A redação de A PROVÍNCIA DO PARÁ realiza nesta semana matérias específicas com os principais candidatos ao Senado da República. Pela ordem, a série abre com Chicão, Celso Sabino, Zequinha Marinho, Éder Mauro Barra e se encerra com Helder Barbalho
A história política de José da Cruz Marinho, conhecido em todo o Pará como Zequinha Marinho, é construída sobre uma trajetória que mistura vida profissional, atuação política, atividade religiosa e uma relação particularmente forte com o interior do Estado.
Nascido em 18 de setembro de 1959, em Araguacema, então no antigo Estado de Goiás, Zequinha mudou-se ainda jovem com a família para Conceição do Araguaia, no sul do Pará. Foi ali que começou a trabalhar e construiu as primeiras referências de sua vida pública.
Antes de chegar aos grandes centros do poder nacional, foi comerciário, técnico em contabilidade, servidor público municipal e funcionário concursado do Banco da Amazônia, onde trabalhou por 16 anos. Também se formou em Pedagogia pela Universidade do Estado do Pará e em Teologia pela Faculdade João Calvino.
É justamente nessa combinação entre formação profissional, atuação comunitária e fé que está uma das características mais marcantes de sua trajetória.
DA IGREJA PARA A POLÍTICA
A atividade religiosa ocupou papel importante na vida de Zequinha. Evangelista da Assembleia de Deus, sua atuação como líder religioso ajudou a aproximá-lo de comunidades de diferentes regiões paraenses, especialmente no interior.
A experiência pastoral e a convivência com comunidades populares acabariam também influenciando sua maneira de fazer política. Em vez de começar a carreira diretamente em Brasília, Zequinha construiu sua trajetória a partir das bases municipais e regionais.
Sua entrada institucional na política ocorreu como deputado estadual. Foi eleito para dois mandatos consecutivos, entre 1997 e 2002, antes de chegar à Câmara dos Deputados.
Em Brasília, exerceu três mandatos como deputado federal, de 2003 a 2014. Durante esse período, consolidou uma atuação voltada principalmente para questões relacionadas ao desenvolvimento do interior, agricultura, infraestrutura, produção rural e defesa dos interesses da população das regiões mais distantes da capital paraense.
Em 2014, deu um passo diferente na carreira: foi eleito vice-governador do Pará na chapa de Simão Jatene. Assumiu em 1º de janeiro de 2015, tornando-se o primeiro representante do sul do Estado a ocupar o cargo.
A CHEGADA AO SENADO
Depois da experiência no Executivo estadual, Zequinha voltou ao cenário nacional e foi eleito senador pelo Pará para o período iniciado em 2019. Seu mandato atual vai até 2027. Em 2026, porém, colocou novamente seu nome à disposição dos eleitores para disputar a reeleição.
No Senado, a agricultura e o desenvolvimento do setor produtivo ganharam espaço central em sua atuação.
Em 2025, Zequinha foi eleito presidente da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) para o biênio 2025-2026. A escolha colocou o parlamentar paraense no comando de uma das principais comissões temáticas do Senado para assuntos relacionados ao campo, produção agropecuária, agricultura familiar, regularização fundiária e políticas para o setor rural.
Em setembro de 2026, ele continua oficialmente na presidência da comissão.
Agricultura como uma das principais bandeiras
A passagem pela CRA reforçou uma das características mais conhecidas do mandato de Zequinha: a defesa da produção rural e da atividade agropecuária.
À frente da comissão, o senador tem defendido medidas relacionadas à agricultura sustentável, regularização fundiária, licenciamento ambiental, acesso ao crédito rural e redução da burocracia enfrentada pelos produtores.
A comissão também participou da definição de recursos para o setor agropecuário. Em 2026, por exemplo, Zequinha coordenou a análise das indicações relacionadas a uma emenda de comissão de R$ 400 milhões destinada ao fomento do setor agropecuário nacional. Em uma das deliberações, foram aprovadas 513 indicações, que somavam R$ 338,8 milhões.
Mais do que uma pauta nacional, trata-se de uma agenda diretamente relacionada à economia paraense, cuja produção rural possui forte presença em municípios do interior.

A DEFESA DA INFRAESTRUTURA PARAENSE
A infraestrutura também aparece entre as bandeiras que acompanharam Zequinha ao longo de sua vida pública.
Ainda no Congresso, o parlamentar esteve envolvido na articulação de recursos para rodovias consideradas estratégicas para o Pará. Entre elas estão a BR-422, no trecho entre Tucuruí e Limoeiro do Ajuru, e trechos das BRs 158 e 155, importantes corredores rodoviários do sul e sudeste paraense.
Em documentos do Senado aparecem emendas de comissão associadas ao nome de Zequinha para manutenção da BR-422 e restauração de trechos das BR-158 e BR-155.
Em 2023, durante a definição das emendas de bancada do Pará, Zequinha participou da coordenação das discussões que envolveram aproximadamente R$ 249 milhões destinados a investimentos no Estado. Entre as prioridades definidas estava a destinação de R$ 40 milhões para a conclusão da pavimentação da BR-422, entre Tucuruí e Novo Repartimento.
São investimentos que, para o interior paraense, possuem significado que ultrapassa a simples construção ou recuperação de uma estrada. Rodovias representam escoamento da produção, redução de custos, circulação de pessoas e integração entre municípios.
Regularização fundiária e segurança jurídica
Outra área que ganhou espaço no mandato é a questão fundiária.
