quarta-feira, outubro 7, 2026
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ESPECIAL – Helder Barbalho: uma vida pública construída entre o rádio, a política e o Pará

A redação de A PROVÍNCIA DO PARÁ realiza nesta semana matérias específicas com os principais candidatos ao Senado da República. Pela ordem, a série abre com Chicão, Celso Sabino, Zequinha Marinho, Éder Mauro Barra e se encerra neste sábado, 05, com o ex-governador Helder Barbalho

Poucos personagens da política contemporânea do Pará percorreram tantos caminhos da vida pública quanto Helder Zahluth Barbalho. Vereador, deputado estadual, prefeito de Ananindeua por dois mandatos, ministro de Estado em diferentes governos, governador do Pará por dois mandatos consecutivos e, agora, candidato ao Senado da República, Helder chega à disputa eleitoral de 2026 carregando não apenas um sobrenome de enorme peso na história política paraense, mas uma trajetória construída ao longo de mais de duas décadas.

Nascido em Belém, em 18 de maio de 1979, Helder cresceu em um ambiente em que a política fazia parte do cotidiano familiar. É filho do senador, ex-governador e ex-ministro Jader Barbalho, e da deputada federal Elcione Barbalho, cuja longa trajetória parlamentar também se confunde com a história política recente do Pará. Jader, por sua vez, já havia sido vereador, deputado estadual, governador do Estado por duas vezes, senador e ministro de Estado antes de Helder iniciar a própria caminhada.

Mas seria simplista resumir a trajetória de Helder apenas ao chamado “berço político”. Se o sobrenome abriu as portas para uma convivência precoce com a vida pública, foi nas urnas, nas administrações municipais, no rádio e, mais tarde, nos grandes desafios do governo estadual e da administração federal que ele construiu uma identidade política própria.

Em 2026, depois de renunciar ao Governo do Pará dentro do prazo legal para disputar outro cargo, Helder Barbalho entrou oficialmente na corrida por uma das vagas do Pará no Senado Federal. A então vice-governadora Hana Ghassan assumiu o comando do Estado após sua saída.

A candidatura tem, inevitavelmente, um simbolismo familiar: Jader Barbalho ocupa atualmente uma cadeira no Senado e seu mandato vai até 2027. Assim, mais do que uma simples sucessão, a eleição de 2026 representa a possibilidade de continuidade da presença da família Barbalho em um dos principais espaços da política nacional.

OS PRIMEIROS PASSOS: ANANINDEUA COMO PORTA DE ENTRADA

A estreia eleitoral de Helder Barbalho ocorreu muito cedo. Em 2000, aos 21 anos, foi eleito vereador de Ananindeua, sendo o mais votado do município. Dois anos depois, conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa do Pará, novamente com votação expressiva.

Era o início de uma ascensão rápida.

A experiência no Legislativo estadual, embora curta, serviu de preparação para um desafio ainda maior. Em 2004, Helder disputou a Prefeitura de Ananindeua e venceu a eleição. Assumiu o cargo em 2005, aos 25 anos, tornando-se, à época, o prefeito mais jovem da história do Pará. Foi reeleito em 2008 e permaneceu à frente do município até o fim de 2012.

Foi em Ananindeua que sua imagem política ganhou musculatura administrativa. A experiência de comandar um dos maiores municípios do Estado o colocou definitivamente entre os principais quadros do MDB paraense e abriu caminho para voos maiores.

Além da prefeitura, Helder também presidiu a Federação das Associações dos Municípios do Estado do Pará, ampliando sua relação institucional com gestores de diferentes regiões e fortalecendo uma característica que se tornaria constante em sua vida política: a circulação pelo interior.

O RÁDIO E A VOZ DIRETA COM O POVO

Antes e paralelamente à consolidação da carreira política, Helder Barbalho também construiu uma relação estreita com a comunicação.

Sua passagem pela tradicional Rádio Clube do Pará, a histórica PRC-5, é lembrada como uma das experiências que ajudaram a moldar seu estilo de comunicação pública. No rádio, aprendeu a falar diretamente com o ouvinte, a improvisar, a ouvir demandas e a transformar a linguagem institucional em conversa popular.

