Uma nova tragédia no transporte fluvial da Região Amazônica abalou o Estado do Amazonas na tarde de ontem, sexta-feira, 13. A lancha Lima de Abreu XV, que navegava com dezenas de passageiros entre Manaus e o município de Nova Olinda do Norte, naufragou no Encontro das Águas — ponto turístico onde os rios Solimões e Negro se juntam formando o Rio Amazonas — deixando um rastro de dor, incertezas e buscas que seguem intensas até o momento.
Por volta das 15h30 de ontem, a embarcação rápida, com cerca de 80 pessoas a bordo, enfrentou uma forte ondulação (banzeiro) nas imediações do Encontro das Águas, o que teria provocado a instabilidade da lancha que acabou virando e afundando nas águas escuras dos rios.
Segundo informações das autoridades amazonenses, a real dinâmica do acidente ainda está sendo investigada, mas tudo indica que as condições do rio e a força das correntes contribuíram para a tragédia. Também há denúncias de que a embarcação estaria com superlotação.
VÍTIMAS E SOBREVIVENTES
As equipes de resgate que atuam na região confirmaram até o momento que duas pessoas morreram no acidente — incluindo uma criança de aproximadamente 3 anos, que chegou a ser socorrida e levada a um hospital, mas não resistiu. Sete pessoas permanecem desaparecidas, e as buscas por elas seguem nas águas e margens dos rios pelo Corpo de Bombeiros, Marinha, Defesa Civil e outras equipes. Ao todo, 71 pessoas foram resgatadas com vida por outra embarcação que passava pelo local, e muitas delas apresentavam ferimentos leves.
Entre os sobreviventes, há relatos de pânico e momentos de desespero nas águas, com crianças e adultos tentando se manter à tona até serem encontrados por equipes de apoio.
OPERAÇÃO DE BUSCA E RESGATE
Desde as primeiras horas deste sábado, 14, uma força-tarefa de resgate foi organizada com amplo aparato — incluindo mergulhadores especializados, embarcações rápidas, apoio aéreo da Marinha e equipes do Corpo de Bombeiros — na tentativa de localizar os sete desaparecidos.
Autoridades também montaram um centro de apoio às famílias das vítimas, oferecendo assistência psicológica, informações sobre entes desaparecidos e apoio logístico para os parentes que chegaram a Manaus em busca de notícias.
INVESTIGAÇÃO E RESPONSABILIDADES
As causas do naufrágio ainda são objeto de investigação. Uma apuração formal foi aberta para determinar se fatores como excesso de passageiros, falhas operacionais, condições da embarcação ou presença de ondas fortes no rio contribuíram para o desastre.
O condutor da lancha foi detido pelas autoridades e deve responder a procedimentos legais enquanto as equipes forenses trabalham para esclarecer todas as circunstâncias do acidente.
TRAGÉDIAS
No Amazonas, os rios são o principal meio de transporte entre cidades, vilarejos e comunidades ribeirinhas. No entanto, acidentes envolvendo embarcações não são incomuns, especialmente em períodos de mudanças rápidas de tempo, correntes fortes e tráfego intenso de barcos. A falta de fiscalização rigorosa e a sobrecarga de passageiros também são apontadas como fatores de risco em tragédias anteriores na região.
Por ROBERTO BARBOSA/Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ/Imagens: Reprodução







