Especialistas orientam sobre cuidados essenciais para evitar casos graves de rinite, asma e pneumonia durante o período chuvoso.
Com a chegada do “inverno amazônico” — período de chuvas intensas que se estende de dezembro a maio — a saúde das crianças exige atenção redobrada. O médico infectologista Bernardo Porto Maia, do Hospital Regional Dr. Abelardo Santos (HRAS), em Belém, explica que a combinação de alta umidade e temperaturas amenas favorece a circulação de microrganismos e o surgimento de síndromes respiratórias, arboviroses e infecções hídricas.
1. Doenças Respiratórias: O Perigo no Ar
O aumento de fungos, mofos, vírus e bactérias no ar intensifica quadros alérgicos e infecciosos. Confira as principais diferenças:
- Resfriado Comum: Coriza, espirros e febre baixa.
- Gripe (Influenza): Quadro mais severo com febre alta, dores musculares e exaustão.
- Bronquite e Asma: Tosse persistente, chiado no peito e dificuldade para respirar.
- Pneumonia: Infecção grave com febre alta, dor no peito e fadiga.
Prevenção: Mantenha a casa arejada para evitar o mofo, higienize as mãos com frequência, garanta uma alimentação balanceada e mantenha a hidratação em dia.
2. Atenção às Arboviroses (Dengue, Zika e Chikungunya)
As chuvas aumentam os criadouros do mosquito Aedes aegypti. “Os ovos eclodem em menos de 30 minutos após o contato com a água acumulada”, alerta o infectologista.
- Dengue: Febre alta e dores no corpo (pode evoluir para formas hemorrágicas).
- Zika: Erupções na pele e riscos graves para gestantes.
- Chikungunya: Dores articulares intensas que podem deixar sequelas.
Ação: Elimine pratos de vasos, vede caixas d’água, limpe ralos e não deixe lixo ou pneus expostos à chuva.
3. Riscos em Águas de Alagamento
O contato ou a ingestão de água contaminada (especialmente próxima a canais e esgotos) pode transmitir doenças graves:
- Por contato (pele): Leptospirose (urina do rato) e Esquistossomose.
- Por ingestão: Hepatite A, Cólera e Diarreia Aguda.
Prevenção: Evite que crianças brinquem em áreas alagadas. Consuma apenas água filtrada ou fervida e lave bem os alimentos.
Quando procurar o hospital?
O Dr. Bernardo Porto Maia enfatiza que a automedicação deve ser evitada. Ao notar sintomas como febre persistente, dificuldade respiratória, dores intensas ou desidratação, a criança deve ser levada imediatamente à unidade de saúde mais próxima. O diagnóstico precoce é a chave para uma recuperação segura.
Estrutura de Atendimento
O Hospital Regional Dr. Abelardo Santos (HRAS) é a maior unidade pública do Governo do Pará, administrado pelo Instituto Social Mais Saúde (ISMS) em parceria com a Sespa. A unidade é referência em pediatria, contando com pronto-socorro, centros cirúrgicos, internação clínica, UTI e Unidades de Cuidados Intermediários (UCIn).

Foto: Diego Monteiro








