segunda-feira, junho 29, 2026
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Audiência pública devolutiva do Projeto 50+50 destaca memória, desafios e perspectivas das rodovias Transamazônica e da BR-163

Realizada na manhã desta segunda-feira, 29, no auditório do Sindicato dos Urbanitários do Pará, a Audiência Pública Devolutiva do Projeto Jornada Sociocultural 50+50 da Transamazônica e BR-163 reuniu lideranças de diversas regiões do Estado do Pará, autoridades políticas, pesquisadores e representantes da sociedade civil em um momento marcado por reflexão, reconhecimento e projeção de futuro para a Amazônia para os próximos 50 anos. O evento contou com a presença do deputado federal Airton Faleiro, autor da emenda parlamentar que viabilizou o projeto, do deputado estadual Dirceu Ten Caten, além de importantes lideranças políticas e sociais, como a ex-governadora Ana Júlia Carepa, o ex-prefeito de Belém Edmilson Rodrigues, a ex-deputada Sandra Batista, o senador Paulo Rocha, o ex-deputado Miriquinho Batista, os jornalistas Paula Sampaio e Pedro Medina (que se fez representar), além de nomes como Vera Paoloni e Úrsula Vidal, entre outros representantes da sociedade civil organizada, muitos dos quais foram homenageados com a Comenda Avelino Ganzer.

Desenvolvido em parceria entre a Secretaria de Estado de Cultura do Pará (Secult) e a Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp), o projeto percorreu territórios das bacias dos rios Tapajós, Araguaia-Tocantins e Xingu, reunindo relatos, memórias e experiências produtivas ao longo de cinco décadas de ocupação da região. A iniciativa promoveu um amplo processo de escuta social, dando voz a colonos, indígenas e diversos atores historicamente impactados pela construção da rodovia desde o começo da década de 70, pelos militares que dominavam o Brasil.

Durante a audiência, foram apresentados os principais resultados do projeto, que incluem a produção de três livros temáticos — abordando as regiões do Tapajós, Araguaia-Tocantins e Xingu — além de curtas-metragens, um documentário de longa-metragem e uma plataforma digital com mais de 100 entrevistas realizadas ao longo da pesquisa.

COMENDA AVELINO GANZER

Um dos momentos mais simbólicos da programação foi a entrega da Comenda Avelino Ganzer, criada em homenagem ao camponês e ex-deputado que foi um dos pioneiros na ocupação da Transamazônica. A honraria foi concedida a diversas personalidades que contribuíram para a construção social, política e cultural da região, reconhecendo trajetórias marcadas por resistência, organização e desenvolvimento.

Em sua fala, o deputado federal Airton Faleiro destacou a importância do projeto como instrumento de valorização histórica.

“Este projeto é muito importante, pois resgata memórias, dá visibilidade aos povos historicamente impactados e reconhece aqueles que fizeram da Transamazônica e da BR-163 territórios de vida e permanência. Demos voz a todos”, afirmou o parlamentar que também faz parte dessa história e trabalhou como camponês na região. Segundo ele, foi desse trabalho, dessas lutas, que surgiram as ideias de inserção na política partidária que construiu os mandatos de deputado estadual por quatro legislaturas e de deputado federal na atual legislatura.

LÍDER DE ORIGEM

Já Waldir Ganzer, uma das vozes históricas da ocupação da região, fez um relato contundente sobre os desafios enfrentados pelos colonos. Segundo ele, muitos perceberam que haviam sido enganados pelas promessas do governo militar, que propagava a ideia de “terras sem homens para homens sem terra”. “Era tarde para recuar. Tínhamos vendido tudo o que tínhamos para vir morar aqui. Assim, encaramos as dificuldades, enfrentamos a barra e vencemos. Agora, a pergunta que fica é: como serão os próximos 50 anos? Precisamos construir um Pará mais humano, mais justo e mais desenvolvido para as novas gerações e que estas sejam mais ativas, mais dinâmicas, avancem mais que a gente”, declarou.

Os debates também trouxeram à tona críticas ao abandono histórico de trechos da rodovia e às dificuldades enfrentadas por populações locais ao longo das décadas, como colonos, indígenas, quilombolas e brasileiros que vieram de toda parte para ocupar a Amazônia encorajados pelo governo de ditadura militar.

“Vivemos dias terríveis de abandono, e ainda há muitos trechos nessa situação”, foi ressaltado durante as discussões, que também levantaram questionamentos sobre a falta de assistência a colonos e povos indígenas.

AVANÇOS

Apesar dos desafios, o evento também destacou conquistas importantes, como a consolidação da agricultura familiar, a expansão do ensino superior na região e a perspectiva de novos avanços, como a criação da Universidade do Xingu.

 Para os participantes, o momento atual exige a resolução de problemas estruturais urgentes, como infraestrutura e políticas públicas, para que seja possível planejar o futuro com mais segurança.

Encerrando a audiência, lideranças reforçaram que o Projeto 50+50 não apenas revisita o passado, mas também inaugura um novo ciclo de reflexão e planejamento para a região. “O futuro começa agora”, foi uma das mensagens mais repetidas ao longo do encontro, simbolizando a continuidade da luta por desenvolvimento sustentável e justiça social na Amazônia.

“Tem muita coisa que precisa ser resolvida agora, para podermos avançar”, finalizou Airton Faleiro.

Fonte e imagens: Agência Pauta Parlamentar

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