Uma gravação de áudio que passou a circular em grupos de mensagens em Capanema, no nordeste do Pará, provocou repercussão no meio político local e levantou acusações envolvendo um advogado que atua no município. No conteúdo, uma voz atribuída ao advogado Roberto Tavares aparece em uma conversa na qual são mencionados valores que chegariam a R$ 300 mil, além de referências a integrantes da política local e a questões relacionadas ao Judiciário.
O material vem sendo apresentado como uma possível tentativa de negociação envolvendo informações e denúncias contra pessoas ligadas à administração municipal. Entre os assuntos mencionados na gravação também estaria a atuação de um magistrado que trabalha na região.
Por se tratar de uma gravação cuja autoria ainda precisa ser tecnicamente comprovada, as acusações não podem ser tratadas como fatos consumados. A identificação da voz, o contexto integral da conversa e a finalidade dos diálogos são pontos que precisam ser esclarecidos por meio de investigação.
ÁUDIO É LEVADO PARA REGISTRO
O conteúdo da gravação teria sido formalizado por meio de ata notarial, instrumento utilizado para registrar oficialmente determinado conteúdo apresentado ao tabelião.
A partir da divulgação do material, o caso passou a gerar questionamentos no município e pode ser encaminhado às autoridades responsáveis pela apuração de eventuais irregularidades.
ADVOGADO É CITADO E NEGA AUTORIA
Roberto Tavares é advogado e atua em processos relacionados a Capanema. O nome dele também esteve ligado à disputa eleitoral municipal de 2024, quando tentou concorrer ao cargo de prefeito, mas teve o registro de candidatura indeferido pela Justiça Eleitoral em razão de questão relacionada ao prazo para apresentação do pedido. Ele é ligado ao grupo político dos irmãos Jaques e Adair Neves.
Em relação ao áudio que circula atualmente, a autoria da voz é atribuída ao advogado por pessoas que divulgaram o material. A acusação, porém, é contestada.
A reportagem tenta entrar em contato com a defesa de Roberto Tavares para obter sua manifestação sobre a gravação, as acusações e eventuais providências judiciais adotadas. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.
CASO DEPENDE DE APURAÇÃO
O episódio envolve acusações graves e, por isso, qualquer conclusão sobre eventual ameaça, tentativa de extorsão ou outro crime dependerá da análise das autoridades competentes.
A conversa sobre valores em dinheiro e a possibilidade de encerrar conflitos políticos em Capanema foi transcrita em ata notarial a pedido do vereador Gerson da Silva Serra. O vereador afirma que seu interlocutor na gravação é o advogado Roberto de Oliveira Tavares.
Segundo a ata, o tabelião examinou um áudio de 16 minutos e 10 segundos apresentado por Gerson em seu celular. O vereador declarou que gravou a conversa na Câmara Municipal de Capanema, em 23 de abril de 2026. O documento registra a transcrição feita pelo cartório, com a indicação de trechos que não puderam ser compreendidos.
A pessoa identificada na transcrição como o vereador afirma não ter condições de pagar R$ 300 mil. O interlocutor responde que havia pedido uma contraproposta. Em outros momentos, a conversa aborda a possibilidade de interromper conflitos envolvendo outras pessoas e menciona os valores de R$ 200 mil e de R$ 50 mil a R$ 70 mil.
O diálogo também inclui declarações sobre denúncias contra a gestão municipal. Em outro trecho, o interlocutor diz estar preparando um dossiê sobre um juiz e fala na possibilidade de levar o caso ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A ata comprova que o tabelião constatou e transcreveu o conteúdo do áudio apresentado pelo vereador. Ela não contém uma perícia de identificação da voz nem estabelece que houve crime. A identificação de Roberto Tavares como participante da conversa consta no documento como informação prestada por Gerson Serra.
Veja a Ata notarial com a transcrição:

A reportagem ainda não conseguiu entrar em contato com o advogado nem com seu defensor, mas fica o espaço aberto para esclarecimentos.
Da Redação







