Dados revelam avanço histórico na participação das mulheres em cargos de decisão no estado.
O cooperativismo paraense tem registrado avanços importantes na ampliação da presença feminina em espaços de decisão. Dados do Sistema OCB/PA mostram que, em 2024, apenas 28% dos cargos de liderança nas cooperativas do estado eram ocupados por mulheres. Em 2025, esse percentual subiu para 32%, representando um crescimento de quatro pontos percentuais em apenas um ano.
Embora o cenário ainda apresente desafios, o aumento demonstra uma mudança gradual na cultura organizacional das cooperativas, com maior incentivo à participação feminina em conselhos de administração, diretorias e cargos estratégicos. E esse cenário de representatividade feminina também é vista no Sistema OCB/PA, onde 75% das vagas de colaboradores e conselho é ocupado por mulheres, incluindo cargos de gestão.
O avanço acompanha um movimento nacional de valorização da liderança feminina no setor. Em dezembro de 2025, Tânia Zanella assumiu a presidência executiva da Organização das Cooperativas Brasileiras, tornando-se uma das principais referências femininas do cooperativismo brasileiro. Em 2026, ela também foi reconhecida na lista da Forbes entre as Mulheres Mais Poderosas do Brasil.
*Atuação do Comitê Elas pelo Coop fortalece lideranças*
No Pará, esse avanço está diretamente ligado à atuação do Comitê Elas pelo Coop, vinculado ao Sistema OCB/PA, que desenvolve ações voltadas ao fortalecimento da liderança feminina, capacitação e ampliação da participação das mulheres em cargos de gestão e governança. O Comitê integra um programa nacional que atualmente conta com 11 comitês estaduais, atuando no fortalecimento da liderança feminina, promovendo capacitação, intercooperação e ampliando a representatividade das mulheres nas cooperativas.
Segundo a analista do Sistema OCB/PA, Melize Borges, o comitê faz parte de um movimento nacional que busca ampliar a igualdade de gênero no cooperativismo. “Os números revelam um avanço importante, mas, mais do que percentuais, estamos falando de oportunidades, reconhecimento e valorização de competências. O cooperativismo tem, em sua essência, a gestão democrática e a participação equalitária. Ampliar a presença das mulheres nos espaços de decisão fortalece a própria identidade do nosso modelo de negócio”, destaca.
Hoje, as mulheres representam cerca de 37% dos mais de 80 mil cooperados do Pará, com presença expressiva nos ramos de crédito, produção e agropecuário.
Entre as iniciativas do comitê estão encontros estaduais de mulheres cooperativistas, ações de formação de lideranças, programas de capacitação e atividades de reconhecimento da atuação feminina no setor.
Para Cirede Carloto, coordenadora do Comitê Elas Pelo Coop, os avanços observados nos últimos anos refletem um processo coletivo de mobilização e fortalecimento da participação das mulheres no setor.“O movimento Elas Pelo Coop tem sido um importante espaço de organização, diálogo e fortalecimento da representatividade das mulheres nas cooperativas do estado”, afirma.
Segundo ela, esse progresso é resultado tanto do engajamento das próprias cooperadas quanto do apoio institucional promovido pelo sistema cooperativista. “Essa evolução foi possível graças ao engajamento das próprias mulheres e ao apoio institucional do Sistema OCB, tanto em nível nacional quanto no Pará, que tem investido em iniciativas, eventos e programas voltados ao fortalecimento da liderança feminina”, destaca.
Cirede também ressalta que, apesar dos avanços, ainda existem desafios históricos a serem superados. Ela também aponta que a presença feminina em cargos de liderança no cooperativismo nacional serve de inspiração para novas gerações.
“A presença de Tânia Zanella na presidência do Sistema OCB reforça que essa trajetória é possível e inspira novas lideranças. A mulher paraense carrega uma cultura de força e determinação e, com essa base, os próximos anos certamente trarão novas conquistas para as mulheres e para todo o cooperativismo do estado”, afirma.
*Mulheres também lideram inovação no campo*
Outro exemplo do protagonismo feminino dentro do cooperativismo paraense está no Programa Biocoop, iniciativa voltada ao fortalecimento da bioeconomia e das cadeias produtivas sustentáveis no estado. No programa, cerca de 70% dos cargos são ocupados por mulheres, e todas as redes territoriais são coordenadas por lideranças femininas.
Para Luziane Sena, Diretora de Cooperativismo na SEDEME, o crescimento da participação feminina no cooperativismo representa um avanço importante para o desenvolvimento econômico e social do estado. “O cooperativismo tem sido, ao longo dos anos, uma poderosa ferramenta de inclusão produtiva, geração de renda e desenvolvimento sustentável no nosso estado. E dentro desse movimento, as mulheres têm assumido um papel cada vez mais protagonista”, destaca.
Segundo ela, a presença feminina nas cooperativas vai além da produção, alcançando também posições estratégicas de gestão e inovação. A diretora também ressalta o impacto social que o cooperativismo gera quando amplia oportunidades para as mulheres. “No Pará, sabemos da força feminina que move o campo, as florestas, os rios e os espaços urbanos. Quando uma mulher acessa oportunidades por meio do cooperativismo, não é apenas a sua vida que muda, é toda uma família, uma comunidade e uma cadeia produtiva que se fortalece. O cooperativismo é, portanto, um instrumento de empoderamento econômico, social e político”, conclui.







