sexta-feira, junho 5, 2026
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Turismo na América do Sul cresce acima da média global e reforça protagonismo do Pará no cenário amazônico

O setor de turismo na América Central e do Sul deve apresentar um desempenho acima da média mundial em 2026, consolidando-se como um dos principais motores econômicos da região. De acordo com levantamento do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC), a atividade deve movimentar cerca de US$ 396,4 bilhões — aproximadamente R$ 2 trilhões — representando 7,5% de toda a economia regional.

A projeção indica um crescimento de 4,1% no Produto Interno Bruto (PIB) do turismo, superando a média global estimada em 3,2%. O avanço é impulsionado principalmente pela forte demanda doméstica e pelo aumento dos gastos de turistas internacionais, além de uma menor exposição da região a tensões geopolíticas globais.

O impacto do setor também se reflete no mercado de trabalho. Em 2026, o turismo deverá sustentar 18,5 milhões de empregos na América Central e do Sul, o equivalente a 8,3% do total de vagas. A expectativa é ainda mais otimista para a próxima década, com projeção de alcançar 22,6 milhões de postos até 2036.

TURISMO DOMÉSTICO LIDERA CRESCIMENTO

Mesmo com o aumento significativo do fluxo internacional, o turismo doméstico continua sendo o principal pilar da atividade na região. Os gastos internos devem atingir US$ 222,3 bilhões em 2026, mais de R$ 1 trilhão, mantendo a tendência de valorização das viagens dentro dos próprios países.

Já os turistas estrangeiros devem injetar cerca de US$ 70 bilhões na economia regional, com crescimento de 7,8% em relação a 2025 — mais que o dobro da média global para esse indicador.

Em 2025, o turismo doméstico respondeu por 77% de todo o consumo turístico da região, enquanto o internacional representou 23%. As viagens de lazer continuam predominando, com 84,9% dos gastos, frente a 15,1% do turismo corporativo.

Brasil cresce com potencial estratégico

O Brasil, um dos maiores mercados turísticos da América do Sul, deve registrar crescimento de 2,1% na contribuição econômica do turismo em 2026. Já os gastos de visitantes internacionais no país têm previsão de alta de 3%.

Apesar do crescimento mais moderado em comparação a outros países da região, o Brasil segue como destino estratégico, tanto para turistas estrangeiros quanto para viajantes sul-americanos.

Pará ganha destaque no cenário amazônico

Dentro desse contexto, o Pará surge como um dos principais protagonistas do turismo brasileiro, especialmente na região amazônica. A realização da COP 30, em novembro do ano passado, marcou um ponto de virada na visibilidade internacional do estado, colocando Belém e a Amazônia no centro das discussões globais sobre sustentabilidade, meio ambiente e desenvolvimento.

O evento não apenas atraiu lideranças mundiais, como também despertou o interesse de turistas e investidores, impulsionando o chamado “turismo de experiência”, voltado à natureza, cultura e gastronomia amazônica.

Com suas riquezas naturais, rios imponentes, biodiversidade única e forte identidade cultural, o Pará vem sendo redescoberto como destino turístico estratégico. Locais como a Ilha do Marajó, Alter do Chão, o arquipélago do Marajó e a própria capital, Belém, ganham cada vez mais espaço nos roteiros nacionais e internacionais.

Além disso, o fortalecimento da infraestrutura turística, aliado à valorização da cultura regional e da culinária paraense — considerada uma das mais autênticas do Brasil — contribui para consolidar o estado como referência no turismo sustentável.

Perspectivas positivas para a região

O estudo do WTTC também destaca países com crescimento acelerado no turismo, como Equador (11,6%), Bolívia (10,3%) e Panamá (8,4%). No cenário global, a expectativa é que o setor movimente US$ 12 trilhões em 2026, representando quase 10% do PIB mundial.

Diante desse panorama, a América do Sul se consolida como uma das regiões mais promissoras para o turismo global — e o Pará, inserido no coração da Amazônia, desponta como uma vitrine natural, cultural e econômica para o mundo.

Com o legado da COP 30 e o aumento do interesse internacional pela floresta amazônica, o estado tem a oportunidade de transformar visibilidade em desenvolvimento sustentável, geração de empregos e fortalecimento da economia regional.

Por ROBERTO BARBOSA/Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ/Imagens: Reprodução/Divulgação

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