Em um Estado de dimensões continentais, onde durante décadas o rádio foi — e continua sendo — um dos principais instrumentos de comunicação entre a capital e o interior, essa experiência teve peso importante na formação de sua identidade pública.

A presença nos microfones ajudou a consolidar uma característica que o acompanharia nas campanhas e no exercício dos cargos públicos: a comunicação direta, a valorização do contato pessoal e a busca por interlocução com diferentes públicos.

Mais tarde, já como governador, Helder ampliaria essa estratégia para os meios digitais, mas a escola inicial da comunicação política estava no rádio.

Para uma geração inteira de paraenses, a Rádio Clube do Pará não era apenas uma emissora. Era parte da própria vida cotidiana do Estado. E a passagem de Helder por esse universo integra uma fase profissional que antecede a dimensão nacional que sua carreira política alcançaria posteriormente.

DE ANANINDEUA PARA BRASÍLIA

Depois de concluir os dois mandatos como prefeito, Helder passou a ocupar espaços cada vez mais importantes na política nacional.

Em 2014, disputou pela primeira vez o Governo do Pará, chegando ao segundo turno, mas foi derrotado pelo então governador Simão Jatene, candidato à reeleição.

A derrota, porém, não significou recuo.

Pouco tempo depois, Helder Barbalho chegou ao primeiro escalão do governo federal. Exerceu o cargo de ministro da Pesca e Aquicultura e também comandou a Secretaria de Portos durante o governo Dilma Rousseff. Posteriormente, no governo Michel Temer, assumiu o Ministério da Integração Nacional.

A passagem por Brasília ampliou sua experiência administrativa e lhe deu contato direto com políticas públicas de alcance nacional, especialmente nas áreas de infraestrutura, desenvolvimento regional, logística e integração.

Para um político oriundo da Amazônia, o Ministério da Integração Nacional representava, simbolicamente, uma posição estratégica. Era a oportunidade de levar para o centro das decisões federais debates que fazem parte da realidade cotidiana do Norte: infraestrutura, desenvolvimento regional, rios, portos, estradas, energia e redução das desigualdades.

A CHEGADA AO PALÁCIO DOS DESPACHOS

A segunda tentativa de chegar ao Governo do Pará, em 2018, foi bem-sucedida.

Helder Barbalho venceu a eleição e assumiu o comando do Estado em janeiro de 2019. Quatro anos depois, em 2022, alcançou uma das vitórias mais expressivas da história eleitoral paraense ao ser reeleito ainda no primeiro turno, com mais de 70% dos votos válidos.

A reeleição consolidou Helder como uma das principais lideranças políticas da Região Norte.

Durante os anos no Governo do Pará, sua gestão enfrentou desafios de enorme dimensão, entre eles a pandemia da Covid-19, questões ligadas à segurança pública, infraestrutura, saúde, educação e, especialmente, o debate internacional sobre a Amazônia e as mudanças climáticas.

O Pará passou a ocupar espaço cada vez maior nas discussões nacionais e internacionais relacionadas ao meio ambiente, desenvolvimento sustentável e à preservação da Amazônia.

Ao mesmo tempo, a preparação de Belém para receber a COP30 colocou o Estado definitivamente no centro da agenda mundial.

Helder deixou o governo em 2026 para disputar o Senado, após dois mandatos consecutivos no comando do Executivo estadual.

UMA VIDA POLÍTICA CONSTRUÍDA NAS ESTRADAS E NOS RIOS

Se existe uma marca recorrente na trajetória de Helder Barbalho, é a intensa presença nos municípios.

O político construiu grande parte de sua carreira percorrendo cidades, distritos, comunidades rurais, regiões ribeirinhas e áreas urbanas. Em um Estado com mais de 140 municípios e dimensões superiores às de muitos países, fazer política no Pará significa enfrentar longas distâncias.

Estradas, rios, aeronaves e deslocamentos constantes passaram a fazer parte da rotina.

