quinta-feira, agosto 13, 2026
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De Santarém ao DF: filhote de onça-pintada resgatada no Pará ganha nova chance de voltar à natureza

Com apenas 4 meses, a felina foi transportada para Brasília, onde passará por reabilitação em centro especializado do Ibama.

Uma filhote de onça-pintada de apenas quatro meses de idade deu um passo importante para o seu futuro nesta semana. O animal foi transferido do Pará para o Distrito Federal, onde iniciou o processo de reabilitação no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama, em Brasília — unidade que é referência nacional no manejo e tratamento de grandes felinos.

A história da jovem fêmea começou em junho deste ano, em Altamira, no sudoeste paraense. Encontrada em uma fazenda local, ela era mantida como animal de estimação por uma família, que viveu com o felino por cerca de 30 dias antes de acionar os órgãos ambientais. Quando foi entregue, a onça apresentava um quadro delicado de deficiência nutricional e alopecia difusa (perda de pelos pelo corpo).

A partir do resgate, o animal recebeu os primeiros cuidados intensivos no Cetas de Benevides, na Região Metropolitana de Belém. Já fortalecida e recuperada das deficiências físicas, a felina foi liberada para a nova etapa do tratamento na capital federal.

Viagem rápida nas asas da solidariedade

Para garantir a segurança e o bem-estar da filhote durante o transporte, a equipe técnica contou com o apoio do programa Avião Solidário, da Latam. A parceria logística permitiu que o trajeto entre o Pará e o Distrito Federal fosse reduzido drasticamente: o percurso, que levaria mais de um dia por via terrestre, durou apenas três horas de voo.

“Apoiar a preservação de espécies ameaçadas e oferecer uma nova chance a animais como este filhote de onça é motivo de grande orgulho para o programa Avião Solidário e evidencia a importância de colocar nossa conectividade a favor de iniciativas socioambientais”, afirma Raquel Argentino, gerente de Sustentabilidade e Impacto Social da Latam.

Em 14 anos de atuação, a iniciativa já auxiliou no transporte de mais de 4,6 mil animais silvestres, além de apoiar voluntários e missões de ajuda humanitária.

Os próximos passos: reabilitação ou cativeiro?

Atualmente em solo brasiliense, a pequena onça-pintada está saudável e com o peso ideal para a sua faixa etária. Contudo, a equipe do Ibama enfrenta agora o desafio mais complexo: definir se ela terá condições de ser devolvida à vida selvagem.

Para que a soltura na natureza seja viável, o felino precisa desenvolver comportamentos típicos da espécie, tornando-se arisco e deixando de associar a presença humana à oferta de alimento — um hábito que costuma ser perdido quando o animal é criado em ambiente doméstico.

“Neste momento, a equipe do Ibama está iniciando o protocolo de avaliação comportamental do animal, o que poderá definir se ele está apto ou não a participar do Programa de Reabilitação, Soltura e Monitoramento do Cetas Brasília”, explica Júlio César Montanha, chefe da unidade.

A avaliação comportamental deve durar cerca de 30 dias. Caso os veterinários e biólogos identifiquem que a oncinha adquiriu dependência do ser humano e não possui as aptidões necessárias para caçar e sobreviver sozinha, o Cetas buscará um recinto adequado que garanta a sua qualidade de vida sob cuidados profissionais.

 Foto: Divulgação/Ibama

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