A dimensão territorial do Pará transforma a regularização das propriedades rurais em um dos grandes desafios do Estado. A existência de áreas sem documentação definitiva, conflitos pela posse da terra e dificuldades para acesso ao crédito estão entre os problemas que afetam produtores e comunidades.
No Senado, Zequinha tem defendido maior segurança jurídica para o setor produtivo e participou de debates envolvendo a política fundiária e os embargos ambientais.
Em dezembro de 2025, por exemplo, defendeu no plenário a tramitação de uma proposta relacionada ao chamado marco temporal das terras indígenas, posicionamento que se insere em sua agenda política de defesa da segurança jurídica no campo.
É uma atuação que também revela um dos traços mais definidos de sua identidade política: a proximidade com produtores rurais, trabalhadores do campo e setores ligados ao agronegócio.
Um senador com presença nas grandes discussões nacionais
Embora mantenha forte ligação com as pautas paraenses, Zequinha também passou a participar de debates nacionais.
No Senado, integrou comissões como a de Relações Exteriores e Defesa Nacional, Comissão de Meio Ambiente e Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo. Atualmente, permanece titular da Comissão de Meio Ambiente e participa como suplente de outras comissões importantes.
Também integrou a subcomissão responsável por acompanhar os preparativos para a COP30 e participa da Comenda Missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren, iniciativa diretamente relacionada à história da presença evangélica no Brasil e na Amazônia.
A atuação ambiental, portanto, passou a conviver com sua tradicional defesa do setor produtivo, especialmente em temas relacionados ao equilíbrio entre preservação, produção e segurança jurídica.
Saúde e defesa de categorias profissionais
A atuação parlamentar também alcançou áreas sociais.
Em abril de 2026, Zequinha utilizou a tribuna do Senado para cobrar celeridade na tramitação da PEC 14/2021, que trata de aposentadoria diferenciada para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias, além da regularização de vínculos funcionais dessas categorias.
A iniciativa demonstra uma vertente de seu mandato voltada à defesa de categorias profissionais e de trabalhadores que atuam diretamente na estrutura de serviços públicos.
Uma relação política construída com o interior
Talvez um dos elementos mais importantes para compreender a carreira de Zequinha Marinho seja sua relação com o interior.
Antes de Brasília, antes do Senado e antes de ocupar a vice-governadoria, sua vida profissional e política esteve ligada ao sul do Pará.
Essa origem ajuda a explicar por que temas como estradas, agricultura, regularização fundiária, crédito rural, produção e desenvolvimento regional aparecem repetidamente em seus discursos.
Sua carreira também representa uma das trajetórias mais longas da política paraense contemporânea: deputado estadual, deputado federal, vice-governador e senador da República.
São décadas ocupando espaços diferentes dentro do Estado brasileiro.
O legado de um político que veio do campo religioso
A trajetória de Zequinha Marinho também não pode ser analisada apenas pela quantidade de cargos ocupados.
Há uma dimensão pessoal e religiosa que acompanha sua vida pública desde o início.
A formação teológica e a atuação como evangelista da Assembleia de Deus ajudaram a construir uma imagem política associada à fé cristã, à defesa da família, dos valores religiosos e da presença das igrejas nas comunidades.
Sua história revela, portanto, uma transição entre dois mundos que, para ele, nunca estiveram completamente separados: o púlpito e a política.
A atividade pastoral lhe proporcionou contato direto com comunidades e lideranças; a política, por sua vez, levou essas demandas para as assembleias legislativas, Câmara dos Deputados, governo estadual e Senado.
O DESAFIO DA REELEIÇÃO
Agora, em 2026, Zequinha Marinho enfrenta mais uma eleição.
A disputa pelo Senado é particularmente relevante porque cada Estado elege duas cadeiras. No Pará, o cenário eleitoral reúne diferentes nomes e projetos políticos.
Para Zequinha, a campanha representa a tentativa de convencer novamente o eleitorado de que sua experiência acumulada ao longo de quase três décadas de vida pública ainda pode ser colocada a serviço do Estado.
Seu principal patrimônio político é justamente a experiência: conhece o Legislativo estadual, passou pela Câmara Federal, participou do Executivo como vice-governador e está encerrando seu primeiro mandato no Senado.
A pergunta que chega às urnas, portanto, não é apenas sobre o futuro.
É também sobre o balanço de uma trajetória.
NOME MOLDADO PELA AMAZÔNIA
A biografia de Zequinha Marinho começa longe dos grandes centros de decisão. Começa no interior, em uma família que chegou ao sul do Pará, e passa por profissões comuns antes de alcançar os mais altos níveis da política nacional.
Comerciante, técnico em contabilidade, servidor público, bancário, pedagogo, teólogo, pastor, deputado estadual, deputado federal, vice-governador e senador.
Cada etapa acrescentou uma camada à sua identidade pública.
No Senado, sua atuação encontrou na agricultura, na infraestrutura, na regularização fundiária e no desenvolvimento regional algumas de suas principais bandeiras.
Ao disputar a reeleição, Zequinha apresenta ao eleitor paraense não apenas um novo projeto político, mas o resultado de uma longa caminhada.
Uma caminhada que começou no sul do Pará, passou pelo Palácio dos Despachos, chegou ao Congresso Nacional e agora volta às ruas e aos municípios para buscar uma nova oportunidade de representar o Estado no Senado da República.
A decisão, como sempre, estará nas mãos do eleitor paraense.

Da Redação do Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ/Imagens: Reprodução





