terça-feira, novembro 3, 2026
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Brasileiro de 22 anos, natural de Tucuruí, morre na guerra da Ucrânia; família luta para trazer corpo ao Pará

Hendrick Lima Gonçalves morreu em combate no dia 30 de outubro. Familiares buscam apoio diplomático para localizar o corpo, recuperar documentos e pertences militares e viabilizar o traslado ao Brasil

A morte do jovem brasileiro Hendrick Lima Gonçalves, de 22 anos, natural de Tucuruí, no sudeste do Pará, durante a guerra da Ucrânia, mobiliza familiares que tentam obter informações oficiais sobre as circunstâncias do ocorrido e viabilizar o retorno de seus restos mortais ao Brasil. O falecimento foi registrado em combate no dia 30 de outubro e comunicado à família no sábado, 31.

Desde que recebeu a notícia, a família enfrenta dificuldades para esclarecer o que aconteceu e descobrir onde o corpo do jovem se encontra. A situação é agravada pela continuidade dos confrontos na região onde Hendrick participava de uma missão militar, considerada de alto risco.

Até as últimas informações divulgadas pela família, na segunda-feira (2), não havia confirmação sobre a localização exata do corpo, sua liberação pelas autoridades responsáveis ou uma possível data para o traslado ao Pará.

Jovem tinha experiência militar antes de seguir para a Ucrânia

Antes de viajar para o Leste Europeu, Hendrick havia servido ao Exército Brasileiro, no 23º Esquadrão de Cavalaria de Selva, sediado em Tucuruí. Depois de deixar a instituição militar brasileira, seguiu para a Ucrânia, onde passou por treinamento e começou a atuar em atividades ligadas ao conflito.

Informações divulgadas posteriormente pela imprensa nacional apontam que o paraense estava no país desde maio de 2026. Além de trabalhar como instrutor de tiro, também participava de operações em áreas de combate. Segundo relatos da família, ele tinha a intenção de retornar ao Brasil no final de novembro, mas morreu antes de concretizar o plano.

A morte ainda não teve suas circunstâncias detalhadas oficialmente. Os familiares aguardam informações mais precisas sobre a missão em que o jovem estava envolvido e sobre os procedimentos adotados pelas autoridades militares ucranianas.

Família enfrenta dificuldades para recuperar o corpo

A irmã de Hendrick, Beatriz Correa, relatou que os parentes já procuraram o consulado brasileiro e o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) para solicitar assistência. Entretanto, o andamento dos procedimentos depende do envio e da análise de documentos, além das dificuldades de comunicação provocadas pela diferença de fuso horário.

Segundo Beatriz, a missão militar ainda não havia sido totalmente concluída, o que impedia o acesso a informações oficiais mais detalhadas. Até então, os familiares recebiam notícias principalmente por meio de outros combatentes.

A possibilidade de localizar e retirar o corpo da região também preocupa os parentes. Conforme o relato da irmã, a área onde teria ocorrido a morte permanece sob risco de ataques, tornando qualquer tentativa de resgate potencialmente perigosa.

Além da repatriação, a família pretende recuperar documentos, objetos pessoais, farda e medalhas militares do jovem, como forma de preservar sua memória.

ITAMARATY CONFIRMA ASSISTÊNCIA CONSULAR

Em manifestação sobre o caso, o Ministério das Relações Exteriores informou que a Embaixada do Brasil em Kiev permanece disponível para prestar a assistência consular necessária aos familiares.

O órgão ressaltou que o atendimento depende do contato direto dos parentes interessados e segue os procedimentos estabelecidos pelas normas e tratados internacionais.

O governo brasileiro também mantém alertas sobre os perigos extremos enfrentados por estrangeiros em regiões de combate na Ucrânia, desaconselhando viagens às áreas próximas às frentes de batalha e a aceitação de propostas de recrutamento por forças militares estrangeiras.

Número de brasileiros mortos no conflito preocupa autoridades

O caso de Hendrick ocorre em meio ao aumento do número de brasileiros mortos ou desaparecidos na guerra entre Rússia e Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022.

Segundo dados do Ministério das Relações Exteriores divulgados à imprensa, 35 brasileiros morreram e outros 117 estavam desaparecidos em decorrência do conflito. Entre os mortos, 33 estavam vinculados às forças ucranianas e dois às forças russas.

Enquanto aguardam novas informações, os familiares de Hendrick continuam buscando apoio diplomático e providências para recuperar o corpo, os documentos e os objetos pessoais do jovem.

A expectativa é conseguir realizar o traslado para Tucuruí, onde parentes e amigos desejam prestar as últimas homenagens ao paraense.

Da Redação do Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ/Imagem: Reprodução

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