Ex-treinador será julgado pelo STJD por declarações contra cor de camisa de jogadores
Jairo Nascimento, da CNN Brasil, São Paulo
O Superior Tribunal de Justiça Desportiva agendou para o dia 12 de fevereiro o julgamento do ex-treinador e atual dirigente do Internacional, Abel Braga.
Abel foi denunciado no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que fala sobre “praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de etnia, raça, sexo, orientação sexual, cor, idade, condição de pessoa idosa ou com deficiência”.
Em 2025, durante apresentação como treinador após a demissão de Ramón Díaz, o treinador disse que não queria o time dele treinando com camisa rosa, pois pareceria, segundo ele, um “time de veado”.
Segundo o CBJD, a punição pode variar entre 5 a 10 jogos. Ele foi denunciado pelo Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT no âmbito desportivo.
Após evitar o rebaixamento do Inter para a Série B, Abel Braga deixou o cargo de técnico para trabalhar como um dos dirigentes do clube.
Desculpas
“Eu fiz uma brincadeira. No fundo, ele (D’Alessandro) deu esporro em todo mundo. Eu falei: ‘Pô, eu não quero meu time treinando de camisa rosa, parece time de veado’”, disse Abel Braga à época.
O ídolo do Colorado enaltecia a presença de Andrés D’Alessandro como diretor, quando afirmou que a camisa rosa do Inter remetia a pessoas homossexuais.
Após a repercussão negativa da fala, o treinador de 73 anos foi às redes sociais e emitiu um pedido de desculpas. Abel reconheceu a má colocação e afirmou que as cores definem apenas o caráter das pessoas.
“Colorados e coloradas, em primeiro lugar reconheço que não fiz uma colocação boa sobre a cor rosa durante a minha coletiva. Antes que isso se prolifere, peço desculpas. Cores não definem gêneros. O que define é caráter. O Internacional precisa de paz e muito trabalho. Vamo, vamo, Inter!”, escreveu o técnico.
Mais polêmica
Em entrevista coletiva, Abel Braga, relembrou a morte do filho de 19 anos, João Pedro, de 19 anos, para se defender das acusações
“Eu quero fazer uma colocação daquilo que houve lá na última coletiva, onde eu fui relatar uma brincadeira que aconteceu no treinamento e isso criou uma polêmica muito grande. Eu já me desculpei, não deveria ter falado absolutamente nada naquele momento. Só quero que vocês entendam uma coisinha, preciso fazer esse parênteses porque é a minha vida. Eu perdi um filho com 19 anos. Quem perde um filho não é homofóbico. Quero que vocês entendam isso. Foi uma brincadeira que eu fui o juvenil, não devia ter falado nada ali e pronto, aquilo passava”, disse Abel.
João Pedro Braga morreu em 2017, ao cair da cobertura do prédio onde morava com os pais no Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro. Abel, na época, era técnico do Fluminense.
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