Uma operação conjunta das polícias civil e militar do estado do Rio de Janeiro chamada “Operação Contenção” registrou mais de 120 mortes na capital fluminense. Organizações de direitos humanos e especialistas ouvidos pela matéria afirmam que os métodos empregados desrespeitaram os direitos das comunidades envolvidas, em especial nas regiões da Penha e do Complexo do Alemão.
Para Instituto Sou da Paz, a ação ocorreu dentro de uma lógica de enfrentamento direto que já vem sendo usada no Rio há décadas “uma guerra particular”, segundo analistas. Além disso, a ONG apontou que a operação pode ter descumprido os critérios da ADPF 635, um conjunto de diretrizes para ações de segurança pública definidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a Justiça Global, que ouviu moradores das comunidades atingidas, muitos foram impedidos de sair de casa com segurança; alguns corpos segundo relatos foram encontrados com braços e pernas amarrados, o que indica possível execução extra-judicial.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio de Janeiro emitiu nota de repúdio à operação, afirmando que não se pode admitir ações estatais que coloquem em risco a vida, a integridade e as liberdades fundamentais da população.
Especialistas destacam que, mesmo que o crime organizado sofra com essas ações massivas, o alto número de vítimas civis, o nível de violência empregado e a sensação de insegurança resultante podem minar a confiança das comunidades nas instituições de segurança pública.
Imagem: Agência Brasil










