Lavagem diária, desinfecção, manejo da alimentação das aves e orientação aos frequentadores fazem parte de plano para estimular a dispersão dos animais
A tradicional Praça Batista Campos, em Belém, passa por uma série de ações para reduzir a concentração de garças que se estabeleceu no local nos últimos meses. A estratégia adotada combina limpeza intensiva, manejo ambiental, acompanhamento das aves e orientação de moradores, comerciantes e frequentadores.
A principal medida é a lavagem diária de toda a praça, realizada por tempo indeterminado. O procedimento tem como um dos objetivos retirar os dejetos acumulados e alterar o odor do ambiente, considerado um dos fatores que contribuem para a permanência das aves.
A expectativa é que, com a mudança das condições do espaço, as garças voltem a apresentar comportamento migratório e procurem outros ambientes urbanos. A iniciativa também busca melhorar as condições de utilização da praça, que recebe diariamente grande circulação de pessoas.
Alimento abundante favoreceu permanência
Um dos pontos centrais do plano é o manejo da população de tilápias existentes nos lagos da praça. Segundo técnicos envolvidos no acompanhamento ambiental, a grande oferta de alimento, associada à arborização do espaço — que oferece abrigo e locais para as aves permanecerem — criou condições favoráveis para a fixação das garças.
A avaliação é de que a reprodução excessiva dos peixes contribuiu para um desequilíbrio ambiental e acabou transformando a praça em um ponto de permanência das aves.
Por isso, o plano emergencial também prevê a redução da principal fonte de alimentação das garças, como forma de estimular a redistribuição dos animais para outras áreas.

Educação ambiental e cuidados com animais
Outra frente de trabalho envolve ações de educação ambiental junto aos frequentadores. A orientação é para que a população não tente tocar, capturar ou retirar garças encontradas feridas ou mortas.
Além do acompanhamento dos animais debilitados, o protocolo prevê a remoção adequada das aves encontradas sem vida e a higienização do espaço.
A recomendação para quem encontrar uma garça ferida ou morta é acionar os canais responsáveis, evitando contato direto com o animal. A orientação divulgada aos frequentadores inclui a Guarda Municipal, pelo telefone 153, e o Batalhão de Polícia Ambiental, pelo 190.
Problema ambiental ganhou atenção nos últimos meses
A presença das garças na Batista Campos deixou de ser apenas uma característica da paisagem da praça e passou a gerar preocupação entre moradores e comerciantes devido à concentração elevada das aves, ao acúmulo de dejetos e ao aparecimento de animais feridos ou mortos.
Em junho, frequentadores já relatavam que a população de garças havia aumentado significativamente e que os animais estavam ocupando diferentes áreas do entorno. A situação também levou órgãos estaduais a promoverem ações de educação sanitária e monitoramento, inclusive com orientações relacionadas à vigilância de doenças que podem afetar aves.
A questão sanitária exige, porém, cuidados na interpretação. Especialistas ouvidos durante a repercussão do caso alertaram que não se deve atribuir automaticamente às garças a transmissão de doenças a pessoas, embora o acúmulo de fezes de aves possa representar fator ambiental que exige cuidados de higiene e manejo adequado.
Convivência entre fauna e população
A proposta em andamento não prevê simplesmente a retirada das garças, mas a alteração das condições que favoreceram a concentração dos animais. A intenção é fazer com que elas retomem gradualmente o comportamento de deslocamento para outros pontos da cidade, reduzindo a pressão sobre a praça.
O desafio é encontrar um equilíbrio entre a preservação da fauna e a utilização de um dos espaços públicos mais tradicionais de Belém. A Batista Campos, com sua arborização histórica e seus lagos, acabou se transformando em um abrigo urbano para as aves, fenômeno que chama atenção para as mudanças no comportamento da fauna diante da disponibilidade de alimento e áreas de abrigo na cidade.
Enquanto as ações continuam, a recomendação aos frequentadores é simples: não alimentar as aves, não tentar capturá-las e não tocar em animais feridos ou mortos. A expectativa é que a combinação de limpeza, manejo ambiental e acompanhamento técnico consiga reduzir a concentração das garças sem provocar danos à fauna.

Por NAZARÉ SARMENTO/Da Redação do Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ/Imagens: Agência Belém





