Jornalista e ativista dedicou quase um século de vida à defesa dos direitos das mulheres e à igualdade de gênero.
Morreu nesta quinta-feira (3), aos 92 anos, a jornalista e ativista norte-americana Gloria Steinem, uma das figuras mais emblemáticas do movimento feminista mundial. O anúncio foi feito pela fundação que leva seu nome, informando que a ativista faleceu pacificamente em sua residência na cidade de Nova York, cercada por entes queridos, após quase um século dedicado de forma ininterrupta à luta pela igualdade de gênero.
Com mais de cinco décadas de atuação marcada pela defesa dos direitos reprodutivos e pela ampliação da participação feminina na política, Steinem se consolidou nos anos 1960 como uma voz central nos Estados Unidos. Em 1963, ganhou notoriedade ao se disfarçar de “coelhinha da Playboy” para expor as condições degradantes impostas às mulheres na indústria do entretenimento. Anos mais tarde, em 1971, uniu-se a nomes como Bella Abzug, Shirley Chisholm e Betty Friedan para fundar a National Women’s Political Caucus, além de participar do surgimento de diversas entidades voltadas aos direitos das mulheres e do trabalho. Suas contribuições lhe renderam, em 2013, a Medalha Presidencial da Liberdade, concedida por Barack Obama.
Em suas reflexões mais recentes, tornadas públicas pela BBC em 2023, Steinem reiterou a importância vital da autonomia reprodutiva para a democracia e alertou sobre os riscos da exclusão digital feminina. A ativista também criticou a cultura do cancelamento como uma forma de censura e defendeu que a transformação social deve começar no ambiente doméstico, com o fim da sobrecarga sobre as mulheres e a divisão justa das responsabilidades do dia a dia.
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