quarta-feira, agosto 12, 2026
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Ataque contra advogada acende alerta em Santarém, que já registra quatro feminicídios em 2026

O carro de uma advogada foi alvo de disparos de arma de fogo em Santarém, no oeste do Pará. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil, que busca identificar quem planejou e executou o ataque.

Antes dos tiros, a advogada teria recebido uma mensagem de áudio com a voz alterada por computador, em uma tentativa de esconder a identidade do autor. Na gravação, a vítima é ameaçada de morte e ouve o aviso de que o próximo disparo seria contra ela.

Após tomar conhecimento da ameaça, a Polícia Civil do Pará foi acionada e deu início às investigações. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre suspeitos ou sobre a possível motivação do crime.

Investigação

O trabalho de levantamento de informações e busca por pistas é comandado pelo delegado Sílvio Birro, chefe do Núcleo de Apoio à Investigação (NAI) do Baixo Amazonas. O setor atua na apuração de crimes por meio do cruzamento de dados e da coleta de informações que possam ajudar na identificação dos envolvidos.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Santarém, também acompanha o caso. Por meio do grupo responsável pela defesa das prerrogativas profissionais, a entidade informou que está monitorando a situação de perto.

O registro profissional da vítima confirma que ela possui inscrição regular na OAB.

Até o momento, a polícia não informou se já existem suspeitos identificados. A ausência de divulgação de detalhes faz parte da estratégia para não comprometer o andamento das investigações.

Ataque ocorre em meio a cenário de preocupação com violência contra mulheres, o caso chama atenção também diante do cenário de violência contra a mulher registrado em Santarém ao longo de 2026.

Quatro feminicídios já foram registrados no município neste ano. Três deles ocorreram em um intervalo inferior a 20 dias, durante o mês de julho, provocando comoção e aumentando a preocupação das autoridades e da sociedade sobre a violência de gênero.

Embora os crimes tenham ocorrido em circunstâncias distintas, a sequência de casos reforçou o debate sobre a importância da identificação de situações de violência e de mecanismos capazes de interromper ciclos de agressão antes que eles resultem em mortes.

Na Região Metropolitana de Santarém, a Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher recebeu, entre janeiro e julho de 2026, 1.873 pedidos de medidas protetivas de urgência, uma média de aproximadamente 270 solicitações por mês.

No mesmo período, 902 ações penais relacionadas à violência doméstica tramitavam na Justiça. Os processos envolvem crimes como ameaça, lesão corporal, descumprimento de medidas protetivas e feminicídio.

Números da violência

Dados da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup) apontam que, entre janeiro e junho de 2026, Santarém registrou dois feminicídios consumados, seis tentativas de feminicídio e 535 casos de lesão corporal em contexto de violência doméstica.

Os três feminicídios registrados em julho ainda não aparecem nesse levantamento, pois ocorreram após o fechamento dos dados encaminhados pela secretaria.

A Polícia Civil segue investigando o ataque contra a advogada e deve buscar, entre outras informações, a origem da ameaça, a identidade do responsável pelo áudio e a possível relação entre a mensagem e os disparos contra o veículo.

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