A manhã de quarta-feira (7) em Minneapolis não foi marcada apenas pelo som de três disparos à queima-roupa, mas pelo silêncio imposto à humanidade. A morte de Renee Nicole Good, de 37 anos, assassinada por agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega), ganhou um novo e cruel capítulo através de imagens que circulam nas redes sociais, revelando o desprezo pela vida nos momentos finais da vítima.
O Embate entre a Medicina e o Fuzil
Enquanto Renee agonizava após ser atingida no rosto através do para-brisa de seu carro, um cidadão se aproximou rapidamente na tentativa de exercer o dever humanitário. — “Eu sou médico!” — exclamou o homem, buscando autorização para prestar os primeiros socorros e estancar o sangramento. A resposta do agente federal, imóvel diante do corpo, foi curta e devastadora: — “Eu não ligo.”
O impedimento do atendimento médico em plena via pública transformou uma ação policial já questionável em uma cena de execução assistida. Para as testemunhas que filmavam a cena a poucos metros de onde George Floyd foi morto em 2020, o diálogo foi a prova final de que a “ordem” da Casa Branca havia superado qualquer valor ético.
A Guerra de Narrativas: “Terrorismo” vs. “Propaganda”
Enquanto o governo de Donald Trump e a secretária Kristi Noem classificam Renee como uma “terrorista doméstica” que tentou usar seu carro como arma, os vídeos mostram uma realidade distinta: agentes tentando abrir a porta de um carro estacionado e disparando contra uma mulher que tentava apenas se afastar. O governador Tim Walz e a ex-vice-presidente Kamala Harris foram rápidos em classificar a versão federal como uma “máquina de propaganda” e “manipulação psicológica”.
Desfecho: O Levante das Velas e o Cerco à Cidade
O desfecho desta tragédia não terminou com a remoção do corpo. Na noite de ontem, o local do crime transformou-se em um epicentro de resistência. O que começou como uma vigília silenciosa, com milhares de velas acesas em memória de Renee, evoluiu para um cerco popular aos prédios federais em Minneapolis.
O novo desfecho das últimas horas: Diante da recusa do governo federal em afastar os agentes envolvidos e da revelação do vídeo onde o socorro médico é negado, a prefeitura de Minneapolis tomou uma medida sem precedentes: a polícia local (MPD) formou um cordão de isolamento em volta dos manifestantes, não para dispersá-los, mas para protegê-los de novas incursões dos agentes do ICE.
Com as aulas canceladas e a cidade sob vigilância do FBI, o clima é de um “Estado dentro do Estado”. Minneapolis não chora apenas por Renee; a cidade agora desafia abertamente a política de repressão da Casa Branca, exigindo que a “democracia” deixe de ser uma palavra de palanque e volte a ser um direito de quem tenta sobreviver nas ruas.
Destaques do Caso
- A Vítima: Renee Nicole Good, 37 anos, descrita por vizinhos como uma cidadã integrada à comunidade.
- O Conflito: Uso de força letal contra alguém que tentava fugir, seguido de negação de socorro médico.
- A Repercussão: Protestos em Seattle, Nova York e Miami; escolas fechadas e embate direto entre o Governador de Minnesota e o Presidente dos EUA.








