ESTRESSE, SONO RUIM E ALTERAÇÕES HORMONAIS PODEM INFLUENCIAR NA OSCILAÇÃO DE PESO
O aumento da ansiedade tem impactado não apenas a saúde mental da população, mas também hábitos alimentares e o controle do peso. A experiência do pedagogo Kelvyn Menezes, de 44 anos, morador de Santarém e estudante do 7º período de Psicologia, reflete uma realidade cada vez mais comum entre brasileiros: a relação direta entre emoções intensas e mudanças no comportamento alimentar.
Kelvyn começou a notar, há cerca de dois anos, um ganho de peso irregular acompanhado por episódios de alimentação em excesso. A mudança coincidiu com períodos de maior ansiedade, especialmente durante a mudança para o município de Santarém, com viagens e situações fora de controle, como atrasos de voos e alterações de rotina.“Eu percebia que não era fome. Era uma necessidade de aliviar o que estava sentindo naquele momento e por isso eu comia tudo em excesso”, relata.
Com o tempo, os episódios se tornaram mais frequentes e passaram a caracterizar compulsão alimentar, levando-o a buscar acompanhamento psicológico. O processo terapêutico ajudou a identificar que a dificuldade não estava apenas na alimentação, mas na forma como lidava com o estresse e as emoções do dia a dia.
O acompanhamento psicológico, com foco na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), foi fundamental para compreender a relação entre ansiedade e comportamento alimentar. “Aprendi a racionalizar a emoção. Nem tudo precisa ser resolvido imediatamente”, conta.
Além da terapia, mudanças na rotina, como a prática de atividades físicas e pilates, ajudaram no equilíbrio emocional. Hoje, Kelvyn relata mais disposição, bem-estar e maior consciência sobre seus sentimentos. “Quando a gente não entende as próprias emoções, acaba buscando compensações externas. Isso pode adoecer”, afirma.
Atualmente, ele diz estar distante dos episódios de compulsão e mais preparado para lidar com situações de estresse.
Histórias como a de Kelvyn ajudam a ilustrar um fenômeno observado por especialistas: ansiedade, alterações hormonais, qualidade do sono e comportamento alimentar estão interligados e podem influenciar diretamente o ganho de peso, tema que ainda gera muitas dúvidas e equívocos entre a população.
Embora muitas pessoas associem diretamente o estresse ao aumento na balança, a Dra. Renata Bussuan, médica endocrinologista e coordenadora nacional Afya Educação Médica e docente do curso de pós-graduação em endocrinologia da Afya Educação Médica de Belém, explica que o processo é mais complexo e envolve metabolismo, comportamento alimentar e qualidade do sono.
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VERDADES:
O estresse pode favorecer o ganho de peso: A ansiedade prolongada aumenta a liberação de cortisol, hormônio ligado ao estresse. Em excesso, ele pode estimular maior consumo de alimentos calóricos e favorecer o acúmulo de gordura abdominal.
Hormônios da fome sofrem impacto: estresse e poucas horas de sono podem alterar hormônios como leptina e grelina, responsáveis pela saciedade e pela fome. O resultado costuma ser mais apetite e dificuldade em se sentir satisfeito.
Dormir mal dificulta o emagrecimento: A privação de sono aumenta a fome, os beliscos ao longo do dia e reduz a disposição para atividades físicas, prejudicando a perda de peso.
MITOS:
Toda pessoa ansiosa engorda: A ansiedade não causa ganho de peso sozinha. O risco aumenta quando há combinação de sono ruim, alimentação emocional e rotina desregulada.
Todo ganho de peso é ansiedade: alterações hormonais, como o hipotireoidismo, também podem contribuir para aumento de peso. Por isso, sintomas persistentes devem ser avaliados com exames médicos.
Ganho de peso sempre é ansiedade, pode ser hormonal: algumas doenças hormonais podem causar sintomas semelhantes aos da ansiedade.
• Hipertireoidismo: costuma provocar ansiedade, tremores, insônia e perda de peso;
• Hipotireoidismo: pode causar cansaço, lentidão, retenção de líquido e ganho de peso moderado.
De acordo com a Dra. Renata Bussuan, é importante observar os sinais que o corpo manifesta. “Sinais como palpitações intensas, intolerância ao calor ou frio, queda de cabelo e alterações menstruais indicam a necessidade de investigação médica. O diagnóstico geralmente é feito por exames simples de sangue, como o TSH”, destaca. Perceber quando é hora de buscar ajuda profissional “é o caminho para manter a saúde e o bem-estar necessários para a realização das atividades diárias”, enfatiza a especialista.
Por Alessandra Barreto, da Temple Comunicação








