quarta-feira, outubro 7, 2026
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Belém vive um “boom” imobiliário, e Umarizal tem o 2º metro quadrado mais caro entre os bairros das capitais do Norte

Capital paraense ocupa a 20ª posição entre 56 cidades pesquisadas. Umarizal já tem metro quadrado de R$ 14,7 mil. Alta dos preços supera inflação e revela uma cidade onde localização virou artigo de luxo.

Belém está ficando mais cara e o mercado imobiliário é um dos lugares onde isso aparece com maior nitidez. A capital paraense ocupa hoje a 20ª posição entre as 56 cidades acompanhadas pelo Índice FipeZAP, com preço médio de R$ 8.830 por metro quadrado. No ranking exclusivo das capitais, a cidade aparece na 10ª colocação.

O salto fica mais claro quando se olha para trás. Em dezembro de 2022, o metro quadrado residencial em Belém custava, em média, R$ 6.223. Em setembro deste ano, chegou a R$ 8.830: uma alta nominal de aproximadamente 42% em menos de quatro anos. Só em 2025, a valorização foi de 11,75% e, nos 12 meses encerrados em fevereiro de 2026, chegou a 14,32%.

Não se trata apenas de acompanhar a inflação. Em 2024, por exemplo, o preço dos imóveis em Belém subiu 9,90%, contra 4,64% de inflação. Em 2025, avançou novamente muito acima do IPCA. O resultado é que uma cidade que durante anos esteve distante dos mercados imobiliários mais caros do país passou a frequentar uma faixa de preços mais próxima das capitais do Sul, Sudeste e Nordeste.

O endereço que melhor simboliza essa transformação é o Umarizal. Levantamento da Brain Inteligência Estratégica enviado à Forbes Brasil coloca o bairro em R$ 14.721 por metro quadrado, o segundo mais caro entre os bairros das capitais do Norte, atrás apenas de Graciosa, em Palmas, com R$ 15.560. Belém ainda aparece com Cremação, Nazaré, Reduto e São Brás acima de R$ 13 mil.

Há, porém, uma diferença importante entre os levantamentos. O FipeZAP, baseado em anúncios residenciais, apontava em maio R$ 11.125/m² para o Umarizal A Brain chega a R$ 14.721 porque utiliza outra base e metodologia. O número exato muda conforme a régua, mas a conclusão permanece: Umarizal é o endereço mais caro de Belém e está entre os mais valorizados da Amazônia.

E não é apenas o bairro tradicionalmente nobre que sobe. Em maio, o Marco teve valorização de 27,2% em 12 meses, a maior entre as áreas acompanhadas pelo FipeZAP, enquanto o Reduto avançou 21,2%. A valorização, portanto, começa a se espalhar pelo mapa da cidade.

Uma explicação está na combinação de demanda e escassez. “São raros os terrenos bem localizados para novos empreendimentos”, afirmou Fabrício de Menezes, sócio-fundador da Broker, entrevistado pelo Metro Quadrado.

Segundo ele, a procura cresceu no pós-pandemia e os preços passaram a subir também nos prédios antigos bem localizados. A economista Paula Reis, do Grupo OLX, apontou outro fator: a preferência por áreas com melhor infraestrutura e maior oferta de serviços.

O fenômeno ganhou força no ciclo da COP30, mas não nasceu com ela. Belém já vinha subindo no ranking antes do evento climático. No aluguel, chegou a ultrapassar São Paulo em determinado momento e hoje aparece com um dos valores mais altos do país.

A mudança também chegou ao alto padrão. Em entrevista recente à Exame, Felipe Couceiro, sócio e diretor do Grupo Quadra, muito atuante em Belém, resumiu a transformação com uma comparação eloquente: entre 2019 e 2020, a empresa trabalhava com imóveis de R$ 6 mil a R$ 7 mil por metro quadrado; hoje há empreendimentos acima de R$ 20 mil.

Belém, enfim, entrou no mapa nacional dos imóveis caros. O detalhe é que, enquanto a cidade sobe no ranking, o salário do comprador não está subindo nem de elevador.

Por Paulo Silber/Imagem: Reprodução (Cidade091)

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