidade, conquistou oportunidades comerciais e chegou a participar de entrevista para a Globo.
Para a empresária, esses resultados representam também uma oportunidade de ampliar a presença da Amazônia na publicidade nacional e romper estereótipos sobre os profissionais e a população da região.
“Esse talvez seja um dos aspectos mais importantes do meu trabalho, quebrar barreiras e padrões que ainda existem sobre o povo do Norte. Somos uma população muito diversa, miscigenada, com diferentes características e formas de viver. É importante que as marcas conheçam esse potencial e entendam que temos criadores capazes de produzir conteúdos relevantes para o Brasil e para o mundo”, afirma.
A influenciadora por trás da empresária
Mesmo com a consolidação de sua atuação empresarial, Layse continua produzindo conteúdo para suas redes sociais. Hoje, porém, seu perfil pessoal também funciona como espaço de experimentação e aprendizado.
“Eu costumo dizer para os criadores que acompanho que o meu Instagram hoje é um grande laboratório. Testo funções, formatos e atualizações para entender o que funciona e poder compartilhar essa experiência com eles”, explica.
Para ela, continuar atuando como influenciadora é também uma maneira de manter contato direto com as transformações das plataformas e compreender os desafios enfrentados pelos profissionais que acompanha.
“Eu conheço as dificuldades dos criadores porque também sou influenciadora, mas entendo o que as marcas procuram porque sou publicitária e trabalho diretamente com elas. Consigo enxergar os dois lados e encontrar um equilíbrio entre essas necessidades”, resume.
Mais de uma década depois de começar sua trajetória na internet, Layse transformou a experiência como influenciadora em conhecimento aplicado à gestão de carreiras e ao empreendedorismo. À frente da Eden, seu trabalho busca contribuir para que os criadores de conteúdo do Norte sejam reconhecidos não apenas pelo alcance de suas redes sociais, mas também pela capacidade de construir negócios, gerar resultados e conquistar espaço no mercado nacional.
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