O samba paraense perdeu um de seus maiores representantes. Morreu neste domingo, aos 55 anos, o sambista Meio-Dia da Imperatriz, reconhecido como o único paraense tricampeão do Carnaval do Rio de Janeiro na Marquês de Sapucaí.
Figura histórica do samba, Meio-Dia construiu uma trajetória que uniu o Pará ao coração do Carnaval carioca. Ligado à tradicional Imperatriz Leopoldinense, ele participou de desfiles marcantes que renderam à escola três títulos no Sambódromo, consolidando seu nome entre os grandes sambistas brasileiros.
PERFIL E TRAJETÓRIA
Nascido em Belém, Meio-Dia começou sua história no samba ainda jovem, nas rodas do bairro do Jurunas e nos blocos carnavalescos da capital paraense. O apelido “Meio-Dia” surgiu pela energia intensa e pela disposição incansável — dizia-se que ele já estava animado “a todo vapor” quando o relógio marcava meio-dia.
Percussionista, compositor e intérprete, ele se destacou pela cadência firme e pela presença marcante na bateria. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou a integrar a ala de ritmistas da Imperatriz Leopoldinense. Sua atuação coincidiu com uma das fases mais vitoriosas da agremiação.
Com disciplina, carisma e profundo conhecimento do samba-enredo, tornou-se referência para novos ritmistas e símbolo da força do Norte na maior festa popular do país.
LEGADO
Além das conquistas na Sapucaí, Meio-Dia sempre manteve laços com Belém. Participava de eventos culturais, rodas de samba e projetos sociais voltados à juventude das periferias, incentivando novos talentos.
Amigos e integrantes do movimento carnavalesco paraense destacaram sua humildade e compromisso com a cultura popular. “Ele nunca deixou de ser paraense. Levava o Pará no coração e no ritmo”, afirmou um integrante de escola de samba local.
O velório será realizado em Belém, em cerimônia aberta ao público. Meio-Dia deixa filhos, netos e um legado que atravessa gerações.
O Pará se despede de um de seus maiores nomes no samba nacional.
Da Redação do Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ/Imagem: Reprodução







