quinta-feira, julho 23, 2026
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Entre o campo e a cidade, deputado paraense busca espaço na pauta do desenvolvimento urbano e rural

À frente da Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara, Keniston Braga constrói um mandato voltado à agricultura familiar, à infraestrutura e à busca de soluções para antigos conflitos fundiários

Em regiões de fronteira econômica como o sudeste do Pará, desenvolvimento quase nunca é apenas uma questão de crescimento. É também uma disputa por espaço, infraestrutura e segurança jurídica. Enquanto bairros surgem antes da chegada dos serviços públicos e comunidades rurais buscam condições para permanecer produzindo, a política passa a ser cobrada não apenas por recursos, mas pela capacidade de construir consensos.

O deputado federal Keniston Braga (MDB-PA) teve essa percepção em seu primeiro mandato na Câmara dos Deputados. Eleito em 2022, o parlamentar alcançou, em pouco mais de três anos de atuação legislativa, um feito incomum para um estreante: assumir a presidência da Comissão de Desenvolvimento Urbano, responsável por discutir temas como habitação, saneamento básico, mobilidade, infraestrutura e regularização fundiária. A posição o colocou no centro de debates que ultrapassam as fronteiras do Pará e alcançam problemas comuns às cidades brasileiras.

A trajetória ajuda a explicar a linha adotada pelo mandato. Antes de chegar ao Congresso, Keniston participou da administração pública em Parauapebas, município que experimentou um dos mais acelerados processos de crescimento urbano da Amazônia nas últimas décadas. O resultado desse desenvolvimento é conhecido: expansão populacional, déficit habitacional, ocupações consolidadas, pressão sobre a infraestrutura e frequentes disputas relacionadas ao uso do solo.

Ao assumir a presidência da comissão, o deputado afirmou que pretende aproximar o debate nacional das necessidades concretas enfrentadas pelos municípios, defendendo políticas capazes de integrar moradia, planejamento urbano, saneamento e infraestrutura.

Essa visão tem encontrado reflexo também em sua atuação política no Estado. O episódio mais emblemático ocorreu durante as discussões envolvendo a Feira Verde, em Parauapebas, recentemente. Diante do impasse sobre a utilização da área destinada ao projeto, Keniston participou de reuniões com feirantes, agricultores familiares, lideranças locais e representantes do poder público. Ouviu reivindicações, defendeu a retomada da iniciativa e comprometeu-se a buscar uma solução negociada para preservar uma atividade que representa fonte de renda para dezenas de pequenos produtores.

Outra pauta que passou a integrar as discussões da Comissão de Desenvolvimento Urbano foi a situação da comunidade Cederes, onde centenas de famílias aguardam uma solução para a regularização fundiária. A inclusão do tema na agenda da comissão demonstra a tentativa de levar para Brasília problemas que, tradicionalmente, permaneciam restritos ao âmbito municipal.

No meio rural, a atuação segue por outra frente. Ao longo do mandato, Keniston manteve agenda constante junto a associações de agricultores familiares e produtores rurais em comunidades como Vila Onalício Barros, Vila Carimã, Vila Paulo Fonteles e na Área de Proteção Ambiental do Gelado. Nessas localidades, sua participação concentrou-se no fortalecimento das organizações comunitárias, no incentivo à infraestrutura para produção e na defesa de investimentos destinados ao desenvolvimento da agricultura familiar.

Em municípios como Parauapebas, a diversificação econômica depende, cada vez mais, da capacidade de fortalecer cadeias produtivas locais. Valorizar quem produz alimentos significa ampliar renda, estimular o abastecimento regional e reduzir a dependência de uma economia fortemente concentrada na mineração.

Dados oficiais da Câmara dos Deputados mostram que, apenas em 2026, Keniston apresentou emendas parlamentares que ultrapassam R$ 40 milhões para o Estado do Pará. Desse total, cerca de R$ 19,1 milhões foram destinados por meio de transferências especiais, conhecidas pela flexibilidade de aplicação pelos municípios. Outros R$ 12,5 milhões foram direcionados ao fortalecimento da atenção primária à saúde, R$ 5,8 milhões à assistência hospitalar e ambulatorial, além de recursos para estruturação de unidades especializadas e da rede básica de atendimento.

Na Comissão de Desenvolvimento Urbano, a pauta segue concentrada em temas considerados estruturantes: moradia, saneamento básico, mobilidade, planejamento das cidades, infraestrutura e regularização fundiária. São debates que dialogam diretamente com a realidade amazônica, onde o crescimento urbano frequentemente ocorre em velocidade superior à capacidade do poder público de organizar o território.

Fonte e imagem: Agência Pauta Parlamentar

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