domingo, janeiro 11, 2026
Desde 1876

Irmã Henriqueta: Pará perde uma de suas maiores defensoras dos direitos humanos em trágico acidente

O Pará está em luto pela morte de Ir. Marie Henriqueta Ferreira Cavalcante, conhecida simplesmente como Irmã Henriqueta, uma das mais influentes figuras na defesa dos direitos humanos no Estado e na Amazônia. A religiosa faleceu na tarde de ontem, sábado, 10, aos 64 anos, após um grave acidente de trânsito na rodovia BR-230 (Transamazônica), em Campina Grande, no Estado da Paraíba.

Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o veículo em que Irmã Henriqueta estava capotou por volta das 17h30, no km 135,8, enquanto seguia de Campina Grande para João Pessoa. Outras três pessoas que viajavam no automóvel ficaram feridas e foram socorridas ao Hospital de Trauma de Campina Grande, com lesões graves.

O corpo da freira será trasladado para Belém, onde será velado, e posteriormente levado ao município de Soure, no arquipélago do Marajó, para sepultamento — ainda sem horários oficiais definidos.

Uma vida dedicada à justiça e à proteção dos mais vulneráveis

Naturalmente conhecida por sua luta incansável contra a violência sexual, o tráfico de pessoas, o trabalho escravo infantil e outras formas de violação de direitos, Irmã Henriqueta se tornou um ícone da resistência e da proteção das crianças, adolescentes, mulheres e grupos vulneráveis no Pará e em todo o Brasil.

Presidente do Instituto de Direitos Humanos Dom José Luiz Azcona, entidade que coordena ações de proteção aos mais fragilizados, ela trabalhou ao lado do bispo emérito do Marajó, Dom José Azcona, morto em 2024, consolidando uma atuação que se estendeu por décadas no arquipélago e em comunidades ribeirinhas.

Sua trajetória também foi reconhecida com importantes premiações, incluindo o “Mulheres Inspiradoras do Ano – Edição Amazônia”, em novembro de 2025, que homenageou sua dedicação e coragem na defesa dos direitos humanos.

Repercussão e homenagens

A morte de Irmã Henriqueta provocou ampla comoção no Pará e em todo o país. O governador do estado, Helder Barbalho, decretou luto oficial de três dias, lembrando sua atuação como “uma das maiores referências na defesa dos direitos de crianças e adolescentes do Pará”.

A Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) e o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) também emitiram notas de pesar, destacando o legado de compromisso, coragem e amor ao próximo deixado pela religiosa.

Nas redes sociais, a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, ressaltou que Irmã Henriqueta dedicou sua vida à promoção de justiça, dignidade e proteção das infâncias e adolescências na Amazônia, influenciando políticas públicas e a construção de redes de cuidado.

A atriz Dira Paes, que interpretou um personagem inspirado na religiosa no filme Manas, publicou mensagem emocionada, descrevendo-a como “uma heroína brasileira, cuja presença tocava profundamente aqueles ao seu redor”.

Legado que permanece vivo

Mais do que uma defensora dos direitos, Irmã Henriqueta se tornou símbolo da luta por justiça no Pará e na região Amazônica. Sua vida foi marcada pela coragem em enfrentar ameaças e desafios, inclusive sob proteção do Programa de Proteção a Defensores de Direitos Humanos, que acompanhou sua segurança por mais de uma década devido às adversidades enfrentadas em sua missão.

O Pará perde hoje uma de suas vozes mais firmes em defesa da dignidade humana — e sua história continuará inspirando ativistas, instituições e comunidades a seguir na luta por um mundo mais justo e igualitário.

Da Redação do Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ/Imagem: Reprodução: Uol

banner 300x100

artigos relacionados

PERMANEÇA CONECTADO

50,319FansLike
3,555FollowersFollow
22,800SubscribersSubscribe
banner 320x320
volta as aulas - 320x320px

Mais recentes