Com apoio da literatura amazônica e foco na recomposição escolar, iniciativa da Seduc encerra semestre com o lançamento de revistas autorais e relatos emocionantes de mães e tias.
A Secretaria de Estado de Educação (Seduc) encerrou, nesta segunda-feira (29), as atividades do primeiro semestre do Projeto de Letramento Infantil. As programações de culminância movimentaram as Usinas da Paz da Região Metropolitana de Belém, reunindo estudantes, familiares e educadores para celebrar e apresentar os avanços práticos alcançados pelas crianças nas áreas de alfabetização, leitura e escrita.
O circuito de apresentações ocorreu de forma simultânea nas Usisinas da Paz da Terra Firme, Icoaraci/Outeiro, Icuí, Guamá, Benguí, Jurunas/Condor e Cabanagem. Durante os eventos, os pequenos deram um show de protagonismo por meio de leituras públicas, declamações de poemas, dramatizações teatrais e exposições de painéis textuais criados em sala de aula.
Revistas Autorais e Identidade Amazônica
Um dos grandes destaques da programação foi o lançamento de revistas exclusivas produzidas em conjunto por alunos e professores de cada unidade. As publicações reúnem textos originais, fotografias, desenhos e registros que documentam o percurso pedagógico do semestre, funcionando como um forte estímulo à autoestima dos novos leitores.
O projeto foi estruturado pela Seduc para atuar diretamente na recomposição da aprendizagem de crianças que apresentavam defasagens escolares — um cenário global que acabou intensificado após o período da pandemia. Para reverter esse quadro, a iniciativa aposta em diferenciais pedagógicos inovadores:
- Metodologias Ativas: O aluno é o centro do processo de aprendizagem;
- Material Customizado: Conteúdos produzidos pelos próprios educadores com foco na dificuldade específica de cada estudante;
- Literatura Regional: Uso de obras com temáticas amazônicas para criar conexão cultural e afetiva com a leitura.
A especialista em Educação da Seduc, Ione Alves, lembra que o projeto identificou casos urgentes na rede de ensino. “Percebemos que muitos alunos chegaram ao sexto e ao sétimo ano ainda precisando ser alfabetizados. Foi nesse momento que estruturamos as turmas. Hoje acompanhamos estudantes que conseguem ler textos completos e demonstram uma evolução significativa”, explica, revelando o desejo de expandir a ação para todas as Usinas da Paz do Estado.
Histórias de Superação e Orgulho Familiar
Os resultados do projeto ganham rostos e vozes nos depoimentos de quem vive a transformação no dia a dia. Aos 8 anos, o pequeno Samuel Moraes Ferreira Bandeira orgulhou-se de ler em público o livro Pororoca, pertencente à coleção Amazônia Encantada – Lendo Desmitos. “Foi a primeira vez que li uma lenda amazônica. Gostei muito porque é uma história muito legal. Também gosto de vir para as aulas e ler com meus colegas”, contou animado.
Para as famílias de baixa renda, a iniciativa preenche uma lacuna que o orçamento doméstico muitas vezes não consegue cobrir. É o que relata Maica Cristina, mãe de duas alunas do projeto:
“Minhas filhas não sabiam ler nem escrever. A menor nem conhecia as letras e hoje já reconhece as vogais, os números e demonstra muito interesse em aprender. Elas esperam pelos dias das aulas. É um projeto que faz diferença para famílias que não têm condições de pagar um reforço escolar.”
Quem também celebra a nova fase é Daniele Valquíria Silva, tia do estudante Pedro Miguel. Segundo ela, os ganhos foram muito além das notas no boletim. “Depois que começou a participar, ele evoluiu na aprendizagem, passou a se comunicar melhor, fez amizades e ganhou mais confiança. É uma oportunidade muito importante para ele e para nossa família”, concluiu.
Foto: Divulgação











