Com críticas diretas às políticas de imigração, cantor porto-riquenho usou o palco para reafirmar a identidade do continente e desafiar o discurso da Casa Branca.
A final do Super Bowl no domingo (8) foi palco de uma apresentação histórica e politizada do porto-riquenho Bad Bunny. Unindo música e simbolismo, o artista transformou o intervalo do maior evento esportivo dos EUA em uma exaltação à cultura latina e à identidade de sua ilha natal. O show percorreu sucessos como “Tití Me Preguntó” e “La Casita”, utilizando cenários que remetiam às origens populares do reggaeton e às comunidades trabalhadoras de Porto Rico.
O posicionamento social foi o fio condutor da performance. Bad Bunny trouxe ao palco canções como “Yo Perreo Sola”, em defesa das mulheres, e “NUEVAYoL”, onde expressou apoio direto aos imigrantes e à diáspora porto-riquenha. A apresentação foi repleta de códigos de resistência, incluindo bandeiras ligadas à causa independentista e a presença do Sapo Concho — espécie ameaçada que simboliza a preservação da ilha. O cantor ainda provocou o debate geopolítico ao expandir o conceito de “América” para todo o continente, confrontando o excepcionalismo estadunidense.
A reação da Casa Branca foi imediata e agressiva. Em sua plataforma, Truth Social, o presidente Donald Trump atacou duramente a performance, chamando-a de “absolutamente terrível” e “uma afronta à grandeza da América”. Trump criticou a dicção do artista e o conteúdo coreográfico, classificando a dança como “repugnante” para o público infantil. O republicano, que já havia questionado a escolha do cantor dias antes do evento, reforçou seu descontentamento com o artista, que é um crítico declarado das políticas de imigração dos EUA.
Apesar dos ataques presidenciais, o show ratifica o momento áureo de Bad Bunny. Apenas uma semana antes da final, o músico fez história no Grammy ao conquistar o prêmio de “Álbum do Ano” com “Debí Tirar Más Fotos” — a primeira vez que um disco totalmente em espanhol venceu a categoria principal da premiação. O sucesso no Super Bowl consolida o artista não apenas como um fenômeno global de vendas, mas como uma voz política influente que não teme desafiar o status quo de Washington.
Crédito: JOSH EDELSON / AFP







