O PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE RESÍDUOS E MEIO AMBIENTE (ABREMA), PEDRO MARANHÃO, ESTARÁ EM BELÉM NOS DIAS 5 E 6 DE FEVEREIRO, PARA VISITA A EMPREENDIMENTOS LIGADOS À GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS
De acordo com o último Panorama dos Resíduos Sólidos, publicado pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema) em 2025, o país gerou 81,6 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos (RSU) em 2024 – uma média de 384 kg por habitante.
Esse volume costuma aumentar conforme a renda per capita, mas dá origem a um desafio importante: como coletar e destinar o lixo sem prejudicar as pessoas e o meio ambiente? Do total gerado, estima-se que 93,7% foram coletados, mas apenas 59% foi destinado a aterros sanitários, que são locais adequados para receber RSU.
Áreas de disposição final inadequadas estão presentes em todas as regiões do Brasil e receberam mais de 28 milhões de toneladas de resíduos em 2024. Desse total, aproximadamente 154 mil toneladas de RSU foram enterradas na propriedade do gerador.
Ao comparar os dados projetados para 2024 com os dados de 2023, nota-se que a quantidade de resíduos encaminhada para disposição final – adequada ou inadequada – permaneceu praticamente a mesma: 85,6% em 2023 e 85,5% em 2024. A quantidade de resíduos encaminhados para disposição final ambientalmente inadequada passou de 41,5% da disposição final em 2023 para 40,3% em 2024.
A redução do percentual de RSU encaminhados para disposição final inadequada aponta para uma maior participação dos aterros sanitários na disposição final dos resíduos, o que representa uma maior preocupação e compromisso dos órgãos municipais com o meio ambiente e a saúde pública. No entanto, essa pequena variação reforça a urgência de aumentar a velocidade de mudança no gerenciamento de RSU no país, para que sejam observados resultados concretos das políticas públicas.
Como é a disposição final correta de resíduos?
A disposição final adequada leva em conta critérios técnicos para evitar danos ou riscos à saúde pública, à segurança e ao meio ambiente. A disposição final que se enquadra nessa definição é o aterro sanitário, uma obra de engenharia complexa que, segundo a Norma de Referência nº 7/2024 da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), deve apresentar uma base impermeabilizada e sistemas de drenagem de lixiviado, gases e águas pluviais, além de outras exigências operacionais.
Lixões, aterros controlados, valas, vazadouros e unidades similares, incluindo enterramento de pequenas quantidades de RSU na propriedade de geração, não possuem essas estruturas de proteção e são consideradas ambientalmente inadequadas para a disposição final de resíduos.
REGIÃO NORTE E PARÁ
A região Norte fica abaixo da média nacional quando o assunto é disposição correta de resíduos: apenas 39% dos resíduos foram para aterros sanitários. Isso significa que mais de 3,1 milhões de toneladas de lixo foram para lugares que não possuem estrutura alguma de proteção ambiental.
De acordo com um estudo preliminar apresentado pela empresa Guamá Tratamento de Resíduos, dos 144 municípios do Pará, 139 ainda usam lixões. Para encerrá-los e cumprir a Política Nacional de Resíduos Sólidos, é preciso construir entre 38 e 50 aterros sanitários e 85 estações de transbordo, com investimento estimado em R$ 965 milhões ao longo de 30 anos. Parcerias público-privadas e consórcios de municípios são soluções possíveis para arcar com os gastos necessários.
Por Jobson Marinho/Temple Comunicação








