Mesmo com recuo de 2,94% no último mês, alimento continua pressionando o orçamento das famílias paraenses, sobretudo as de menor renda
O preço do feijão deu um pequeno alívio ao consumidor de Belém em julho, mas a redução registrada no mês está longe de compensar a forte disparada acumulada desde o início do ano. Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE/PA) mostra que o quilo do produto fechou julho de 2026 com preço médio de R$ 8,90, queda de 2,94% em relação aos R$ 9,17 registrados em junho.
Apesar do recuo mensal, o feijão acumula uma alta de 61,82% entre janeiro e julho de 2026 e de 63% nos últimos 12 meses, considerando o período entre julho de 2025 e julho de 2026. O desempenho coloca o produto entre os principais responsáveis pela pressão sobre o custo da alimentação dos paraenses.
A evolução dos preços ajuda a dimensionar o tamanho do aumento. Em julho de 2025, o quilo do feijão custava, em média, R$ 5,46 nos supermercados pesquisados pelo DIEESE/PA. Em dezembro, o valor chegou a R$ 5,50. Já em janeiro deste ano, passou para R$ 5,69 e iniciou uma trajetória de forte valorização, atingindo R$ 9,17 em junho.
Em julho, finalmente houve uma inversão desse movimento, com o preço médio recuando para R$ 8,90. A queda, entretanto, foi insuficiente para devolver o produto aos patamares registrados no ano passado.
ALTA SUPERIOR A 60%
Na comparação entre julho de 2026 e julho de 2025, o consumidor paraense passou a pagar, em média, R$ 3,44 a mais por quilo de feijão. Em termos percentuais, isso representa uma alta de 63% em apenas 12 meses.
No acumulado de 2026, a diferença também é expressiva. O produto que custava R$ 5,69 em janeiro passou a custar R$ 8,90 em julho, uma elevação de 61,82%.
O acompanhamento do DIEESE/PA é realizado semanalmente nos principais supermercados de Belém, permitindo observar as oscilações do produto e identificar tendências de preços.
CESTA BÁSICA RECUOU EM JULHO
A queda do feijão contribuiu para o recuo observado no custo geral da alimentação em Belém. Segundo o DIEESE/PA, a Cesta Básica de Alimentos chegou a R$ 724,10 em julho, apresentando redução de 4,65% na comparação com junho.
O feijão esteve entre os produtos que ajudaram a puxar esse resultado para baixo. Mesmo assim, o desempenho acumulado do alimento demonstra que a pressão sobre o orçamento doméstico continua elevada.
Para as famílias de menor renda, o impacto tende a ser ainda mais significativo, já que o feijão é um dos alimentos básicos da dieta brasileira e integra regularmente as compras mensais dos consumidores.
CLIMA, PRODUÇÃO E TRANSPORTE PESAM NO PREÇO
Na avaliação do DIEESE/PA, a formação do preço do feijão é resultado de uma combinação de fatores. Entre eles estão a redução da área cultivada, as perdas de produtividade provocadas por adversidades climáticas nas principais regiões produtoras, o aumento dos custos de produção e o encarecimento da logística de transporte e distribuição.
Esses fatores ajudam a explicar por que uma eventual redução pontual no preço não significa, necessariamente, uma tendência permanente de queda.
O DIEESE/PA alerta que, apesar do recuo observado em julho, não estão descartados novos reajustes no curto prazo. Com isso, o feijão permanece no radar dos consumidores e dos órgãos que acompanham o comportamento dos preços dos alimentos.
QUADRO DOS PREÇOS
| Período | Preço médio do quilo |
| Julho/2025 | R$ 5,46 |
| Dezembro/2025 | R$ 5,50 |
| Janeiro/2026 | R$ 5,69 |
| Junho/2026 | R$ 9,17 |
| Julho/2026 | R$ 8,90 |
Variação em julho: -2,94%
Acumulado em 2026: +61,82%
Acumulado em 12 meses: +63,00%
Segundo Everson Costa, supervisor técnico do DIEESE/PA, mesmo diante da queda registrada em julho, o comportamento do feijão continua exigindo atenção, principalmente pelo impacto que o alimento exerce sobre o orçamento das famílias paraenses.
O cenário mostra, portanto, uma contradição no mercado: o feijão ficou mais barato em julho, mas continua muito mais caro do que estava há um ano e no início de 2026. Para o consumidor de Belém, o alívio de R$ 0,27 por quilo em relação a junho ainda está distante de devolver o alimento aos preços praticados em 2025.
Por NAZARÉ SARMENTO/Jornal A PROVÍNCIA DO PARÁ com informações do DIEESE/PA e CONAB/Imagem ilustrativa: Reprodução





