quinta-feira, junho 4, 2026
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Ministro da Agricultura defende aproximação com o agro e destaca novo escritório da Embrapa em São Paulo

André de Paula participou de encontro na Associação Comercial de São Paulo, anunciou perspectivas para o Plano Safra 2026/27 e ressaltou o papel estratégico da Embrapa na inovação e competitividade do setor

Por Sandra Jassa 03/06/2026


O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, reforçou nesta terça-feira (2) a necessidade de estreitar o diálogo entre o governo federal e o setor produtivo durante encontro realizado na Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Em uma ampla exposição sobre os desafios e perspectivas do agronegócio brasileiro, o ministro abordou temas centrais para o setor, como o novo Plano Safra, crédito rural, seguro agrícola, fertilizantes, abertura de mercados internacionais e investimentos em pesquisa e inovação.


No mesmo dia, o ministro participou da inauguração do novo escritório da Embrapa na capital paulista, uma iniciativa considerada estratégica para aproximar a pesquisa agropecuária dos principais centros de investimento, tecnologia e negócios do país.


Instalado na sede da Superintendência Federal de Agricultura e Pecuária em São Paulo, na região da Bela Vista, o novo espaço permitirá à Embrapa ampliar sua atuação junto a empresas, startups, fundos de investimento, universidades e organizações ligadas à inovação. A cerimônia contou ainda com a presença da presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, do superintendente federal de Agricultura em São Paulo, Estanislau Steck, e de representantes do setor privado.
Durante o evento, também foi firmado um acordo de cooperação técnica entre a Embrapa e o Carrefour Brasil para qualificação de produtores e fornecedores, especialmente das cadeias de frutas, legumes e verduras, com foco em rastreabilidade, segurança alimentar e sustentabilidade.


Segundo André de Paula, a presença permanente da Embrapa em São Paulo representa um passo importante para transformar conhecimento científico em oportunidades de negócios e acelerar a chegada de novas tecnologias ao mercado.
“O agronegócio brasileiro precisa estar cada vez mais conectado aos ambientes de inovação, investimentos e empreendedorismo. São Paulo reúne essas condições e fortalece a capacidade da Embrapa de gerar parcerias e ampliar sua presença estratégica”, afirmou.
Plano Safra e juros preocupam o setor.

Durante sua participação na ACSP, o ministro destacou que uma das principais preocupações do governo neste momento é a construção do próximo Plano Safra, previsto para ser anunciado em julho.
A expectativa é que os recursos disponibilizados ao setor superem os R$ 516 bilhões liberados na safra anterior, podendo alcançar cerca de R$ 550 bilhões. No entanto, André de Paula ressaltou que o grande desafio não é apenas ampliar o volume de recursos, mas garantir condições de financiamento compatíveis com a realidade dos produtores rurais.
“O produtor precisa de crédito que caiba no bolso. Tão importante quanto o volume de recursos é conseguir oferecer taxas de juros mais acessíveis”, afirmou.
O ministro lembrou que o governo trabalha para viabilizar linhas com juros de um dígito, considerado um dos principais pleitos do setor diante do atual cenário econômico.
Endividamento, seguro rural e fertilizantes estão entre os desafios
Ao analisar o momento vivido pelo agronegócio brasileiro, André de Paula reconheceu que o setor enfrenta uma combinação de desafios que incluem elevado endividamento dos produtores, necessidade de ampliação do seguro rural e maior segurança na oferta de fertilizantes.
Segundo ele, os conflitos internacionais e as instabilidades geopolíticas têm impacto direto nos custos de produção, especialmente nos preços dos fertilizantes e combustíveis.
Para reduzir a dependência externa, o governo vem trabalhando na reativação de fábricas nacionais de fertilizantes. O ministro destacou a retomada das operações de unidades na Bahia, Paraná e Sergipe, além da expectativa de entrada em funcionamento da fábrica de Mato Grosso do Sul.


Atualmente, o Brasil importa cerca de 91% dos fertilizantes que consome. Com a retomada dessas unidades, a produção nacional poderá atender aproximadamente 35% da demanda interna.


Relação entre governo e agro


Em seu discurso, André de Paula enfatizou que a aproximação entre governo e setor produtivo é fundamental para enfrentar os desafios do agronegócio.
O ministro destacou que tem buscado diálogo constante com entidades representativas, cooperativas, lideranças políticas e parlamentares ligados ao setor, incluindo a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).
“Os desafios do agro só serão enfrentados com eficiência se governo e setor produtivo estiverem trabalhando lado a lado. Ouvir o produtor é essencial para construir soluções”, afirmou.

Abertura de mercados e reconhecimento internacional
Outro destaque apresentado pelo ministro foi o avanço da diplomacia agropecuária brasileira. Segundo ele, o país já alcançou a marca de 616 novos mercados abertos para produtos agropecuários brasileiros e a meta é atingir 700 mercados até o final do governo.
André de Paula também comemorou o reconhecimento da China ao Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, medida considerada estratégica para ampliar as oportunidades de exportação da carne bovina brasileira.


O ministro ressaltou ainda que a abertura de novos mercados tem sido uma das principais ferramentas para ampliar a competitividade do agronegócio nacional e reduzir a dependência de poucos destinos comerciais.
Investimentos reforçam papel estratégico da Embrapa
Ao abordar a pesquisa agropecuária, André de Paula destacou o fortalecimento da Embrapa como uma das prioridades do governo federal.


Segundo ele, os investimentos em pesquisa foram ampliados nos últimos anos, houve a retomada de concursos públicos após 15 anos sem contratações e a empresa passou a integrar novamente os projetos contemplados pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).


A expectativa é que mais de mil novos profissionais sejam incorporados aos quadros da instituição, reforçando a capacidade de pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico.


“O futuro do agronegócio brasileiro passa pela ciência, pela inovação e pela capacidade de transformar conhecimento em produtividade e sustentabilidade. A Embrapa continuará sendo uma das principais responsáveis por essa transformação”, concluiu.
Com a inauguração do novo escritório em São Paulo e a aproximação entre pesquisa, mercado e setor produtivo, a expectativa é que a Embrapa amplie sua atuação na geração de negócios, atração de investimentos e desenvolvimento de tecnologias voltadas para os desafios da agricultura do futuro.

Foto: Beatriz Batalha/Mapa – Ministro da Agricultura e Pecuária André de Paula

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