sábado, novembro 7, 2026
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Fenômeno Super El Niño: mais calor, seca e queimadas no Pará

Fenômeno alcança intensidade excepcional no Pacífico e pode superar registros históricos. No Estado, previsão indica temperaturas até 3°C acima da média, menos chuvas e maior risco de fogo em novembro e dezembro

O Pará entra em um período de atenção climática com o fortalecimento do El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. A atualização divulgada nesta sexta-feira (6) pela MetSul Meteorologia aponta que o episódio de 2026 alcançou intensidade excepcional e pode estabelecer novos recordes históricos.

Segundo os dados mais recentes da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA), a temperatura das águas na região Niño 3.4 está 3,4°C acima da média histórica. É a maior anomalia registrada até agora neste episódio, superando em 0,4°C o pico do El Niño de 2015. As projeções indicam que o aquecimento poderá se aproximar de 4°C em dezembro.

O cenário preocupa particularmente a Amazônia. O quinto boletim do Painel El Niño 2026-2027, elaborado por instituições como INPE, INMET, Cemaden e ANA, prevê chuvas abaixo da média em grande parte da Região Norte entre novembro e janeiro. As temperaturas também devem permanecer superiores aos padrões históricos em praticamente todo o território nacional.

No Pará, a previsão é ainda mais preocupante: em parte do Estado, as temperaturas podem ficar entre 2°C e 3°C acima da média. O calor persistente, associado à redução das precipitações, favorece o ressecamento da vegetação, aumenta a demanda por água e cria condições para a propagação de incêndios florestais.

FOGO E PRESSÃO

Os sinais de alerta já aparecem. Em outubro, o Pará registrou 4.397 focos de queimadas nos primeiros 12 dias do mês, segundo levantamento divulgado pelo UOL com dados de monitoramento por satélite. Foram aproximadamente 2,2 mil registros apenas entre os dias 9 e 12. A estiagem associada ao fenômeno aumenta a vulnerabilidade da floresta, embora o fogo tenha origem principalmente em ações humanas.

O Cemaden também colocou municípios paraenses em áreas de Alerta Alto para risco de fogo no prognóstico de novembro a janeiro. Na Amazônia Legal, foram registrados 12.659 eventos de fogo em setembro e outros 11.662 até 23 de outubro.

Os efeitos podem ultrapassar o ambiente florestal. A diminuição das chuvas compromete a disponibilidade de água, pode prejudicar a agricultura familiar, reduzir a oferta de pastagens para o gado e dificultar o abastecimento de comunidades que dependem de rios e igarapés.

ATÉ MARÇO

A previsão não significa que todos os municípios paraenses enfrentarão a mesma situação. A distribuição das chuvas é irregular e os impactos dependem também das condições locais. O El Niño deve persistir pelo menos até o primeiro trimestre de 2027, mantendo o alerta para o período.

O Pará conhece a força da natureza amazônica. Mas, desta vez, o perigo não está apenas na chuva que pode deixar de cair. Está também no calor que não dá trégua, na floresta que perde umidade e no fogo que encontra terreno cada vez mais vulnerável.

Quando a Amazônia seca, não é apenas a floresta que sente. É o futuro de quem vive dela que entra em risco.

Por Paulo Silber (Cidade 091)/Imagem: Agência Pará de Notícias

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