Ex-ministra e comissária europeia foi figura central na legalização do aborto e do divórcio no país.
A política, ativista e ex-ministra italiana Emma Bonino morreu nesta sexta-feira (11), aos 78 anos, em Roma. A confirmação do falecimento foi feita pelo seu partido, o +Europa. Uma das figuras mais influentes e corajosas da vida pública italiana nas últimas cinco décadas, Bonino marcou história ao liderar lutas históricas pelos direitos das mulheres e pela ampliação das liberdades civis.
Uma trajetória impulsionada pelo ativismo
A trajetória política de Emma Bonino começou nos anos 1970 a partir de um momento pessoal e transformador: após revelar ter passado por um aborto clandestino, ela decidiu se engajar publicamente pela descriminalização da prática na Itália. Em 1975, ajudou a fundar o Centro de Informação, Esterilização e Aborto (CISA). Sua militância foi decisiva para que o país legalizasse o aborto em 1978.
Ao longo de mais de 50 anos de vida pública, Bonino atuou fortemente em outras pautas progressistas, como a aprovação da lei do divórcio, a defesa dos direitos dos imigrantes, o combate à mutilação genital feminina e a promoção do europeísmo e da democracia liberal.
Destaque na política nacional e internacional
Membro histórico do Partido Radical e, mais recentemente, fundadora do +Europa em 2017, Emma ocupou alguns dos cargos mais relevantes do ecossistema político europeu e italiano:
- Ministra das Relações Exteriores: Chefiou a diplomacia italiana entre 2013 e 2014;
- Comissária Europeia: Atuou na Comissão Europeia (1994-1999) nas pastas de Proteção ao Consumidor e Pesca, além de liderar missões de ajuda humanitária;
- Atuação Legislativa: Foi eleita diversas vezes senadora e deputada nos Parlamentos Italiano e Europeu.
Problemas de saúde e reconhecimento
Em 2015, Bonino tornou público o diagnóstico de um câncer de pulmão. Após anos de tratamento — durante os quais continuou atuando e tornou marcante o uso de lenços coloridos na cabeça —, anunciou a remissão da doença em 2023. Recentemente, vinha enfrentando complicações respiratórias.
Em 2024, a líder ativista recebeu uma visita surpresa em sua casa do Papa Francisco, um gesto simbólico que demonstrou o respeito plural à sua trajetória, apesar das históricas divergências sobre a pauta do aborto.
Líderes políticos de diversas correntes na Itália e na União Europeia prestaram homenagens a Bonino nesta sexta-feira, destacando sua coragem, coerência política e o legado indelével deixado para a garantia dos direitos fundamentais no continente.





