domingo, fevereiro 1, 2026
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Fevereiro Laranja: entenda por que doar medula óssea salva vidas

Campanha alerta para sinais do câncer no sangue, defende o diagnóstico rápido e incentiva o cadastro de doadores de medula, gesto simples que pode salvar muitas vidas

Brazil Health

Fevereiro Laranja é dedicado à conscientização sobre a leucemia e à doação de medula óssea. Informar a população é essencial para reconhecer sinais precoces da doença, buscar atendimento médico rapidamente e ampliar o número de doadores, um passo decisivo para salvar vidas.

O que é a leucemia?

leucemia é um câncer que afeta o sangue e a medula óssea, local onde são produzidas as células sanguíneas. Ela ocorre quando células doentes passam a se multiplicar de forma descontrolada, substituindo as células normais e prejudicando funções vitais do organismo.

As leucemias são classificadas conforme a rapidez de evolução (agudas ou crônicas) e o tipo de célula afetada (linfoide ou mieloide).

Principais tipos de leucemia, exames e tratamento

Leucemias agudas (evolução rápida):

Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA). É mais comum em crianças, mas também ocorre em adultos.

  • Exames confirmatórios: hemograma alterado, exame da medula óssea (mielograma), imunofenotipagem e testes genéticos.
  • Prognóstico: atualmente, muitos pacientes podem ser curados, especialmente com diagnóstico precoce.
  • Tratamento: quimioterapia intensiva, terapias-alvo em alguns subtipos e, em situações específicas de alto risco ou recaída, transplante de medula óssea.

Leucemia Mieloide Aguda (LMA). É mais frequente em adultos e costuma evoluir de forma agressiva.

  • Exames confirmatórios: hemograma, mielograma, imunofenotipagem e testes genéticos, que ajudam a definir o risco da doença.
  • Prognóstico: variável, dependendo das alterações genéticas e da resposta ao tratamento inicial.
  • Tratamento: quimioterapia, terapias-alvo quando indicadas e, em muitos casos de maior risco, transplante de medula óssea após a remissão da doença.

Leucemias crônicas (evolução lenta)

Leucemia Linfocítica Crônica (LLC). Geralmente afeta pessoas mais idosas e pode permanecer estável por muitos anos.

  • Exames confirmatórios: hemograma, imunofenotipagem do sangue e exames genéticos em situações específicas.
  • Prognóstico: na maioria dos casos, muito favorável, com controle prolongado da doença.
  • Tratamento: muitas vezes, não é necessário tratar imediatamente. Quando indicado, utilizam-se medicamentos modernos, como terapias-alvo e imunoterapia.
  • Transplante de medula óssea: hoje é uma exceção absoluta, reservado apenas a casos raríssimos e muito selecionados.

Leucemia Mieloide Crônica (LMC). Caracteriza-se por uma alteração genética específica.

  • Exames confirmatórios: hemograma e testes moleculares que identificam a alteração genética característica da doença.
  • Prognóstico: excelente na grande maioria dos pacientes.
  • Tratamento: medicamentos orais altamente eficazes, que controlam a doença por muitos anos.
  • Transplante de medula óssea: atualmente é extremamente raro, indicado apenas em situações excepcionais de falha às terapias disponíveis.

Quando o transplante de medula óssea é necessário?

transplante de medula óssea é indicado principalmente em algumas leucemias agudas, especialmente quando:

  • A doença é de alto risco
  • Não há boa resposta à quimioterapia
  • Ocorrem recaídas

Antes do transplante, o paciente geralmente passa por quimioterapia, terapias-alvo ou imunoterapia para controlar a doença e reduzir a quantidade de células doentes.

Doação de medula óssea: um gesto que salva vidas

A medula óssea não é a medula da coluna. Ela é responsável pela produção das células do sangue. A doação, na maioria das vezes, é feita pela coleta de células no sangue, de forma segura e semelhante à doação de sangue comum.

O maior desafio é a compatibilidade genética, que é rara. Por isso, cada novo doador cadastrado aumenta as chances de um paciente encontrar um doador compatível.

Fevereiro Laranja: informação e solidariedade

O Fevereiro Laranja reforça a importância da informação correta, combate mitos sobre a doação e incentiva atitudes solidárias. O diagnóstico precoce e o acesso ao tratamento adequado transformaram a leucemia em uma doença cada vez mais tratável e, em muitos casos, curável.

Informar-se, compartilhar conhecimento e considerar o cadastro como doador são atitudes simples que podem salvar vidas.

*Texto escrito pelo médico hematologista Nelson Hamerschlak, do Einstein Hospital Israelita e coordenador do Comitê Científico da Abrale (Associação Brasileira de Linfomas e Leucemias)

Chayaporn Yemjuntuek/GettyImages

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