Essa característica também ajudou a consolidar uma das principais bases políticas de Helder: a relação com prefeitos, lideranças municipais e representantes de diferentes regiões do Estado.

Sua passagem pela Prefeitura de Ananindeua e, posteriormente, pelo Governo do Pará, permitiu-lhe conhecer de perto a realidade administrativa dos municípios — experiência que agora deve ser utilizada como um dos argumentos de sua candidatura ao Senado.

A FAMÍLIA E A VIDA PESSOAL

Fora dos palanques, Helder Barbalho mantém uma vida familiar que também acompanha sua trajetória pública. É casado com a advogada Daniela Barbalho e pai de três filhos.

A família Barbalho, naturalmente, está entre as mais conhecidas e influentes da política paraense.

Seu pai, Jader Barbalho, possui uma extensa trajetória pública. Foi vereador, deputado estadual, governador do Pará por duas vezes, ministro de Estado e senador. Atualmente exerce mandato no Senado, com término previsto para 2027.

Sua mãe, Elcione Barbalho, é deputada federal e acumula uma longa carreira parlamentar, com diversos mandatos na Câmara dos Deputados.

Helder, portanto, pertence à segunda geração de uma família que se tornou protagonista da política paraense.

Mas, ao longo dos anos, construiu também seu próprio capital eleitoral.

AGORA, O SENADO

A eleição de 2026 representa uma nova mudança de patamar.

Depois de passar pela Câmara Municipal, Assembleia Legislativa, Prefeitura de Ananindeua, ministérios e Governo do Estado, Helder Barbalho tenta agora chegar ao Senado Federal.

A disputa ocorre em um momento de grande movimentação política no Pará, com a renovação das duas cadeiras do Estado no Senado.

A candidatura de Helder representa, ao mesmo tempo, continuidade e transformação.

Continuidade porque mantém viva uma tradição familiar de décadas na política paraense.

Transformação porque o ex-governador tenta levar para o Legislativo federal uma trajetória construída principalmente no Executivo.

Se vencer, Helder levará ao Senado a experiência de quem administrou município, ocupou ministérios e comandou um dos maiores Estados do país.

DO MICROFONE À TRIBUNA

A história de Helder Barbalho pode ser contada como uma sucessão de mudanças de cenário.

Do microfone da Rádio Clube do Pará, a PRC-5, às tribunas políticas.

Da Câmara Municipal de Ananindeua à Assembleia Legislativa.

Da prefeitura de um dos maiores municípios do Estado aos ministérios em Brasília.

E, finalmente, do Palácio dos Despachos à disputa por uma cadeira no Senado.

Sua trajetória também acompanha as transformações da própria política paraense nas últimas duas décadas.

Aos 47 anos, Helder chega à eleição de 2026 com uma extensa experiência acumulada e uma carreira que começou muito antes da chegada ao Governo do Estado.

Se a candidatura ao Senado for vitoriosa, será mais um capítulo de uma história que começou em Ananindeua, ganhou projeção em Brasília, alcançou o comando do Pará e agora busca espaço na Câmara Alta do Congresso Nacional.

Mais do que o filho de Jader Barbalho e Elcione Barbalho, Helder construiu uma trajetória própria dentro da política brasileira.

E é essa trajetória — feita de rádio, eleições, derrotas, vitórias, administrações municipais, ministérios e dois mandatos como governador — que ele leva agora para a mais nova disputa de sua vida pública: a corrida por uma cadeira no Senado da República.

Helder Barbalho, portanto, tenta transformar mais uma vez a experiência acumulada em um novo mandato. Do rádio para a política, da política municipal para o cenário nacional e do Governo do Pará para o Senado, sua história continua em movimento.

*Esta série de reportagens do Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ com os candidatos ao Senado da República foi organizada e editada pelo jornalista e editor ROBERTO BARBOSA com supervisão do CEO do Grupo Marajoara de Comunicação, Carlos Santos e da diretora-administrativa do portal, Dona Aline Santos/Fotos: Reprodução

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