Há artistas que envelhecem ao lado do público. Outros atravessam décadas sem perder o frescor da primeira canção. O cantor, compositor e intérprete paraense Ocimar Moura pertence à rara categoria dos que transformaram a própria trajetória em patrimônio afetivo da cidade.
Nesta quinta-feira, 28, ele sobe ao palco do Dom Gastro Bar para apresentar o show “Meus 58 Têm 35 — Minha Memória Musical”, celebração de aniversário e também de permanência artística. Aos 58 anos de vida e 35 de carreira, Ocimar revisita músicas que marcaram sua caminhada pelos bares, festivais e noites de Belém, acompanhado por banda e convidados especiais.
Mais do que um show comemorativo, a apresentação funciona como um inventário sentimental de um músico que ajudou a costurar diferentes fases da cena cultural paraense desde os anos 1980. Dono de uma trajetória construída sem atalhos, Ocimar fez da noite belenense uma espécie de laboratório permanente de interpretação, transitando entre MPB, samba, jazz, bolero, baião, carimbó e canções românticas com naturalidade rara.
Em tempos de carreiras instantâneas e sucessos descartáveis, sua permanência chama atenção justamente pelo contrário: a fidelidade ao palco, ao repertório afetivo e à experiência coletiva da música ao vivo. Há algo de resistência em artistas como Ocimar, músicos que conhecem o valor da escuta, da conversa entre canções e da relação íntima construída noite após noite com o público.
Essa dimensão afetiva aparece também em sua obra autoral. Em projetos como o EP “Outros Sonhos”, lançado após mais de três décadas de carreira, o cantor reafirmou uma identidade musical profundamente amazônica, mas aberta a múltiplas influências. Filho de uma linhagem cultural ligada ao tradicional, Ocimar carrega consigo parte da memória boêmia e popular do Pará.
O novo espetáculo promete justamente esse encontro entre memória e permanência. Não apenas um desfile de sucessos pessoais, mas um reencontro entre artistas, amigos e admiradores que acompanharam sua trajetória ao longo de décadas.
Num mundo cada vez mais acelerado, celebrar 35 anos de carreira talvez seja isso: provar que algumas vozes não pertencem ao passado Elas pertencem ao tempo. E há canções que continuam vivas porque encontram abrigo em quem nunca deixou de cantá-las.
Por Paulo Silber/Imagem: Divulgação











